Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

Mercado reduz projeção de crescimento da economia para 2,5% em 2019

Data de publicação:28/01/2019

Instituições financeiras, consultadas pelo Banco Central, reduziram a projeção para o crescimento da economia, neste ano e no próximo. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi ajustada de 2,53% para 2,50%, em 2019.

Para o próximo ano, a expectativa caiu de 2,60% para 2,50%. Em 2021 e 2022, a projeção segue em 2,50%. Essas são as previsões de instituições financeiras consultadas pelo BC todas as semanas sobre os principais indicadores econômicos. A inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar em 4% este ano.

De acordo com o mercado financeiro, a Selic deve encerrar 2019 em 7% ao ano e continuar a subir em 2020, encerrando o período em 8% ao ano, permanecendo nesse patamar em 2021 e 2022.

O Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic para conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar permanece em R$ 3,75 no final deste ano, e em R$ 3,78, no fim de 2020.

Fonte: Agência Brasil

Participação do mercado externo nas vendas da indústria manteve-se estável

A valorização do real frente ao dólar nos últimos dois anos levou a uma estabilidade da importância das exportações para a indústria brasileira. A participação das vendas externas no valor da produção da indústria ficou estável em 15,7% a preços constantes, no acumulado de julho de 2017 a junho de 2018, na comparação com todo o ano de 2017. No mesmo período, a participação dos importados no consumo brasileiro passou de 17,1% para 17,5%, a preços constantes. Os dados são do estudo Coeficientes de Abertura Comercial, divulgado nesta quarta-feira (12), pela Confederação Nacional da Indústria(CNI).

Além do coeficiente de exportação e do coeficiente de penetração de importações, o estudo, feito em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), traz ainda o coeficiente de insumos industriais importados e o coeficiente de exportações líquidas.

Desde o final de janeiro de 2018, o real iniciou movimento de desvalorização frente ao dólar, o que estimula as exportações e desestimula as importações, mas ainda é cedo para esse efeito se fazer presente nos coeficientes. Nesse sentido, a economista da CNI, Samantha Cunha prevê mudanças para os próximos meses: “O efeito do câmbio sobre as exportações e as importações tende a ser defasado, ele leva um tempo para aparecer. Então, até o final do ano, esperamos um aumento da competitividade das exportações brasileiras em razão da desvalorização do real que estamos observando desde o final de janeiro de 2018”.

O estudo alerta ainda que o cenário de maior instabilidade, tanto no plano externo, quanto no ambiente doméstico, gera incerteza sobre a receita e reduz o efeito positivo sobre as vendas externas.

“A política de juros norte-americana gera pressões sobre as moedas das economias emergentes, com destaque para a Argentina, um importante parceiro comercial do Brasil. No plano interno, incertezas ligadas principalmente ao quadro político contribuem para maior volatilidade cambial”, explica Samantha Cunha.

SETORES - No acumulado em 12 meses - até junho de 2018 -, o coeficiente de exportação da maioria dos setores da indústria de transformação apresentou redução ou estabilidade. As maiores quedas frente a 2017 foram nos setores de metalurgia, veículos automotores, farmoquímicos e farmacêuticos e alimentos.

O desempenho do setor de máquinas e equipamentos destoa do observado para o agregado da indústria: “O coeficiente de exportação do setor de máquinas e equipamentos mantém trajetória de crescimento desde 2015. Na comparação com 2013, ano de seu menor percentual desde o início da série em 2003, o indicador cresceu de 11,6% para 19,1% no acumulado em 12 meses (findo em junho de 2018)”, destaca o estudo.

O coeficiente de penetração das importações, que mede a participação dos produtos estrangeiros no consumo nacional, cresceu na maoria dos setores, especialmente em outros equipamentos de transporte (reboques, aviões, navios), produtos diversos (como brinquedos e jogos, bijuteria e similares), máquinas e equipamentos, vestuário e acessórios, farmoquímicos e farmacêuticos e produtos de metal. “Apenas dois dos 23 setores da indústria de transformação (coque, derivados do petróleo e biocombustíveis e Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos) registraram queda do coeficiente de penetração de importações”, informa o estudo.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria - CNI

Dólar se mantém abaixo de R$ 3,30

Data: 14/07/2016
Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF

A melhora da confiança no país e o ambiente externo, com mais liquidez, não tem deixado o dólar se valorizar em relação ao real. Ontem, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,275 para a venda, com queda de 0,71%. É o segundo recuo seguido, apesar das intervenções do Banco Central. Desde que Ilan Goldfajn assumiu o comando da atoridade monetária, foram realizados oito leilões de swap reverso - compra futura da moeda americana -, num total de US$ 4 bilhões.

"Os quadros interno e externo estão mais favoráveis para a valorização do real. O mundo está bastante expansionista com aumento da liquidez e a confirmação da saída do Reino Unido da União Europeia. O discurso do BC mais firme em defesa da meta de inflação sinaliza intervenções mais parcimoniosas e vem conquistando a credibilidade do mercado", explicou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria.

O presidente da Smiles, Leonel Andrade, acredita em a retomada da confiança tem feito o real se valorizar. A companhia anunciou ontem uma parceria com a norte-americana Rocketmiles, para o serviço de reservas em 400 mil hotéis no mundo inteiro. Para ele, o aumento das chances de confirmação do afastamento da presidente Dilma Rousseff do Poder, também ajuda nessa valorização da moeda brasileira.

Flutuação

Na avaliação do economista Bruno Lavieri, sócio da 4E Consultoria, o BC está realmente deixando o câmbio flutuar e aproveitando o momento para reduzir o estoque de swap. No entanto, ele vê com cautela essa retomada da confiança do mercado. "Essa contínua queda do dólar pode ser uma antecipação de expectativas otimistas para questão doméstica. Mas isso pode mudar se houver frustração dessas perspectivas e o dólar poderá encerrar em R$ 3,50 no fim do ano", disse.

Campos Neto também destacou que a recuperação ainda demanda tempo porque nem tudo é favorável. "A dívida pública deverá continuar crescendo até 2020 e a situação do dólar mais baixo deve durar até que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), anuncie alta nos juros, o que pode ocorrer até o fim deste ano ou início do ano que vem", completou. Pelas estimativas da Tendências, a divisa americana deverá encerrar em R$ 3,42 neste ano, e em R$ 3,53 no ano que vem.

Bovespa

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) teve ontem a sexta alta consecutiva e atingiu a maior pontuação em 2016, aos 54.598,28 pontos, com ganho de 0,63% no dia. Esse é o maior nível do indicador desde 25 de maio do ano passado (54.609 pontos). Com isso, a bolsa passa a acumular alta de 5,96% em julho e de 25,95% em 2016. O movimento de queda da manhã foi invertido depois da divulgação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed), indicando crescimento modesto na maior parte dos Estados Unidos e indicando que a alta dos juros não ocorrerá tão cedo.

Bolsa tem 5ª alta seguida, e dólar cai para R$ 3,298

Data: 13/07/2016
O GLOBO - RJ

-SÃO PAULO- A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a subir ontem, pelo quinto dia seguido, ajudada pela expectativa nos mercados internacionais de novos estímulos por parte dos banco centrais das principais economias. O Ibovespa, índice de referência do mercado, avançou 0,54%, aos 54.256 pontos.

A Bolsa ganha força desde o início de junho como resultado de projeções que apontam para uma maior liquidez nos mercados com a perspectiva de adoção de estímulos monetários na Europa e no Japão e de adiamento da alta de juros nos EUA.

- O noticiário está favorável e ajuda a recuperação dos mercados emergentes. Além do adiamento da elevação dos juros nos Estados Unidos, há a expectativa de incentivos por parte dos bancos centrais. O Brasil é beneficiado porque estava com uma perda maior - resumiu Raphael Figueredo, da Clear Corretora.

WHIRLPOOL DE SAÍDA DA BOVESPA

O anúncio de fechamento de capital pela fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, fez com que suas ações tivessem alta de 20,46% (PNs) e 28,04% (ONs).

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,36% ante o real, cotado a R$ 3,298, acompanhando uma desvalorização da moeda também em escala global.

Assim, a nova oferta de US$ 500 milhões em contratos de swap cambial reverso em leilão realizada pelo Banco Central, que têm efeito de compra de dólar no mercado futuro, não foi suficiente para deter a queda das cotações ontem. No ano, o dólar acumula desvalorização de 16,5% ante o real.

Câmbio. Dólar volta a subir após nova intervenção do BC

Data: 05/07/2016
METRO - SP

O dólar avançou 0,99%, a R$ 3,2649 na venda, após o Banco Central atuar para sustentar as cotações pela segunda sessão consecutiva. O pregão também foi marcado por baixo volume de negócios devido ao feriado do Dia da Independência nos EUA. "É um dia vazio e o que temos de novidade é o BC atuando. É natural que o dó- lar caminhe um pouco para cima", disse à Reuters o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

O BC vendeu ontem 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dó- lares, pela segunda sessão seguida. Até o leilão de sexta-feira, o BC não usava esse instrumento desde 18 de maio. Na sexta-feira, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, sinalizou que a instituição pode continuar atuando no mercado ao dizer que enxergava uma janela para reduzir sua exposição cambial.

A declaração contribuiu para impulsionar o dólar. Após a moeda fechar junho com uma queda de 11%, economistas consultados pelo BC diminuíram a previsão para a cotação do dólar no fim de 2016, de R$ 3,60 para R$ 3,46, segundo Boletim Focus divulgado ontem. Para 2017, a projeção caiu de R$ 3,80 para R$ 3,70. METRO

----

R$ 3,46 é a projeção dos economistas consultados pelo BC para a moeda americana ao final do ano, ante R$ 3,60 previstos anteriormente

Dólar cai 11% em junho e BC decide intervir

Data: 01/07/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP

As seguidas quedas do dólar levaram o Banco Central a anunciar uma intervenção no mercado cambial. Ontem, o dólar recuou 0,83%, cotado a R$ 3,2105. Em junho, a moeda americana desvalorizou 11%. Com a nova queda, o BC anunciou, após o fechamento do mercado, que lançaria mão hoje de um instrumento usado para conter a variação do câmbio, chamado de swap cambial reverso.

Essas operações equivalem à compra de dólares no mercado futuro e são utilizadas para evitar uma queda ainda maior da moeda americana. Elas servem para desmontar o estoque de outras operações feitas anteriormente pela autoridade monetária, os swaps tradicionais, utilizados pelo BC quando o objetivo é o oposto - evitar uma alta ainda maior da moeda americana.

O BC tem um estoque de US$ 62,135 bilhões em contratos tradicionais de swap cambial. A oferta do BC de apenas US$ 500 milhões nos contratos de swaps cambiais reversos não deverá trazer grandes impactos na cotação do dólar, segundo analistas, mas servirá para indicar vigilância sobre o mercado cambial. O BC não oferta swap cambial reverso desde 18 de maio, um dia após o dólar ter fechado a R$ 3,4895 no mercado à vista. O mercado ainda tenta identificar qual é o piso da cotação do dólar na gestão do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Durante a presidência de Alexandre Tombini, o patamar de R$ 3,50 era visto como um "gatilho" para o anúncio de leilões de swap cambial reverso. Para o operador José Carlos Amado, na Spinelli Corretora, o volume do leilão de hoje é pequeno, em linha com a "parcimônia" já indicada por Goldfajn. "Não acho que o mercado vai sair tomando dólar só porque teve anúncio de swap cambial reverso. Pode ser que, por ter caí- do muito, tenha uma alta, mas nada com muita sustentação", afirmou.

Na avaliação dele, um dos termômetros da abertura será o exterior, uma vez que na próxima segunda-feira será feriado nos EUA, o que pode gerar alguma volatilidade hoje. Em Nova York, o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Daniel Godinho, garantiu que o governo não tem recebido queixas sobre o atual patamar do dólar. Ele destacou que a taxa média deste ano é de R$ 3,71 até agora. Em 2015, ficou em R$ 3,34.

SILVANA ROCHA, LUCAS HIRATA E ALTAMIRO SILVA JUNIOR.

Apesar do Brexit, emergentes recebem US$ 16,7 bi em junho

Os países emergentes receberam US$ 16,7 bilhões de investidores internacionais em junho para investimentos em bolsa e renda fixa, segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo. A saída do Reino Unido da União Europeia, chamada de Brexit, teve impacto limitado nos fluxos para os emergentes: a retirada, na sexta-feira passada, dia marcado por nervosismo no mercado financeiro mundial, foi de US$ 210 milhões. Desde então, os fluxos têm se recuperado.

O IIF destaca que o número é muito menor que em outros episódios de estresse no mercado mundial. Em agosto de 2015, quando a China desvalorizou sua moeda, as saídas dos emergentes somaram US$ 2,7 bilhões. Para o IIF, um dos fatores que vêm ajudando a estimular os fluxos para os emergentes é o aumento da percepção de que o Federal Reserve vai adiar a alta de juros nos EUA.

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, EM NOVA YORK

Dólar cai para R$ 3,30, menor nível em quase um ano

Data: 29/06/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP

O dólar encerrou a sessão de ontem com queda de 2,57%, cotado a R$ 3,304. A moeda americana atingiu o menor valor desde 23 de julho de 2015 (R$ 3,291). A queda do dólar foi influenciada pela entrevista coletiva do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e pela melhora do cenário externo.

Na entrevista, Ilan prometeu reduzir mais a exposição do BC em swaps cambiais se encontrar uma janela de oportunidade para continuar diminuindo o estoque. Segundo ele, o BC poderá usar todas as ferramentas disponíveis, mas sempre com "parcimônia"e sem interferir no regime de câmbio flutuante.

Após a coletiva do presidente do BC, segundo o superintendente regional da SLW corretora, João Corrêa, houve um volume considerável de estrangeiros vendendo dólar no mercado futuro (desmonte de posição comprada).

"Hoje, porém, não consigo ver o BC usando leilão de swap reverso para apoiar uma alta do dólar, porque o controle da inflação parece ser prioridade e o dólar mais baixo pode ajudar na busca pela convergência dos preços ao centro da meta em 2017", disse Corrêa.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, apontou que as declarações de Ilan e apostura da autoridade monetária no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ontem, mostram que o BC aposta no câmbio e na estabilidade dos juros para reduzir a inflação. A tendência da inflação no curto prazo contaria com o dólar mais desvalorizado ante o real e com a Selic estável, ao menos, até a reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), indicou.

"A apreciação recente do real ante o dólar não é desconfortável para a atual diretoria do BC, coisa que na anterior era", disse Perfeito. "Além disso, a Selic em 1425% ao ano e as taxas reais de juros do Brasil em 8,27% ao ano implicam fluxo de liquidez ainda grande para o Brasil", afirmou.

Turismo. Na esteira do dólar comercial, odólar turismo também caiu nas casas de câmbio. Ontem, a moeda podia ser comprada ao redor dos R$ 3,50. Na corretora Cotação, o dólar em espécie, já com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), era comercializado a R$ 3,56; no cartão pré-pago, com taxa de IOF maior, saía a R$ 3,71. Na Confidence Câmbio, a moeda no cartão era vendida a R$ 3,68; já o dólar em espécie, a R$ 3,54.

E se o dólar for a R$ 3?

E se o dólar for a R$ 3?
Data: 29/06/2016 - CORREIO BRAZILIENSE - DF

Uma coisa ninguém pode negar: a chegada de Ilan Goldfajn à presidência do Banco Central fez a instituição subir de patamar. O duro discurso usado pelo economista para ressaltar a preocupação com a inflação não só mudou a direção das taxas de juros nos mercados futuros, como enterrou as dúvidas quanto ao compromisso da autoridade monetária em levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, até o fim de 2017. A definição de Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset Management, é perfeita: "Habemus BC".

Mas, como no mercado financeiro as coisas são fugazes, os analistas já trataram de levantar dúvidas sobre o que o BC fará se os preços do dólar continuarem desabando. A moeda norte-americana, que acumula baixa de quase 20% no ano, tem forte peso na inflação. Caso as cotações caiam para R$ 3,10 ou mesmo R$ 3 nas próximas três semanas, período que antecede a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), certamente a pressão por cortes na taxa básica de juros (Selic), de 14,25% ao ano, aumentará.

Ilan procurou fazer da sua primeira entrevista, justamente na divulgação do relatório de inflação, um marco, a fim de diferenciá-lo de seu antecessor, Alexandre Tombini. Mas, apesar das palavras fortes, deixou todas a portas abertas para a redução da Selic ainda neste ano. O BC acredita que, ao longo dos próximos meses, os especialistas vão começar a limpar de suas projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) o dólar mais alto e o risco Tombini. Com isso, as expectativas tenderão a migrar para níveis mais próximos ao centro da meta.

Será, porém, um processo lento. Por isso, a aposta, agora, segundo o economista João Pedro Ribeiro, da Nomura Securities, é de que os juros só comecem a cair a partir de outubro. Mas o corte será forte: começará com 0,5 ponto percentual, para 13,75%. O difícil será segurar até lá a tensão dos agentes econômicos, que pleiteiam notícias boas, sobretudo depois de o Senado confirmar, em agosto, o afastamento definitivo de Dilma Rousseff. O horizonte político ficará bem menos pesado.

Dominância fiscal

Na análise que fez a um pequeno grupo, Ilan destacou que os primeiros recados emitidos por ele atingiram o objetivo, principalmente por enterrar as especulações de que o BC poderia estender para 2018 a convergência da inflação para o centro da meta. Para ele, a autoridade monetária precisa ter domínio das expectativas do mercado, mas isso só será possível se não houver ruídos na comunicação. Isso vale, inclusive, para o dólar. O banco terá que ser muito transparente ao atuar no câmbio para evitar volatilidade. Não será uma tarefa fácil para uma instituição que precisa desmontar mais de US$ 60 bilhões em contratos de swap, espécie de venda futura da moeda norte-americana.

O presidente do BC também terá de calibrar o discurso com dois dos futuros diretores da instituição, Carlos Viana de Carvalho e Tiago Berriel. Eles ocuparão cadeiras importantes, a de Política Econômica e a de Política Monetária, respectivamente. Os investidores estão debruçados sobre tudo o que os dois já disseram e escreveram. Um tema predomina no discurso de ambos: a dominância fiscal, quando a política monetária perde a eficácia no combate à inflação, já que a carestia decorre da desestruturação das contas públicas.

Para assessores de Ilan, a discussão sobre dominância fiscal está superada. Na cabeça dos investidores, não. E isso motiva muitos deles a entenderem que Viana e Berriel podem ser favoráveis a uma queda mais rápida dos juros, uma vez que o controle da inflação depende muito mais do Ministério da Fazenda, a quem cabe tocar o ajuste fiscal, do que do BC. O mercado não economiza quando quer encontrar pelo em ovo. Portanto, todo cuidado é pouco. Cada passo de Ilan e de seus subordinados será monitorado com lupa. Uma vírgula fora do lugar já será motivo de estresse.

Tarifa bancária 50% mais cara

Data: 07/06/2016
Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF

As tarifas bancárias podem pesar mais de R$ 1 mil no bolso do consumidor por ano. Manter alguns pacotes está até 50,87% mais caro, de acordo com pesquisa feita pela Proteste Associação de Consumidores. No Banco do Brasil (BB), o custo da cesta Bom pra Todos Pleno passou de R$ 40,40 para R$ 60,96. Apesar de essa tarifa não aceitar novas adesões, os clientes antigos tiveram que arcar com reajuste mais alto do mercado. Procurado, o BB afirmou que monitora os movimentos do mercado para que suas tarifas estejam entre as mais competitivas.

Em junho, os clientes do Santander passaram a pagar 10% a mais no pacote Padronizado IV, mas há um plano que custa R$ 99 por mês, o que, em um ano, soma R$ 1.188. O Santander justificou que os reajustes acompanham a inflação em 12 meses. Na Caixa Econômica Federal, o pacote que mais subiu foi o Simples, com alta de 25,56%. Segundo o banco, o impacto foi por um maior custo de manutenção.

O Itaú-Unibanco teve reajuste de 12,34% no Multiconta. O banco explicou que busca manter a melhor relação custo-benefício para o cliente. No Bradesco, houve alta de 5,88% no plano Padronizado II. A instituição alegou que os ajustes buscam alinhar os valores aos custos operacionais envolvidos.

A coordenadora institucional da Associação, Maria Inês Dolci, ressaltou que, para não ter prejuízos, é preciso analisar as necessidades antes de optar pelo pacote com o menor preço. "É importante conferir os extratos mensalmente e ver quais serviços mais usa", esclareceu.

Se o cliente optar por contratar conta eletrônica, com uso restrito à internet e ao caixa eletrônico, fica isento de taxas. Segundo a Proteste, dentre os bancos avaliados, apenas o Banco do Brasil, Bradesco e Itaú têm essa modalidade de conta.

Os pacotes podem ser reajustados a cada seis meses, mas o banco é obrigado a avisar o cliente com, no mínimo, 30 dias de antecedência. Em nota, a Federação Brasileira de Bancos destacou que as tarifas são divulgadas pelo Banco Central e pelos bancos para facilitar a escolha do cliente.

País depende de produto importado para atender o consumo interno

Data: 06/06/2016
VALOR ECONÔMICO -SP
Jornalista(s): Domingos Zaparolli | Para o Valor, de São Paulo

Entre janeiro e abril, as receitas da indústria brasileira com exportações de alumínio e seus produtos foram 18,7% menores do que o registrado no mesmo período de 2015. Somaram US$ 356 milhões com o embarque de 164,4 mil toneladas. O recuo no valor das importações no período foi ainda mais significativo, 30%. Foram adquiridos no exterior 197,3 mil toneladas por U$ 458 milhões. Transações que geraram um déficit de US$ 102 milhões, uma queda de 52,8% quando comparado ao primeiro quadrimestre do ano passado. Em todo o ano de 2015, o déficit foi de US$ 567 milhões.

A balança comercial da cadeia produtiva do alumínio só é positiva devido às vendas ao exterior de bauxita e de alumina.

Milton Rego, presidente executivo da Associação Brasileira de Alumínio (Abal), avalia que o comércio exterior do setor terá em 2016 um desempenho muito parecido com o verificado no ano passado. "Projetamos um aumento de 2% nas exportações de bauxita e de 4% em alumina. O déficit em alumínio e seus produtos recuará, mas não de maneira significativa."

Retomada do crescimento pode ser mais forte e rápida que o previsto, diz Montero

Data: 16/05/2016
VALOR ECONÔMICO -SP
Denise Neumann | De São Paulo

A retomada do crescimento, assim como a queda dos juros, pode ser mais forte e rápida do que espera a média dos economistas, avalia Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullett Prebon. E a chave para esse cenário benigno está no quão crível for o ajuste fiscal desenhado e depois implementado pela equipe do novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Para o economista, discutir os "drivers" da demanda é mais relevante para a trajetória de juros que para o ritmo do crescimento. "O que definirá a velocidade da retomada, afora arrastos e defasagens, será a queda da inflação e, consequentemente, dos juros. Essa inflação pode demorar a cair seja porque há uma inércia resistente à ociosidade, ou porque a ociosidade não é exatamente como se vê", diz Montero, chamando a atenção para o fato destas serem duas visões distintas.

Ministro vai propor "nominalismo" para controlar despesas

Data: 16/05/2016
VALOR ECONÔMICO - SP
Ribamar Oliveira | Brasília

Em suas primeiras entrevistas como ministro da Fazenda, na sexta-feira, Henrique Meirelles anunciou que o governo vai trabalhar com um sistema de metas para as despesas públicas, que prevê limites nominais. Elas não poderão ter crescimento real. Assim, os gastos passarão a crescer igual ou menos que a inflação do período considerado.

Os economistas chamam esse sistema de "nominalismo", em uma referência ao fato de que o governo passará a trabalhar unicamente com valores nominais para as despesas. Meirelles não esclareceu por quanto tempo essa nova regra será utilizada, ou se os limites serão fixados por despesas específicas, ou para o gasto global. "Ainda não está definido como serão os limites, pois existem vários caminhos", observou o novo ministro.

Equipe da Fazenda será anunciada na 2ª-feira

Data: 14/05/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, adiou para segunda-feira o anúncio dos presidentes do Banco Central e dos bancos públicos, além de sua equipe no ministério. A expectativa era de que o anúncio fosse feito ontem, em sua primeira entrevista coletiva. Mas ele afirmou que precisará do fim de semana para bater o martelo em relação aos nomes dos secretários e executivos que serão escolhidos ou dos que vão se manter no cargo.

Apesar da insistência dos jornalistas, Meirelles se recusou a dizer o nome do presidente do BC, cargo que ocupou de 2003 a 2010, no governo do ex-presidente Lula. "Não vou dizer quem é e quem não é. E se não é o presidente Tombini?", disse, quando questionado se Alexandre Tombini deve permanecer até o início de junho, quando está marcada a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão que reúne a diretoria do BC para decidir o rumo da taxa básica de juros.

Meirelles deve anunciar hoje primeiras medidas

Data: 13/05/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP
Adriana Fernandes Murilo Rodrigues Alves Rachel Gamarski

O time que Henrique Meirelles formará no Ministério da Fazenda vai trazer de volta antigos integrantes da equipe econômica, como Tarcísio Godoy, que fez parte da gestão de Joaquim Levy, e Carlos Hamilton de Araújo, ex-diretor do Banco Central. Mas também vai incorporar novatos na função, como o economista Mansueto Almeida, um dos principais críticos da política econômica petista, e o consultor legislativo do Senado Marcos Mendes, que elaborou alguns dos estudos mais completos sobre as irregularidades das chamadas "pedaladas fiscais".

Assim ficaram conhecidas as manobras de postergação de pagamentos da União aos bancos públicos para bancar subsídios, uma das principais acusações contra a gestão da presidente afastada Dilma Rousseff.

Após ser empossado ontem, Meirelles foi direto para o Ministério da Fazenda. Nelson Barbosa já não estava mais lá - o secretário executivo Dyogo Oliveira fez a transição. Funcionário de carreira do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), Oliveira, um dos principais formuladores econômicos e também o principal negociador da dívida dos Estados na Fazenda, já havia assessorado Barbosa na secretaria executiva do Planejamento. Voltará à Pasta e ao antigo cargo, sob o comando do peemedebista Romero Jucá.

A interlocutores, Meirelles disse que ainda está definindo "as caixinhas do time". Funcionário de carreira do Tesouro Nacional, Godoy será o novo secretário executivo do Ministério da Fazenda, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Hamilton será o secretário de Política Econômica. Mendes, consultor legislativo do Senado, deverá ocupar uma assessoria especial e Jorge Rachid pode permanecer no comando da Receita Federal. Ontem, em breves declarações durante a posse, Meirelles confirmou que apresentará as novas medidas econômicas, mas não as detalhou. "Já começo a trabalhar hoje", desconversou.

Mercado. As escolhas de Meirelles, que foram sendo vazadas durante o dia, pareceram agradar ao mercado financeiro, refletindo-se em queda nas apostas para a taxa de juros. A Bolsa seguiu em alta durante todo o dia, com investidores dando um voto de confiança ao presidente em exercício Michel Temer.

Dyogo Oliveira, que compareceu à despedida de Dilma no Planalto, ao lado de Barbosa, afirmou que, agora, a tendência é que a relação com o Legislativo mude. "Declarações de parlamentares vão na linha de que agora o Congresso tem de dar mais apoio pra economia", disse. O primeiro passo será a aprovação do projeto de lei que alte- ra a meta fiscal para este ano.

Enquanto a nova equipe não toma posse, o Ministério da Fazenda passou o dia em compasso de espera, com os trabalhos "em marcha lenta", à espera do quarto ministro em dois anos.

Marcos Mendes, que comporá a equipe de Meirelles, tem largo conhecimento sobre política fiscal e foi um dos primeiros observadores críticos das manobras contábeis feitas pela equipe de Guido Mantega na Fazenda. Ultimamente tem trabalhado em propostas que tratam do relacionamento do Tesouro com o Banco Central e sobre as operações compromissadas de administração da liquidez do mercado financeiro.

Já Mansueto é um dos maiores críticos do agigantamento do BNDES e da política de crédito baseada na criação dos chamados "campeões nacionais", como chegaram a ser denominadas as empresas que cresceram exponencialmente nos últimos anos.

Pacote para crescimento

Data: 12/05/2016
CORREIO BRAZILIENSE - DF
PAULO SILVA PINTO / ANTONIO TEMÓTEO

Com o afastamento da presidente Dilma Rousseff sacramentado pelo Senado, o vice-presidente Michel Temer, que assume o governo, deve anunciar hoje seu projeto de governo, com a promessa de tirar o Brasil da recessão, reduzir o desemprego e abrir um diálogo nacional como antídotos contras as crises política e econômica. A perspectiva é de que, na sexta-feira, já empossado no Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles lance um pacote de medidas para resgatar a confiança dos agentes econômicos. A prioridade será o ajuste fiscal, a base de todos os problemas que levaram à derrocada da petista.

Para compensar o arrocho que levará a corte de gastos e ao enxugamento da máquina pública, de forma a garantir que, ao longo do tempo, o país voltará a produzir superávits primários para estabilizar a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), Temer botará nas ruas um programa de concessões, de privatizações e de parcerias público-privadas (PPPs) com uma marca tão forte quanto à do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Empresas brasileiras renegociam US$ 24 bilhões em dívidas no exterior

Data: 10/05/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP
Cynthia Decloedt

As empresas brasileiras estão renegociando mais de US$ 24 bilhões em dívidas com bônus emitidos no exterior. É o maior volume de reestruturação de débitos de empresas em um só país, e corresponde a mais de 10% do total de US$ 224 bilhões de bônus de companhias brasileiras em circulação no mercado (excluindo bancos), segundo a Dealogic, que compila dados sobre a atividade de mercado de capitais, finanças estruturadas, project finance e empréstimos.

Como demolir as muralhas dos juros no Brasil?

Data: 01/05/2016
ÉPOCA

No 9º andar de um edifício na Avenida Faria Lima, em São Paulo, uma das artérias do mercado financeiro nacional, o empreendedor Marcelo Ciampolini respondia a uma sabatina feita por advogados de um banco. A reunião havia sido convocada pelo presidente da instituição. Ciampolini penava para explicar aos advogados que o negócio que propunha, baseado em empréstimos para pessoas físicas, tinha de ser 100% digital. "Se entrar papel no meio, vocês vão enterrar o negócio aqui", afirmou.

Outro encontro, em outra cidade, com configuração semelhante: os empreendedores Jorge Vargas Neto e Paulo David sentaram-se numa sala na sede do Banco Central (BC), em Brasília, com dez representantes do órgão regulador do setor bancário. Vargas Neto e David tentaram, durante quatro horas, convencer os executivos e técnicos da segurança do negócio que criavam. A empresa nascente atuava no peer to peer lending - empréstimos entre iguais, numa tradução livre. E queria que um cidadão, para criar um negócio próprio, pudesse contratar um empréstimo online sem pisar numa agência bancária nem assinar folhas de papel. Ah, sim: pagando juros mais baixos e sem correr o risco de fraude. Diante do ceticismo dos interlocutores, Vargas Neto recorreu a uma comparação: sua empresa faria com empréstimos o que o Airbnb faz com imóveis. Quem tem oferece e quem precisa usa, sem complicação, mas com supervisão. O empreendedor saiu da reunião com a impressão de que uma executiva do BC havia gostado da metáfora. Ela é útil mesmo.

As duas pequenas empresas cujos negócios foram apresentados nas reuniões descritas acima - a Lendico, na sede do banco BMG, em São Paulo, em 2014, e a Biva, na sede do BC, em Brasília, em 2015 - são exemplos de um tipo de negócio ousado. Elas se propõem a usar software e inteligência para tornar mais eficiente um mercado antiquado, o de empréstimos. Outras a entrar nesse nicho são Bankfacil, Geru, Intoo e Urbe.me. Todas querem fazer, no segmento financeiro, o que o Airbnb faz com hospedagem e o Uber com transporte urbano. E a missão à qual se propõem é de alto interesse social.

Na semana passada, o BC manteve a taxa básica de juros em 14,25%, o nível mais alto em dez anos. O país tem juros reais superiores a 4% ao ano, os mais altos do mundo. Outros países com problemas e com juros reais considerados altíssimos para o padrão global ficam bem atrás, como China (2%) e Rússia (3,5%), segundo o site de finanças MoneYou. A muralha de juros bloqueia boa parte da atividade econômica no país - ela incentiva quem tem dinheiro a apenas emprestar, em vez de tentar criar ou apoiar negócios produtivos. Incentiva o empréstimo de curto prazo, em detrimento daquele que mira longe. E dificulta a obtenção de empréstimo por parte de quem precisa.

Dependendo de quem tenta explicar a existência da muralha, surgem diversos motivos - o baixo nível de concorrência entre os bancos, a falta de poupança no país, a inflação cronicamente elevada, a forte cobrança de tributos e de recolhimentos compulsórios que o governo impõe aos bancos e por aí vai. Um outro motivo, sempre lembrado, é a inadimplência. Ela tem a ver com lacunas de informação por parte de quem empresta dinheiro. Quando acredita ser difícil distinguir os bons dos maus pagadores, o emprestador se protege cobrando taxas altíssimas de todo mundo. Aí entra a inteligência das pequenas empresas de tecnologia. "O principal ativo dessas empresas é ter uma boa estrutura para determinar o perfil do cliente. Um bom pagador vale mais que vários pagadores duvidosos, mas identificar esse bom pagador é difícil", diz Alexandre Pacheco, coordenador do Laboratório de Empresas Nascentes de Tecnologia da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas.

Para voltar aos casos aí de cima: a Lendico nasceu na Alemanha e foi trazida ao Brasil por Ciampolini. Ela funciona como um correspondente bancário do BMG. O dinheiro vem do banco. A parceira menor avalia o perfil de quem pede o crédito e o risco de inadimplência, define a taxa e faz o empréstimo. O BMG paga à parceira uma comissão a cada recebimento. A aproximação entre os dois parceiros não foi simples. A Lendico havia impressionado o presidente do BMG à época, Antônio Hermann, e ele fez as negociações começar. Vários de seus executivos hesitavam diante da novidade, e Ciampolini usava a cartada que tinha à mão: "Olha, você vai barrar isso mesmo? Quem me deu aval para estar aqui foi seu chefe". Mais de 55% dos clientes usam a Lendico para levantar recursos e pagar dívidas mais caras - ou seja, encontram no sistema taxas mais baratas do que aquelas com que deparam no mercado. A análise é muito rigorosa. A empresa recebeu, até abril, mais de 270 mil pedidos de empréstimos. Para manter a promessa de inadimplência baixa (atualmente em 1,5%), vem aprovando cerca de um a cada 180 pedidos. A taxa de juros média hoje é de 3,4% ao mês, metade da média em alguns bancos grandes.

A Biva, a empresa da reunião no BC, tem foco mais fechado: atende aqueles que têm ou querem abrir um negócio próprio. "Se você é empreendedor, em vez de solicitar crédito em um banco, você pede a pessoas dispostas a investir em seu negócio", diz Vargas Neto. A startup identifica o pedinte de crédito por meio de CPF, pendências com a Receita Federal, endereço de IP da máquina de onde parte o pedido e o rastro de uso de internet banking e redes sociais. Um em cada 20 pedidos de crédito é atendido. A taxa de inadimplência é de 4,5%, não muito baixa, porque os clientes microempresários sofrem com a atual crise. O perfil típico de cliente é o empreendedor que não tem acesso ao crédito como pessoa jurídica e recorre a linhas de empréstimo para pessoa física, mais caras. "Estamos construindo um mercado com essa camada de empreendedores que não têm acesso ao crédito bancário", diz Vargas Neto. A Biva se inspirou em startups que funcionam em dezenas de países, como Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, China e índia. A diferença é que a maior parte desses países permite que a transação ocorra sem passar por uma instituição financeira. No Brasil, alguma instituição financeira de crédito tem de assumir a responsabilidade pelas transações. No caso da Biva, a principal é a financeira Socinal, com sede no Rio de Janeiro. O modelo de empréstimos entre iguais já produziu até empresas bilionárias: a Lending Club, que opera nos Estados Unidos, alcançou em 2015 um valor de mercado estimado em US$ 8,5 bilhões.

Biva e Lendico fazem parte de um universo de startups apelidado de fintecs - empresinhas que unem finanças e tecnologia. Fazem parte desse universo desde aplicativos de organização financeira até novos sistemas de pagamento. No Brasil, por causa dos juros altos e da histórica dificuldade para poupar e investir, suspeita-se da existência de uma mina de ouro no meio de campo em setores específicos, entre quem tem dinheiro a oferecer (como investimento) e quem quer empréstimo. Uma pioneira no segmento é a Urbe.me, de Porto Alegre, do administrador Paulo Deitos e do arquiteto Lucas Obino. Trata-se de um site de financiamento coletivo para o setor imobiliário. A construtora apresenta o projeto, os interessados investem em conjunto. Uma construtora pequena paga, no sistema, taxas correspondentes a cerca da metade do que encontra nos bancos.

Vale a pena observar a novidade. Essas microempresas inovadoras estão entre aqueles poucos setores que sofrem com a crise, mas também se destacam por causa dela. Ainda por cima, ajudam a abrir rachaduras na muralha dos juros altos no Brasil.

Brasil é risco para a América Latina, avalia FMI

Logo do FMI em prédio em Washington, dia 18/04/2013

Washington - O Brasil em crise é um fator de risco para a América Latina, segundo avaliação divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

A região é vulnerável a um crescimento chinês menor que o previsto, a novas baixas dos preços das commodities "e a uma deterioração ainda maior da situação do Brasil", comentou o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner.

O menor dinamismo da China afeta os países mais dependentes da exportação de matérias-primas. Apesar disso, o desempenho dessas economias é geralmente melhor que o da brasileira.

Além de travar o crescimento na vizinhança, o maior país sul-americano continua prejudicando os números globais da região.

Sem Brasil, Argentina, Equador e Venezuela, o Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul teria crescido 2,9% no ano passado e poderia crescer 2,6% neste ano. As estatísticas ficam bem mais feias com a inclusão dos quatro países, com resultado negativo de 1,4% em 2015 e perspectiva de contração de 2% em 2016.

O contraste é também visível em outros detalhes.

O cenário mundial piorou desde janeiro e as previsões para a América Latina também se reduziram. Mas a maior parte dos latino-americanos continua em crescimento, embora mais moderado.

Com crescimento previsto de 2,4%, o México, juntamente com os países da América Central, acompanha a recuperação dos Estados Unidos.

Na América do Sul, a maioria dos exportadores de commodities tem conseguido se ajustar à nova situação.

No Chile e no Peru, houve folga suficiente para políticas contracíclicas e as taxas de expansão projetadas para cada um são 1,5% e 3,7%.

Na Colômbia, foi necessário um aperto para ajustar as contas externas, mas a expansão se mantém e está estimada em 2,5%. Todos esses países foram afetados pela mudança das condições externas, com redução dos preços de seus produtos de exportação.

Nas economias em recessão, no entanto, a contração se explica, principalmente, por fatores internos, segundo Alejandro Werner. Mesmo entre esses países há diferenças importantes e também nesse quadro o Brasil aparece mal.

Empenhado em eliminar os desarranjos produzidos no tempo dos Kirchners, o novo governo argentino mudou o rumo da política. Entendeu-se com os credores ainda fora dos acordos de pagamentos (os holdouts), removeu controles do câmbio, eliminou impostos sobre as exportações, aumentou tarifas e começou a corrigir preços distorcidos.

O PIB deve diminuir 1% neste ano e crescer 2,8% em 2017, retomando a trajetória de alta.

O Equador, com retração prevista de 4,5%, sofre os efeitos da depreciação do petróleo e da valorização do dólar. Como sua economia é dolarizada, exportações encarecem e, ao mesmo tempo, as importações ficam mais baratas.

O ajuste envolverá um maior aperto fiscal e isso prolongará a recessão iniciada no ano passado. Para 2016, está estimada um contração de 4,5%.

A Venezuela continuará em recessão profunda. O PIB diminuiu 5,7% no ano passado, deve diminuir mais 8% neste ano e poderá encolher mais 4,5% em 2017

. A baixa do preço do petróleo certamente afetou o país, mas foi apenas mais um problema já cheio de dificuldades.

Não se cuidou das distorções políticas nem dos desajustes fiscais, como se lembra no relatório de Alejandro Werner. A inflação deve ultrapassar 700%, "alimentada pelo dinheiro emitido para cobrir o déficit fiscal, por um aumento na taxa de câmbio paralela e pela escassez de produtos básicos".

'Desacertos'

O maior membro do clube é o Brasil, metido em "uma das mais fundas recessões de sua história". Segundo o texto, a contração é "causada por uma combinação de desacertos nas políticas, fragilidades macroeconômicas e problemas políticos".

A deterioração das contas públicas e o aumento da dívida "influíram fortemente no colapso da confiança no País", acrescenta o relatório. "As perspectivas começarão a ser mais promissoras somente quando essas incertezas forem resolvidas e as questões fiscais forem abordadas", completou Werner.

Como outros funcionários do FMI, o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental evitou discutir em detalhe as formas de eliminação das incertezas e de recomposição da confiança.

O economista Krishna Srinivasan, da equipe de Alejandro Werner, teve o mesmo cuidado. Negou-se a falar sobre a política interna do Brasil, mas indicou sumariamente, respondendo a uma pergunta, a agenda recomendável para quem estiver no governo depois de resolvida a crise atual. É a mesma de antes - cuidar dos ajustes, promover reformas e investir na infraestrutura.

Enquanto isso, em Brasília, deputados permaneciam no Congresso Nacional, fato raro numa sexta-feira, discutindo um processo de impedimento baseado em alguns daqueles "desacertos" - as pedaladas fiscais atribuídas à presidente da República. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Sem ação do BC, dólar recua a R$ 3,549

Data: 26/04/2016
O GLOBO - RJ

Em sessão sem intervenção do Banco Central ( BC), o dólar encerrou ontem em baixa de 0,64%, cotado a R$ 3,549 para venda. Nas últimas semanas, a autoridade monetária vinha comprando dólares no mercado futuro para evitar desvalorização intensa da moeda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo ( Bovespa) registrou queda de 1,98% em seu principal índice, o Ibovespa, aos 51.861 pontos. Foi a maior queda da Bolsa em três semanas, resultado da realização de lucros dos investidores e do desempenho dos mercados externos, em pregão de aversão a risco e recuo de commodities.

- Os investidores estão tentando forçar a moeda até o terreno de R$ 3,50 para ver se o BC voltará a comprar a divisa no mercado futuro - disse Alfredo Sequeira Filho, da DNA Invest.

Segundo analistas, também contribuiu para a queda da Bolsa a avaliação de que segue incerta a composição do eventual governo Michel Temer.

- Há alguma incerteza sobre como vai se dar o provável processo de troca de governo. Ainda é cedo para tirar conclusões. E o fato é que, depois de uma euforia motivada pelo quadro político, o cenário externo voltou a ser o foco hoje - disse João Pedro Brugger, da Leme Investimento.

VALE PUXA QUEDA Entre as ações, a Petrobras ON recuou 4,19% ( R$ 12,36), e a PN teve baixa de 4,31% ( R$ 9,33). Segundo analistas, parte da desvalorização se dá por causa da queda de 0,8% do preço do petróleo, cujo barril do tipo Brent valia US$ 44,75 no encerramento do pregão da Bovespa. A commodity recuou do maior patamar em cinco meses com sinais de aumento da oferta do produto.

Mas a Vale foi a maior razão para a queda do Ibovespa, com seu papel ON registrando baixa de 6,57% ( R$ 18,06), e o PNA, de 7,51% ( R$ 14,16). A companhia reagiu à queda do minério de ferro nos últimos dias e à realização de lucros dos seus acionistas, depois de a mineradora ter acumulado valorização de 35% no mês até a sexta passada diante de sinais de melhora da economia chinesa.

No setor bancário, o Banco do Brasil ON caiu 2,21% ( R$ 20,80), e o Bradesco PN teve retração de 2,31% ( R$ 24,96). O Itaú Unibanco PN recuou 0,88% ( R$ 31,40), enquanto a ação do Santander teve queda de 0,41% ( R$ 17,21).

Na ponta contrária, a Oi ON disparou 9,76% ( R$ 0,90) depois que a companhia anunciou acordo de confidencialidade para que a Moelis & Company toque a reestruturação de sua dívida.

Os juros futuros recuram com os investidores avaliando as notícias de que Henrique Meirelles está sendo sondado para o ministério de um possível governo Temer - os dois se reuniram no fim de semana - e com a queda das expectativas de inflação registrada na pesquisa Focus. O contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2017 caiu de 13,52% ao ano para 13,48%; o com prazo em 2021 recuou de 12,9% para 12,75% ao ano.

Em Wall Street, o índice Dow Jones registrou queda de 0,15%, e o S& P 500, 0,18%.

Não existe cura milagrosa para o Brasil, diz IIF

Data: 20/04/2016
O ESTADO DE S. PAULO - SP
Altamiro Silva Júnior

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Não há uma cura milagrosa para os problemas econômicos e políticos do Brasil, afirma o Instituto Internacional de Finanças (IIF), com sede em Washington, ao comentar o avanço do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O IIF avalia que o mercado brasileiro pode estar eufórico demais sobre o cenário pós-impeachment. Os preços dos ativos já embutem em grande parte a saída da presidente Dilma do Planalto, destaca o relatório. "Acreditamos que a euforia do mercado está superestimando a capacidade política de um potencial governo liderado pelo PMDB para colocar em prática um ajuste fiscal coerente e confiável", afirma o economista do IIF, Ramón Aracena. "Estamos céticos de que a administração liderada pelo PMDB entregue as reformas fiscais necessárias para mudar o jogo e restabelecer a confiança."

Só uma reforma fiscal confiável, capaz de fazer a relação entre a dívida bruta e o Produto Interno Bruto (PIB), indicador de solvência de um país, parar de subir, é que ajudaria a recuperar a confiança de investidores estrangeiros e domésticos, abrindo as portas para a volta do crescimento econômico, afirma o IIF. A relação dívida/PIB do Brasil superou os 70% e está em trajetória de alta, e o déficit nominal ultrapassou os 10%.

O IIF acredita que se Temer chegar ao poder, ele deve de fato buscar melhorar a confiança de investidores e consumidores adotando medidas mais amigáveis ao mercado e buscando um ajuste fiscal. Mas essa intenção deve encontrar obstáculos significativos, afirma Aracena.

Um desses obstáculos é a Lava Jato, que pode atingir mais membros do PMDB, incluindo Temer, e aliados do partido. Esse movimento diminuiria a legitimidade do governo e a capacidade para reação. Além disso, esse risco pode complicar a intenção de Temer de trazer pessoas de elevado conhecimento técnico e de renome para Brasília, sobretudo para a equipe econômica.

Transição. Além da Lava Jato, o IIF destaca que a transição de governo entre Dilma e Temer não deve ser suave. Um governo do peemedebista vai começar com o ambiente político carregado no Brasil, o que dificultará a aprovação de qualquer reforma que precise de emendas na Constituição, como aquelas necessárias para reduzir a rigidez do orçamento público, por conta dos gastos vinculados.

Outro risco é do aumento de tensões sociais promovido por sindicatos em meio à medidas impopulares de ajuste fiscal e de uma oposição barulhenta do PT.