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Peru e Líbano proíbem a compra de carne brasileira

Autor(es): Lisandra Paraguassu
O Estado de S. Paulo - 04/01/2013


O  Peru proibiu ontem a compra de carne bovina brasileira por 90 dias, em razão da descoberta de um animal contaminado com a doença da vaca louca, em 2010,
no Paraná. Também foi confir­mada a suspensão da importação pelo Líbano, mas apenas restrita a produtos vindos do Paraná, e de Taiwan, que anunciou a proibição no fim de dezembro.
Com os novos embargos já são os países que determinaram algum tipo de restrição à carne brasileira, sendo o Peru o primeiro da América do Sul. Apesar da proximidade, o país não é um grande importador. Em 2012, comprou do Brasil US$ 1 15,9 milhões em carne bovina, o que representou 0,08% das exportações brasileiras. Já o Líbano importa o equivalente a 1,5% da carne vendida ao exterior. O valor é significativo, mas o Ministério da Agricultura ainda não conseguiu determinar quanto disso sai do Paraná.
A decisão desses dois países, mesmo que limitadas, mostra ; que ainda não se encerrou o efeito dominó temido pelo Brasil.
Apesar de, até agora, os maiores importadores ainda não terem aderido ao embargo, a carne bra­sileira continua sob suspeita, mesmo depois da rodada de explicações dadas por técnicos do Ministério da Agricultura e por diplomatas brasileiros na Orga­nização Mundial do Comércio (OMC) e em encontros com os : grandes compradores, aumentando as chances de o governo fazer reclamação formal à OMC.
Ontem, a ministra interina do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, reafirmou que o governo já estuda qual o melhor instru­mento para questionar as barrei­ras. No fim de dezembro, o secre­tário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, afirmou que o governo esperaria até março antes de ape­lar para a OMC.
O Itamaraty trabalha com a intenção de iniciar as chamadas consultas na OMC com os países que adotaram o embargo, um es­tágio anterior abertura de um painel, uma queixa formal à orga­nização.

Egito e Arábia Saudita suspendem compra de carne

Autor(es): Cristiane Bonfanti
O Globo - 18/12/2012


Países se juntam a outros três por temor de vaca louca. Colômbia e Venezuela avaliam que medidas tomarão

O Ministério da Agricultura informou ontem que o Egito, terceiro maior importador de carne do Brasil, impôs restrições ao produto proveniente do Paraná, por temores relacionados à identificação do agente causador da doença da vaca louca em um animal que morreu no estado em 2010. Além disso, a Arábia Saudita, sétimo maior comprador de carne brasileira, suspendeu a compra do produto proveniente de todo o Brasil. Agora já são cinco os países que suspenderam as importações de carne brasileira em decorrência do problema identificado no Paraná.
missões especiais do governo
Fontes do governo informaram que Colômbia e Venezuela também estão realizando consultas e podem adotar em breve medida semelhante. Na semana passada, Japão, África do Sul e China anunciaram a suspensão.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o governo tomará providências semelhantes às adotadas para os três primeiros países em relação a Egito e Arábia Saudita.
A estratégia do governo é enviar missões oficiais para esclarecer sobre o caso não clássico do agente da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como o mal da vaca louca.
O governo tem reiterado que o animal não morreu em decorrência da doença, mas vítima de morte súbita. Também tem sustentado que a situação é isolada e que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) manteve o status do Brasil como "país de risco insignificante" para a enfermidade.
O governo reconhece, no entanto, a dimensão do impacto que a presença do agente da doença pode causar.
Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a demora na divulgação do caso aumenta o temor por parte dos outros mercados.
- O agente foi identificado em um animal que morreu em 2010 e a informação só foi divulgada agora. Isso levanta dúvidas - comentou.
Rússia negocia retomada
Segundo o Ministério da Agricultura, o Egito importou, nos dez primeiros meses deste ano, 116,1 mil toneladas de carne bovina. Desse total, 839 toneladas foram do Paraná. A Arábia Saudita, por sua vez, comprou 31,3 mil toneladas no mesmo período.
O governo continua em negociação com a Rússia para a retomada efetiva da compra das carnes bovina, suína e de frango de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná, suspensa desde meados do ano passado por outras causas. Falta a liberação de frigoríficos que estão se adequando às normas impostas pela Rússia, entre elas a ausência de hormônio de crescimento nas carnes.