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Importações e elevação dos custos comprometem expansão do setor

Autor(es): Por Mônica Scaramuzzo | De São Paulo
Valor Econômico - 13/12/2011

As indústrias químicas e petroquímicas do Brasil devem encerrar este ano com faturamento líquido de R$ 261,9 bilhões, um crescimento de 15,8% sobre o ano anterior, de acordo com estimativas feitas pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Em dólar, a receita líquida do setor deve fechar em US$ 158,5 bilhões, aumento de 23,4% em relação a 2010. Os segmentos de produtos químicos de uso industrial e o de produtos farmacêuticos, dois de maior representatividade em vendas nessa cadeia, encerram com receita de US$ 76,2 bilhões, elevação de 9,4%, e de US$ 25,3 bilhões, aumento de 8,4%, respectivamente.

Apesar do aumento da receita, as indústrias do setor não têm muito o que comemorar em 2011. Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Abiquim, prevê um período de desaceleração, com o ritmo lento já observado neste último trimestre e que deverá perdurar até o fim do primeiro trimestre de 2012. A expectativa de analistas é de que a recuperação ocorra a partir do segundo trimestre do próximo ano, mas deslanche a partir do segundo semestre de 2012.

A perda da competitividade das indústrias nacionais, sobretudo pelo maior volume de importação este ano de produtos transformados; aumento dos custos de produção, puxados por energia; além dos elevados encargos tributários, foram apontados ontem pelos empresários do setor como os principais fatores que inibem a expansão das empresas químicas no país.

A balança comercial do setor deve fechar este ano negativa em US$ 25,9 bilhões. No ano de 2010, encerrou igualmente no vermelho em US$ 20,7 bilhões. Em 1991, o déficit era de US$ 1,5 bilhão, segundo a Abiquim.

As importações estão deixando o setor químico e petroquímico menos competitivo, alegam os empresários. "Muitas indústrias químicas devem encerrar suas atividades produtivas e passarão a comercializar produtos transformados importados", afirmou uma fonte do setor. "Fecham a indústria e vão manter a área comercial ativa para não encerrar as atividades de vez."

O ritmo de investimentos também deverá se reduzir, considerando o atual cenário, segundo a Abiquim. O segmento de produtos químicos de uso industrial, que respondeu por quase metade da receita de todo o setor em 2011, deverá puxar o freio no movimento de expansão. Os aportes dessa divisão da indústria ficaram em US$ 2,9 bilhões em 2010 e devem encerrar 2011 em torno de US$ 2,6 bilhões. Para 2012, haverá um expressivo aumento, para US$ 4,8 bilhões, mas considerando os projetos já anunciados e em andamento.

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