Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

Brasil é risco para a América Latina, avalia FMI

Logo do FMI em prédio em Washington, dia 18/04/2013

Washington - O Brasil em crise é um fator de risco para a América Latina, segundo avaliação divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

A região é vulnerável a um crescimento chinês menor que o previsto, a novas baixas dos preços das commodities "e a uma deterioração ainda maior da situação do Brasil", comentou o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner.

O menor dinamismo da China afeta os países mais dependentes da exportação de matérias-primas. Apesar disso, o desempenho dessas economias é geralmente melhor que o da brasileira.

Além de travar o crescimento na vizinhança, o maior país sul-americano continua prejudicando os números globais da região.

Sem Brasil, Argentina, Equador e Venezuela, o Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul teria crescido 2,9% no ano passado e poderia crescer 2,6% neste ano. As estatísticas ficam bem mais feias com a inclusão dos quatro países, com resultado negativo de 1,4% em 2015 e perspectiva de contração de 2% em 2016.

O contraste é também visível em outros detalhes.

O cenário mundial piorou desde janeiro e as previsões para a América Latina também se reduziram. Mas a maior parte dos latino-americanos continua em crescimento, embora mais moderado.

Com crescimento previsto de 2,4%, o México, juntamente com os países da América Central, acompanha a recuperação dos Estados Unidos.

Na América do Sul, a maioria dos exportadores de commodities tem conseguido se ajustar à nova situação.

No Chile e no Peru, houve folga suficiente para políticas contracíclicas e as taxas de expansão projetadas para cada um são 1,5% e 3,7%.

Na Colômbia, foi necessário um aperto para ajustar as contas externas, mas a expansão se mantém e está estimada em 2,5%. Todos esses países foram afetados pela mudança das condições externas, com redução dos preços de seus produtos de exportação.

Nas economias em recessão, no entanto, a contração se explica, principalmente, por fatores internos, segundo Alejandro Werner. Mesmo entre esses países há diferenças importantes e também nesse quadro o Brasil aparece mal.

Empenhado em eliminar os desarranjos produzidos no tempo dos Kirchners, o novo governo argentino mudou o rumo da política. Entendeu-se com os credores ainda fora dos acordos de pagamentos (os holdouts), removeu controles do câmbio, eliminou impostos sobre as exportações, aumentou tarifas e começou a corrigir preços distorcidos.

O PIB deve diminuir 1% neste ano e crescer 2,8% em 2017, retomando a trajetória de alta.

O Equador, com retração prevista de 4,5%, sofre os efeitos da depreciação do petróleo e da valorização do dólar. Como sua economia é dolarizada, exportações encarecem e, ao mesmo tempo, as importações ficam mais baratas.

O ajuste envolverá um maior aperto fiscal e isso prolongará a recessão iniciada no ano passado. Para 2016, está estimada um contração de 4,5%.

A Venezuela continuará em recessão profunda. O PIB diminuiu 5,7% no ano passado, deve diminuir mais 8% neste ano e poderá encolher mais 4,5% em 2017

. A baixa do preço do petróleo certamente afetou o país, mas foi apenas mais um problema já cheio de dificuldades.

Não se cuidou das distorções políticas nem dos desajustes fiscais, como se lembra no relatório de Alejandro Werner. A inflação deve ultrapassar 700%, "alimentada pelo dinheiro emitido para cobrir o déficit fiscal, por um aumento na taxa de câmbio paralela e pela escassez de produtos básicos".

'Desacertos'

O maior membro do clube é o Brasil, metido em "uma das mais fundas recessões de sua história". Segundo o texto, a contração é "causada por uma combinação de desacertos nas políticas, fragilidades macroeconômicas e problemas políticos".

A deterioração das contas públicas e o aumento da dívida "influíram fortemente no colapso da confiança no País", acrescenta o relatório. "As perspectivas começarão a ser mais promissoras somente quando essas incertezas forem resolvidas e as questões fiscais forem abordadas", completou Werner.

Como outros funcionários do FMI, o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental evitou discutir em detalhe as formas de eliminação das incertezas e de recomposição da confiança.

O economista Krishna Srinivasan, da equipe de Alejandro Werner, teve o mesmo cuidado. Negou-se a falar sobre a política interna do Brasil, mas indicou sumariamente, respondendo a uma pergunta, a agenda recomendável para quem estiver no governo depois de resolvida a crise atual. É a mesma de antes - cuidar dos ajustes, promover reformas e investir na infraestrutura.

Enquanto isso, em Brasília, deputados permaneciam no Congresso Nacional, fato raro numa sexta-feira, discutindo um processo de impedimento baseado em alguns daqueles "desacertos" - as pedaladas fiscais atribuídas à presidente da República. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Não existe cura milagrosa para o Brasil, diz IIF

Data: 20/04/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP
Altamiro Silva Júnior

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Não há uma cura milagrosa para os problemas econômicos e políticos do Brasil, afirma o Instituto Internacional de Finanças (IIF), com sede em Washington, ao comentar o avanço do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O IIF avalia que o mercado brasileiro pode estar eufórico demais sobre o cenário pós-impeachment. Os preços dos ativos já embutem em grande parte a saída da presidente Dilma do Planalto, destaca o relatório. "Acreditamos que a euforia do mercado está superestimando a capacidade política de um potencial governo liderado pelo PMDB para colocar em prática um ajuste fiscal coerente e confiável", afirma o economista do IIF, Ramón Aracena. "Estamos céticos de que a administração liderada pelo PMDB entregue as reformas fiscais necessárias para mudar o jogo e restabelecer a confiança."

Só uma reforma fiscal confiável, capaz de fazer a relação entre a dívida bruta e o Produto Interno Bruto (PIB), indicador de solvência de um país, parar de subir, é que ajudaria a recuperar a confiança de investidores estrangeiros e domésticos, abrindo as portas para a volta do crescimento econômico, afirma o IIF. A relação dívida/PIB do Brasil superou os 70% e está em trajetória de alta, e o déficit nominal ultrapassou os 10%.

O IIF acredita que se Temer chegar ao poder, ele deve de fato buscar melhorar a confiança de investidores e consumidores adotando medidas mais amigáveis ao mercado e buscando um ajuste fiscal. Mas essa intenção deve encontrar obstáculos significativos, afirma Aracena.

Um desses obstáculos é a Lava Jato, que pode atingir mais membros do PMDB, incluindo Temer, e aliados do partido. Esse movimento diminuiria a legitimidade do governo e a capacidade para reação. Além disso, esse risco pode complicar a intenção de Temer de trazer pessoas de elevado conhecimento técnico e de renome para Brasília, sobretudo para a equipe econômica.

Transição. Além da Lava Jato, o IIF destaca que a transição de governo entre Dilma e Temer não deve ser suave. Um governo do peemedebista vai começar com o ambiente político carregado no Brasil, o que dificultará a aprovação de qualquer reforma que precise de emendas na Constituição, como aquelas necessárias para reduzir a rigidez do orçamento público, por conta dos gastos vinculados.

Outro risco é do aumento de tensões sociais promovido por sindicatos em meio à medidas impopulares de ajuste fiscal e de uma oposição barulhenta do PT.

Armínio diz a Temer que crise é mais ´dramática´ do que aparenta

Data: 20/04/2016
VALOR ECONÔMICO - SP
Claudia Safatle | De Brasília

O vice-presidente Michel Temer ouviu, em jantar na segunda-feira em São Paulo com o senador Aécio Neves e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, que a situação da economia brasileira é "dramática" e que a gravidade da situação está, de certa forma, camuflada, nas últimas semanas, pelo impacto da melhora do mercado internacional e pela perspectiva do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O Tesouro Nacional está quebrado, a grande maioria dos Estados está quebrada, a situação da Petrobras é delicadíssima e dos bancos federais, sobretudo Caixa, também. Dificilmente a Petrobras escapará de uma capitalização, apesar da União também estar em situação financeira lamentável.

Isso coloca para o eventual futuro presidente da República grandes desafios que começam pela formação de uma boa equipe econômica e pela definição de uma tática para conduzir as reformas necessárias. De dez propostas de reformas que são consenso entre os economistas, Temer deve escolher umas três ou quatro de efeitos mais imediatos para enviar ao Congresso nos primeiros dias de sua eventual gestão.

Armínio não deve participar do provável novo governo e isso ficou claro na conversa durante o jantar. Temer já sabia das dificuldades do ex-presidente do BC em aceitar o convite para o Ministério da Fazenda. Interlocutores muito próximos ao vice-presidente haviam feito sondagens e foram desestimulados a concretizar o convite.

Outros nomes foram mencionados para ocupar o comando da equipe econômica, como o de Murilo Portugal, atual presidente da Febraban, do senador José Serra e do ex-presidente do BC, Henrique Meirelles. São perfis totalmente distintos, cada um com suas vantagens e desvantagens. Marcos Lisboa, que trabalhou na assessoria de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda e hoje está no Insper, seria uma quarta possibilidade, mas já avisou que não aceitaria.

Portugal foi secretário do Tesouro Nacional no governo de Fernando Henrique Cardoso, secretário-executivo da Fazenda nos primeiros anos de Lula e vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de diretor do Banco Mundial. Seu nome tem o aval de Armínio e o apoio do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto.

Serra tem o inconveniente de ser candidato natural à presidência em 2008 e Meirelles é muito identificado com o ex-presidente Lula, dizem políticos próximos ao vice-presidente.

O senador tucano pode ocupar outras pastas no eventual governo Temer, como o Ministério da Saúde ou da Infraestrutura. O primeiro, Serra mesmo vem descartando porque seria um reprise, já que foi ministro da Saúde na gestão de FHC. Fontes próximas ao senador avaliam, ainda, que em meio a uma política de forte ajuste fiscal, não haveria recursos para a pasta da Saúde suficientes para produzir uma substancial melhora nos serviços oferecidos à população.

Outro nome mencionado para a Saúde é o de Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein.

Na reforma administrativa que está sendo concebida pelo PMDB para reduzir os ministérios de 31 para cerca de 20 ou até menos, as pastas ligadas à infraestrutura - portos, aviação civil, transportes e energia - seriam agregadas em uma só. Para esse cargo cita-se o nome de Serra, que é considerado também um eficiente executor.

Para o Banco Central alguns dos nomes da lista apresentada à equipe de Temer são os dos ex-diretores do BC, Ilan Goldfajn e Mário Mesquita. Luiz Fernando Figueiredo, que foi diretor de Política Monetária do BC, pode ocupar a presidência do Banco do Brasil, mas é um nome possível também para o Banco Central.

O eventual presidente, porém, não escolherá ninguém para a direção dos bancos públicos e do Banco Central sem que o ministro da Fazenda seja consultado antes. Essa é uma área que deve ser integrada e trabalhar na mesma direção, e não ser objeto de divergências como ocorreu nos últimos anos.

Temer afirmou, em breve declaração, que aguardará a decisão do Senado a respeito do impeachment da presidente Dilma Rousseff para se pronunciar. O pemedebista falou por menos de um minuto à imprensa na frente de sua casa, na zona oeste de São Paulo.

"Muito silenciosa e respeitosamente, vou aguardar a decisão do Senado Federal. O Senado Federal é que dá a última palavra sobre essa matéria, portanto seria inadequado que eu dissesse qualquer coisa antes da solução acertada pelo Senado Federal", disse.

Ele não respondeu a perguntas sobre a eventual formação de um governo. Passou o dia em seu escritório na capital paulista recebendo aliados. (Colaborou Estevão Taiar, de São Paulo, e Ribamar Oliveira e Thiago Resende, de Brasília)

Desesperança com o futuro - SUELY CALDAS

O ESTADO DE S. PAULO - 07/06

Pior do que a retração de 0,2% do PIB no primeiro trimestre é a crescente desesperança com uma revirada na economia prometida pelo ministro Joaquim Levy para começar no segundo semestre. Em quase dois anos e sete trimestres seguidos - comprova o IBGE - os investimentos não param de cair e as empresas contraem a produção diante de um cenário recessivo, com aumento do desemprego, queda da renda salarial, famílias consumindo menos e crescimento da inadimplência. Arrecadação de impostos em queda, os governos (federal, estadual e municipal) cortam antigos e novos projetos de investimento.

No plano político, o Congresso e o PT mais atrapalham do que ajudam o ministro Levy a recolocar a economia nos trilhos e dar início à retomada do crescimento. Parcela expressiva do PT quer ver o ministro da Fazenda demitido, inclusive a corrente do ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, aquele que inventou a "nova matriz econômica", as pedaladas fiscais, os empréstimos entre o governo e bancos públicos e o que mais servisse para maquiar a contabilidade pública, cuja legalidade é hoje questionada pelo Tribunal de Contas da União e ameaça reprovar as contas do primeiro mandato de Dilma.

As mágicas eleitorais de Dilma

Editorial Estadão
O Estado de S.Paulo - 19/11/2013

A presidente Dilma Rousseff continua realizando mágicas em sua conta do Twitter. Em suas mensagens a economia brasileira vai muito bem, a inflação está na meta e as contas públicas estão em ordem. Nenhum problema é reconhecido, apesar da evidente piora das finanças federais, do baixo ritmo de crescimento, das avaliações negativas do mercado, do risco de rebaixamento na classificação de risco e da recente advertência de um de seus conselheiros informais, o ex-ministro Antonio Delfim Netto: sem uma clara promessa de melhora fiscal em 2014, o governo poderá ser forçado a enfrentar uma tempestade perfeita - um desastre causado pela rara confluência de vários fatores negativos. Um desses fatores, é fácil de imaginar, poderá ser um aperto no mercado financeiro ocasionado pela esperada mudança da política monetária americana.

Decreto obriga administração pública federal a usar estrutura própria de tecnologia da informação

Autor(es): Pedro Peduzzi
Agência Brasil - 05/11/2013


Brasília - Decreto publicado na edição de hoje (5) do Diário Oficial da União determina que os serviços de telecomunicações e de tecnologia da informação de órgãos ligados à administração pública federal direta, autárquica e fundacional ocorram por meio de redes e serviços fornecido por órgãos ou entidades da própria administração pública federal.

A iniciativa, que abrange também empresas públicas e sociedades de economia mista da União e subsidiárias, tem como objetivo evitar o acesso a informações estratégicas por terceiros. A medida entra em vigor em 120 dias, mas a partir de hoje, com a publicação do decreto, já está autorizada a dispensa de licitação desses serviços nas contratações que possam comprometer a segurança nacional.

Mais impostos, mais corruptos

Época - 04/11/2013

A prisão de quatro ex-funcionários da prefeitura de São Paulo, acusados de cobrar propinas durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD) — uma fraude cujos prejuízos foram estimados em R$ 500 milhões entre 2007 e 2012 não foi capaz de obscurecer uma notícia ainda mais estarrecedora na semana passada: a prefeitura, agora na gestão de Fernando Haddad (PT), aumentará em 52% o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) nos próximos quatro anos. Só para 2014, a expectativa é de um aumento de receita de R$ 1,2 bilhão. Até 2017, a arrecadação do município com IPTU chegará perto de R$ 10 bilhões. E cobrirá o rombo gerado nos cofres públicos pela suspensão do aumento na tarifa de ônibus, fruto das manifestações de junho.

No Brasil é assim: diante da dificuldade financeira, nenhum governante fala em cortar gastos ou aumentar a eficiência da gestão. O aumento de impostos tem sido a resposta-padrão, independentemente de partido ou matiz ideológico. Deriva daí nossa escandalosa e crescente carga tributária. Há quatro anos, o próprio Kassab comandara um aumento de 30% no IPTU das residências e de 45% nos imóveis comerciais. O aumento de Haddad não será distribuído por igual pelos bairros. De acordo com a prefeitura, áreas mais pobres, cujos imóveis foram menos valorizados, sofrerão aumentos menores. A lógica parece sob medida para agradar aos marxistas de botequim - mas segue à risca o manual dos capitalistas de gabinete. Bairros de classe média ou de classe alta, onde a sonegação é insignificante, sofrerão aumentos maiores, de modo a garantir uma arrecadação segura.

A decisão da prefeitura paulistana revela a dificuldade do brasileiro para entender como a tributação afeta a economia. Impostos não podem ser vistos como mecanismo de justiça social, como prega o discurso do PT. Eles são riqueza retirada da sociedade para arcar com os gastos públicos - parte justificável, mas grande parte descabida ou mesmo criminosa, como mostram os esquemas de corrupção. Para justificar tal alta, seria preciso haver um aumento correspondente na qualidade do serviço público. Haverá na gestão Haddad uma melhora de 52% na qualidade dos serviços custeados pelo IPTU, como asfalto, iluminação pública, controle de tráfego ou coleta de lixo? Ou veremos a prisão de novos acusados de participar de mais um esquema de corrupção?

Crê ou morre

Autor(es): J. R. Guzzo
Revista Veja

E se de repente, um dia desses, ficasse demonstrado por A + B que o grande problema do Brasil, acima de qualquer outro, é a burrice? Ninguém está aqui para ficar fazendo comentários alarmistas, prática que esta revista desaconselha formalmente a seus colaboradores, mas chega uma hora em que cenas realidades têm de ser discutidas cara a cara com os leitores, por mais desagradáveis que possam ser. É possível, perfeitamente. que estejamos diante de uma delas neste momento: achamos que a mãe de todos os males deste país é a boa e velha safadeza, que persegue cada brasileiro a partir do minuto em que sua certidão de nascimento é expedida pelo cartório de registro civil, e o acompanha até a entrega do atestado de óbito, mas a coisa pode ser bem pior que isso. Safadeza aleija, é claro, e sabemos perfeitamente quanto ela nos custa — basicamente, custa todo esse dinheiro que deveria estar sendo aplicado em nosso favor mas que acaba se transformando em fortunas privadas para os amigos do governo, ou é jogado no lixo por incompetência, preguiça e irresponsabilidade. Mas burrice mata, e para a morte, como também se sabe, não existe cura. Ela está presente pelos quatro cantos da vida nacional.

Um país que tem embargos infringentes, por exemplo, é um país burro — não pode existir vida inteligente num sistema em que, para cumprir a lei, é preciso admitir a possibilidade de processos que não acabam nunca. Também não há atividade cerebral mínima em sociedades que aceitam como fato normal trens que viajam a 2 quilômetros por hora, a exigência de firma reconhecida, o voto obrigatório e assim por diante. A variedade a ser tratada neste artigo é a burrice na vida política. Ela é especialmente malvada, pois age como um bloqueador para as funções vitais do organismo público — impede a melhora em qualquer coisa que precisa ser melhorada, e ajuda a piorar tudo o que pode ser piorado.

Brasil: Burocracia trava comércio exterior!

Autor(es): PAULO CARDOSO
Estadão - 28/10/2013

SÃO PAULO – Escondidas entre os inúmeros itens do chamado Custo Brasil, a demora e a complexidade na liberação da importação de insumos, máquinas e equipamentos para os setores produtivos ainda são pesadelos para investidores.

Procedimentos burocráticos desnecessários impedem a adesão de indústrias brasileiras a cadeias internacionais de valor e as “desintegram” do restante do mundo, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB).

Concursos: uma indústria com 12 milhões de clientes

O Estado de S. Paulo - 28/10/2013

Em um momento qualquer, pode-se encontrar cerca de 2.800 concursos em andamento em todo o País, em todos os níveis. Nem todos estão em aberto, mas há uma legião de candidatos - ou concursei-ros, no jargão do segmento - interessados em saber notas, avaliações, pontos e, o mais importante, se o seu nome está entre os que serão chamados para trabalhar. Todo ano, cerca de 12 milhões de estudantes passam por esse suspense.

O número aumenta a cada ano. O mercado cresce mais de 40% ao ano no Brasil. A previsão de empresas entidades do segmento é que até 2016 sejam abertas 400 mil vagas em concursos federais, estaduais e municipais. E as empresas do setor, congregadas pela Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (An-pac), tentam alcançar quanto mais interessados, agora com a ajuda da internet. Praticamente todos os cursos

Relatório do FMI sobre Brasil é "equivocado" e "incoerente", diz Mantega


"O Brasil continuou dando estímulos fiscais, mas outros países não deram. O que aconteceu? Os países europeus caíram numa recessão”

Brasília - O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que critica o aumento de gastos do governo brasileiro nos últimos anos está equivocado e é incoerente, disse nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a metodologia para avaliar a dívida bruta do país está errada, o que leva o organismo internacional a superestimar o impacto dos gastos sobre as contas públicas. Mantega questionou as ressalvas do FMI em relação à política fiscal brasileira.

Segundo o ministro, as reduções de impostos e os aumentos de gastos contribuíram para manter a atividade econômica em meio à crise internacional e o relatório contradiz recomendações do próprio FMI para combater a crise. “Em 2009, o FMI uniu-se a nós no G20 [grupo das 20 maiores economias do planeta] para enfrentar essa crise e recomendou que os países concedessem estímulos fiscais. Depois, houve uma recaída. O Brasil continuou dando estímulos fiscais, mas outros países não deram. O que aconteceu? Os países europeus caíram numa recessão”, disse Mantega.

“O FMI continuou reclamando, dizendo que os países exageraram no ajuste fiscal. Então me parece absolutamente incoerente o relatório”, afirmou. De acordo com o ministro, o relatório também não está alinhado com as recomendações do economista-chefe do próprio FMI, o francês Olivier Blanchard. “Acho que esse relatório foi feito por um escalão técnico que não está afinado com os principais instrumentos do Fundo Monetário. O economista-chefe deles é muito mais afinado com as ideias e os programas que fazemos aqui”, criticou Mantega. O ministro lembrou declarações de Blanchard, que disse considerar o Brasil um dos países emergentes mais resistentes à crise e superou melhor as turbulências externas, sem fuga de capital externo.

Divulgado nesta quarta-feira, o relatório do FMI critica a política fiscal praticada pelo Brasil. Segundo a publicação, o aumento de gastos tem levado à “erosão” das estruturas fiscais do país e fez o governo recorrer cada vez mais a receitas extraordinárias, como dividendos de estatais, e a manobras contábeis para alcançar a meta fiscal. O FMI apoia ainda o aumento dos juros básicos pelo Banco Central e reduziu de 4,25% para 3,5% a previsão de crescimento potencial do país – quanto o país consegue crescer anualmente sem provocar inflação.

Mantega citou ainda a emissão e a troca de US$ 3,2 bilhões de títulos do Tesouro Nacional no exterior, ocorrida nesta quarta-feira. Segundo ele, a demanda somou US$ 10 bilhões, o que indica que a confiança dos investidores internacionais em relação à economia brasileira continua elevada. “A operação [de emissão e de troca de títulos] bem-sucedida. Isso demonstra o grande interesse e a grande confiança que existem no Brasil porque tivemos um grande afluxo de investidores estrangeiros assim que oferecemos o papel”, comentou. O ministro, no entanto, não fez uma avaliação sobre o fato de os juros dos papéis terem alcançado os maiores níveis em mais três anos. As taxas de juros também servem como medida do grau de confiança em relação a um país.

Fonte: Brasil Econômico

Dilma anuncia sistema de e-mail antiespiões.

Dilma anuncia sistema de e-mail antiespionagem
Autor(es): Anne Warth
O Estado de S. Paulo - 14/10/2013

A presidente Dilma Rousseff disse ontem que o governo vai criar um sistema nacional de e-mail criptografado para evitar que autoridades nacionais sejam alvo de espionagem. A determinação foi dada ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda.

"Esta é a primeira medida para ampliar a privacidade e a inviolabilidade de mensagens oficiais", afirmou a presidente, em sua conta oficial no Twitter. "É preciso mais segurança nas mensagens para prevenir uma possível espionagem."

O sistema será desenvolvido pela Serpro em parceria com os Correios e terá uso obrigatório no governo. O Ministério das Comunicações deve começar a testá-lo ainda neste mês.

A Serpro e os Correios também estudam o lançamento de um serviço público e gratuito de e-mail seguro para a população.

Rodovias federais vão receber R$ 70 bi em investimentos em cinco anos, diz Coutinho

Autor(es): Akemi Nitahara
Agência Brasil - 22/08/2013

Rio de Janeiro – Nos próximos cinco anos, vão ser investidos R$ 70 bilhões para a melhoria e modernização das rodovias federais, disse hoje (22) o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Ele participou da 32º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex) e falou sobre infraestrutura e logística. Segundo ele, os R$ 70 bilhões são referentes apenas aos projetos federais. “O Brasil precisa ampliar muito. Este é o número que nós temos hoje no nosso radar, e não estão incluídos os investimentos dos estados, de maneira que eu acredito que o volume de investimento em rodovias nesses cinco anos será superior a esse montante”, disse.

O presidente do BNDES disse ainda que no dia 18 de setembro haverá o primeiro leilão para concessão das rodovias que serão duplicadas e que até o fim do ano serão leiloados cinco grupos de rodovias, três aeroportos, incluindo o Aeroporto Internacional Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim, terminais e novos portos. E no primeiro semestre do ano que vem começam os leilões das ferrovias.

Na avaliação de Luciano Coutinho, o modelo de concessão para a iniciativa privada é uma forma de concretizar os projetos, que serão financiados pelo banco. “O fato de que esses projetos estão entregue à inciativa privada é uma garantia de exequibilidade e de execução. A opção estratégica de que o desenvolvimento da logística seja capitaneada pelo setor privado foi feita com a perspectiva que, desta vez, esse ciclo de investimento será transformador e reestruturador dos fundamentos da nossa política de logística”.

Governo avalia novos cortes em tarifas de importação

Brasil
Autor(es): Sergio Leo
Valor Econômico - 05/08/2013

Após anunciar que não renovará a lista de cem produtos com tarifas de importação elevadas desde o ano passado, e informar que jogou no lixo a lista adicional de mais cem autorizada no Mercosul, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seus auxiliares pensam em retirar, da lista de Exceções da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), outros insumos industriais - cerca de 40 - que têm, no Brasil, tarifa acima da praticada por outros sócios do bloco. Estudos do governo mostram que essas medidas têm efeito limitado na inflação, mas ajudam a aumentar a competitividade da indústria.

"Não posso negar que a gente tem estudado [a retirada de insumos com tarifas mais altas da lista de exceções da TEC], mas não temos decisão final nem estudos completos ainda", confirmou para a coluna o secretário de Política Econômica, Márcio Holland. Segundo membros da equipe econômica, Mantega tinha expectativa de que a saída de insumos industriais das listas de aumento de tarifa tivesse impacto na taxa de inflação. Estudos disponíveis no Ministério do Desenvolvimento mostraram que não.

Dívida externa cresce

Autor(es): ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 03/08/2013 

A disparada do dólar bateu em cheio no caixa de empresas e bancos que, nos últimos anos, se empanturraram de dívidas no exterior. Com a moeda norte-americana rompendo o teto de R$ 2,30 — a maior cotação dos últimos quatro anos —, o total de débitos está em disparada. Na comparação entre junho deste ano, quando a fatura bateu em US$ 480,6 bilhões, com o mesmo período de 2002, houve um aumento de 15%. Em relação a dezembro de 2009, quando o mundo se debatia para sair do atoleiro da crise provocada pelo estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos, a elevação foi de 73%.

Para os analistas, apesar de ainda estar sob controle, a dívida externa preocupa. Em um quadro internacional mais adverso, com volume menor de recursos disponíveis aos países emergentes, o dólar poderá subir e haver complicações para as empresas mais endividadas. “Não à toa, os investidores estão vez mais pessimistas em relação à economia brasileira”, disse Clodoir Vieira, sócio da Consultoria empresarial Compliance. Ele contou que tem recebido relatórios de várias instituições financeiras indicando que o dólar chegará a R$ 2,40 ainda neste ano, principalmente se a economia dos Estados Unidos mantiver sinais mais fortes de melhora.

Brasil: Com atraso na infraestrutura, Brasil vai desperdiçar novo canal do Panamá


Autor(es): Dimmi Amora, de Brasília,
Folha de S.Paulo: 28/07/2013

Um novo caminho está se abrindo para o comércio exterior do Brasil com seus principais parceiros, os países asiáticos. Mas atrasos na infraestrutura de transportes local podem fazer o país perder, ao menos inicialmente, essa oportunidade.

Ao custo de R$ 11 bilhões, a ampliação do canal do Panamá vai quase dobrar a capacidade atual de transporte de carga da superlotada passagem na América Central, por onde trafega grande parte das mercadorias que cruzam o Atlântico e o Pacífico.

O novo canal pode reduzir custos do comércio exterior brasileiro. Mas isso só será concretizado se o país efetivar as obras em estradas e ferrovias que farão a ligação de regiões produtoras ao Norte do país –especialmente de grãos– com o Panamá.

SETORES DESONERADOS AINDA PERDEM PARA IMPORTADOS

DESONERAÇÃO DA FOLHA NÃO IMPEDE ALTA DE IMPORTAÇÃO
Valor Econômico - 22/07/2013

Até agora, a desoneração da folha de pagamentos e a alíquota adicional no Imposto de Importação não tiveram o efeito esperado sobre o comércio exterior brasileiro. Mesmo com os estímulos fiscais, que aumentam a competitividade da indústria instalada no país, a importação de mercadorias produzidas pelos setores beneficiados ganhou ainda mais peso na balança comercial do país.

O desembarque de itens favorecidos nos setores de couro e calçados, confecções, têxteis, móveis, plásticos, materiais elétricos, bens de capital e de transporte (autopeças, ônibus e naval) subiu, em média, 6% nos últimos 11 meses - quando a medida já estava em vigor - em relação ao período anterior. Esse aumento foi muito superior ao da média nacional de importações, de 0,2%.

A terapia do susto

Autor(es): NELSON MOTTA
O GLOBO - 12/07/2013

O governo é vítima de seu excesso de comunicação, contrastado fragorosamente pela realidade das ruas

Estamos vivendo dias de espanto, com Renan Calheiros se tornando o paladino das forças do bem, ávidas para atender prontamente as reivindicações populares, mesmo cortando na carne do Senado, e com o apoio de Sarney! Estamos dependendo da independência, da grandeza, da integridade e do espírito público do PMDB de Henrique Alves e Eduardo Cunha para evitar desastres armados pelos estrategistas do Planalto e apoiados pelo PT e o PCdoB, como o plebiscito de araque. Que fase!

Seguindo orientação de Lula, 25 governadores, 37 ministros, a base parlamentar aliada e os movimentos sociais foram recebidos pela presidente, filmados e fotografados, mas não falaram nada e nem foram consultados nas propostas e decisões do governo, só ouviram em silêncio, remoendo sua raiva, frustração e impotência. Os prefeitos pelo menos vaiaram.

Pela primeira vez na história deste país, prefeitos recebem dinheiro de um governo e vaiam. Mas todo mundo entendeu que eles não querem um jabá, mas negociar democraticamente a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios e depender menos do poder imperial de Brasília. Com o povo de suas cidades bufando nos seus cangotes, os prefeitos querem mostrar serviço, como nunca na história deste país.

Quando 81% dos brasileiros avaliam os políticos como “corruptos ou muito corruptos”, para conter sua voracidade, associada a empresários inescrupulosos e funcionários venais, são criados incontáveis mecanismos de controle, e de controle do controle, aumentando o poder da burocracia e atrasando os projetos e investimentos públicos. Criando mais dificuldades para vender novas facilidades, aumentam a corrupção. São mais mãos a serem molhadas, mas o custo é sempre repassado aos consumidores finais: nós.

Mas o presidente do PT atribui as dificuldades do governo a falhas de comunicação, como se o governo não gastasse mais de um bilhão de reais por ano em triunfais campanhas publicitárias de João Santana vendendo o Brasil Maravilha de Lula e Dilma. Pelo contrário, o governo é vítima de seu excesso de comunicação, contrastado fragorosamente pela realidade das ruas.

‘Mobilização das forças sindicais é diferente’ :: Miriam Leitão

RedacaoT1
A comentarista lembra que, entre as reivindicações, está a redução da jornada, que aumentaria o custo da indústria.
Foto: Reprodução
O Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou de 8% para 8,5% a taxa básica de juros da economia. Houve indicação de que vai haver outro reajuste, em um comunicado do BC logo depois que fala da continuação desse processo de mudança de política monetária para derrubar a inflação neste ano e no ano que vem.
Os economistas interpretaram como sendo uma indicação de que podem ser aprovados novos aumentos da taxa de juros.
Aconteceu exatamente o que o mercado tinha previsto. Ele estava em um consenso de 0,5% e aconteceu. A boa notícia é que há uma expectativa de fato de que a inflação reduza, mas não muito, nos próximos meses. E, quem sabe, chegue mais baixa nos últimos meses.

Reformas, nas mão dos corruptos

Autor(es):  Clóvis Rossi
FOLHA DE SP - 11/07

Pesquisa da Transparência Internacional mostra que, para 81% dos brasileiros, os partidos são corruptos

Quando era criança, ouvia seguidamente uma frase de minha avó, filha de italianos, quando as coisas não andavam bem:

"Piove, governo ladro", resmungava a afável dona Josefa.

Eu achava graça no fato de minha avó culpar o governo (leia-se, os políticos) supostamente ladrão até pela chuva.