Juros caem na BM&F e dólar avança

Autor(es): Por João José Oliveira e Eduardo Campos | De São Paulo
Valor Econômico - 03/08/2012



Os juros negociados nos mercados futuros recuaram pela quarta sessão seguida, pressionados pela frustração dos investidores com a inércia do Banco Central Europeu (BCE) e pelo ritmo lento da retomada da atividade doméstica. O contrato com vencimento em janeiro de 2014 (DI janeiro/2014), de maior giro, recuou para 7,73% ante 7,76% após ajuste. O volume de negócios foi 40% abaixo da média deste ano, reflexo da cautela dos agentes financeiros.
No cenário externo, as incertezas relacionadas às economias europeias permaneceram depois que o BCE encerrou o encontro de política monetária sem lançar nenhuma nova medida. Os operadores procuraram então no ambiente doméstico sinais que permitissem antecipar mais claramente o próximo passo do Banco Central (BC). Mas os últimos indicadores mantiveram a avaliação de que a economia brasileira ainda patina.
Em relatório enviado a clientes, o Itaú Unibanco destacou que "os dados [da produção industrial divulgados pelo IBGE ontem]
reforçam que a retomada da economia no segundo trimestre ocorreu de forma bastante gradual e elevam a chance de crescimento no segundo trimestre abaixo da estimativa de 0,6%".
A FGV divulgou o dado de Confiança no Comércio, que caiu 3,4% em julho ante o mesmo mês do ano passado. E o indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor apontou queda de 0,1% em junho. Para a empresa, crescimento mais vigoroso do crédito só em 2013.
A combinação de ambiente externo pessimista com a lenta retomada local reforçou apostas de que o Banco Central vai prolongar o afrouxamento monetário. Ganhou espaço a estimativa de Selic de 7% este ano ante os 8% atuais.
O Tesouro colocou R$ 1,53 bilhão em Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixadas), distribuídas em 1,9 milhão de títulos com prazos de 14, 23 e 41 meses. As taxas subiram em todas os vencimentos. Nos papéis mais curtos, a taxa de corte subiu de 7,2980% apurada no leilão de 26 de julho para 7,55%.
O mercado de câmbio teve um pregão de baixo volume de negócios e limitada oscilação de preços. O dólar comercial repetiu o sinal externo, mas apenas recuperou a queda de quarta-feira, ao subir 0,24%, para R$ 2,05.
Segundo um economista, o uso do poder normativo para segurar os preços do dólar ante o real, afasta o mercado do regime de câmbio flutuante e tem inibido as transações. Se a conduta do governo fosse de atuações dentro das "regras do mercado", o especialista acredita que o real certamente estaria mais apreciado. Mas como a autoridade monetária apelou para mudanças tempestivas de postura, cada vez menos gente quer se aventurar, avalia o especialista.

Indústria vai à Justiça para liberar mercadorias retidas pelas greves

Autor(es): Por Rodrigo Pedroso, Fernanda Pires*, Rodrigo Polito e Francisco Góes | De São Paulo, Santos e do Rio
Valor Econômico - 03/08/2012


A operação-padrão de fiscais da Receita Federal e a greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão afetando o escoamento de mercadorias nos portos e levaram setores e federações da indústria à Justiça. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) entrou ontem na Justiça Federal com mandado de segurança contra a Anvisa para liberar toda a carga retida pela autarquia em portos, aeroportos e entrepostos comerciais fiscalizados pela agência. Medida semelhante havia sido tomada quarta-feira pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).

Em Santos, principal porto do país, a operação-padrão da Receita provocou um acúmulo de cargas paradas, especialmente de contêineres. O Valor apurou que alguns terminais estão com baixa capacidade para receber novos lotes. Num deles, a folga nos pátios é de apenas 20%. "O ideal é que essa margem esteja em 60%", afirmou a fonte. Os fiscais só estão desembaraçando as cargas em dois dias da semana: segundas e sextas-feiras. Conforme outra fonte, um terminal, que liberava 7.500 processos por mês, já registrou redução de 648 processos. Cada processo diz respeito a um lote de contêineres, cujo volume varia.

O inspetor-chefe da alfândega em Santos, Cleiton Alves dos Santos João Simões, confirmou que os desembaraços estão ocorrendo apenas em dois dias, mas afirmou que nos demais os servidores estão trabalhando em serviços internos.

Em outro terminal de carga geral, o impacto ainda não foi tão brusco como em greves passadas de servidores da Receita. "Aparentemente a operação-padrão não atingiu o sistema de parametrização [que define o canal em que a carga cai]. Tradicionalmente temos 70% dos clientes em canal verde. Os 30% restantes têm levado o dobro de tempo para liberação", contou a fonte. De acordo com o inspetor da Receita, "as mercadorias perecíveis, entre outras, são liberadas com prioridade. Quanto às demais, está sendo seguida a normatização pertinente".

Ontem, a Justiça deferiu pedido do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) determinando que a Anvisa em Santos adote todas as medidas necessárias para garantir a continuidade de serviços públicos prestados, independentemente do estado de greve. O diretor-executivo da Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar), André Zanin, disse que a Anvisa já vinha cumprindo a emissão de livre-prática (autorização para o navio entrar no porto) em Santos. Mas espera que agora haja mais celeridade. Ontem, 83 navios aguardavam para entrar no porto de Santos e 41 estavam atracados.

Em Santa Catarina, a Fiesc espera que o pedido de mandado de segurança seja julgado ainda hoje. A entidade reclama principalmente da demora no desembaraço de produtos ligados à saúde. Os outros setores, segundo o presidente Glauco José Côrte, se queixam mais do atraso na liberação das importações em função da operação-padrão da Receita no porto de Itajaí. "Eles estão liberando cada hora um contêiner para uma empresa. O que está ficando crítico é o espaço no porto, já que as áreas onde ficam as mercadorias, estão praticamente no limite."

Depois de entrar com mandado de segurança em São Paulo, a Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS) vai entrar na Justiça em mais cinco Estados hoje. O pedido de liminar será para garantir que os funcionários da Anvisa atendam aos pedidos de liberação de mercadorias do setor.

De acordo com Carlos Eduardo Gouvêa, presidente da associação, os empresários que importam produtos para a realização de diagnósticos e reagentes químicos usados em bancos de sangue são os mais prejudicados. As maiores dificuldades para o desembarque estão sendo encontradas em portos e aeroportos de Santa Catarina, Paraná, Rio, Minas e Espírito Santo, além de São Paulo. Segundo ele, as empresas trabalham, em média, com um estoque de um mês, que está em um nível baixo. "O setor de saúde está preocupado. Pensávamos que fosse ser uma greve de alerta, mas está ganhando força a cada semana", diz.

João Maria Medeiros, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências), disse que está sendo mantida "a liberação de produtos excepcionais, principalmente os ligados à saúde, ou aqueles que possuem mandados." Segundo Medeiros, 70% dos servidores das agência reguladoras estão com os braços cruzados.

No Rio, a medida foi impetrada pelo Centro Industrial do Rio de Janeiro (Cirj), ligado ao sistema Firjan e que reúne cerca de 4 mil empresas industriais e comerciais. Caso a Justiça acate o pedido da entidade, a Anvisa será obrigada a liberar toda a carga referente a essas empresas. A Firjan não sabe estimar qual o volume de carga total retido no porto do Rio de Janeiro. Segundo a entidade, porém, a principal reclamação é feita pelo setor farmacêutico. (*Para o Valor, de Santos)

Dilma já aceita renovar contratos de terminais

Autor(es): Por Daniel Rittner | De Brasília
Valor Econômico - 03/08/2012


A presidente Dilma Rousseff já aceita renovar uma parte dos contratos de terminais portuários arrendados à iniciativa privada antes da Lei 8.630/93 (a Lei dos Portos). Essa disposição marca uma reviravolta no tratamento do assunto. Nos últimos meses, o governo vinha deixando clara a intenção de relicitar 98 terminais, que correspondem a 54% de toda a carga movimentada nos portos do país. Os contratos já venceram ou estão por vencer. Agora, a tendência é renová-los, por um prazo de até 25 anos.

A rigor, o governo trata esse mecanismo como uma "adaptação" dos contratos à Lei dos Portos. Para dar mais tempo aos operadores atuais, no entanto, Dilma exigirá compromissos explícitos de investimentos em aumento da capacidade. Além disso, quer garantias de que os terminais não vão operar com ociosidade, podendo ser usados por outras empresas, mediante o pagamento de tarifas à arrendatária das instalações. Só com o cumprimento de tais condições ela admite uma renovação dos contratos, pelo tempo necessário para amortizar os novos investimentos. Ou seja, haverá prazos diferentes para cada terminal.

Apesar de intensas discussões no Palácio do Planalto, nas últimas quatro semanas, a questão ainda não foi fechada e está sujeita a mudanças. Por isso, não há definição sobre a participação dos portos no "PAC das Concessões", que a presidente deseja lançar ainda em agosto. O certo é que haverá mexidas importantes no marco regulatório do setor.

De acordo com a Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), as operadoras atuais planejam investir R$ 10,3 bilhões em modernização das instalações e ampliação da capacidade, caso tenham mais tempo de contrato. Os terminais públicos que foram arrendados pela União antes de 1993 estão espalhados por 19 portos, incluindo os maiores, como Santos, Paranaguá e Itaqui.

O que preocupa o Palácio do Planalto, segundo auxiliares de Dilma, é a situação de terminais mantidos por empresas de combustíveis. Dos 98 terminais com contratos vencidos ou por vencer, 19 são usados para o armazenamento de gasolina, óleo diesel e etanol, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. A maioria pertence à Petrobras ou às suas subsidiárias, como Transpetro e BR Distribuidora, mas também há instalações da Esso, da Texaco, da Shell / Cosan e da Ipiranga.

Um eventual desarranjo, a partir de licitações com resultados imprevisíveis, poderia comprometer os atuais esquemas logísticos para a distribuição de combustíveis nessas regiões. Os terminais de combustíveis estão localizados em sete portos: Itaqui (MA), Belém (PA), Santarém (PA), Cabedelo (SE), Recife (PE), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).

Segundo um assessor da presidente, o processo de renovação dos contratos será feito de forma "seletiva", a partir de uma análise de quais terminais portuários precisam de mais investimentos. Esse funcionário frisa que a repactuação "não será impositiva", nem de um lado nem de outro", e prevê a relicitação ou a mudança de uso para parte dos terminais.

Dilma, conforme relata o assessor, tem adotado uma postura pragmática: busca uma solução que garanta maior participação do capital privado dentro dos portos e a ampliação da capacidade do sistema, preparando-o para atender melhor ao crescimento da demanda de cargas.

Nas reuniões das últimas semanas foi considerada a possibilidade de conceder a administração de portos públicos - hoje nas mãos das companhias docas - a empresas estrangeiras, terceirizando a gestão. Não nos moldes do que foi feito com a concessão de aeroportos, mas no formato de um "contrato de gestão". Com isso, uma das vantagens previstas seria a total despolitização dos cargos nas docas.

Sem que se tenha encontrado nenhuma experiência semelhante no exterior, essa ideia não evoluiu muito e tem pouca chance de se viabilizar, até porque não ficou claro como contornar problemas relacionados à legalidade da medida e ao método de remuneração da operadora terceirizada.

O caminho mais provável segue em outra direção: a participação maior de empresas privadas em serviços portuários auxiliares à operação, como o processamento de cargas ferroviárias na chegada aos portos. Hoje, isso só ocorre em Santos, onde a Portofer assinou contrato de concessão com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), por 25 anos. Formado por um consórcio de empresas ferroviárias, a Portofer opera a malha dentro do porto - 90 quilômetros de trilhos que abrangem a margem esquerda e a margem direita, passando por 24 terminais, do Valongo ao Corredor de Exportação. A ideia que ganhou força dentro do governo é estender essa experiência para outros portos, buscando dar mais eficiência ao processo logístico.

Além das mudanças no marco regulatório, resolvendo pendências que se arrastam há anos no setor, o governo deverá incluir no "PAC das Concessões" projetos de novos portos para administração privada. Os primeiros serão Ilhéus (BA) e Manaus (AM).

Hoje, o único porto integralmente operado pelo setor privado é o de Imbituba (SC), cujo contrato de concessão vence no fim deste ano e também requer uma solução.

Greve - Oficio da INFRAERO para ANVISA


Cópia do ofício endereçado pela INFRAERO do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, à Chefe do Posto Aeroportuário da ANVISA.


Greves afetam balança comercial e saldo de julho recua 8% sobre 2011

Valor Econômico - 02/08/2012
Por Sergio Leo | De Brasília


Afetado pelas greves dos fiscais da receita e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o comércio exterior brasileiro alcançou um superávit de quase US$ 2,9 bilhões em julho, 8,3% abaixo do resultado de julho do ano passado, mas acima das expectativas dos especialistas. No mês, tanto as compras quanto as vendas externas do país caíram 10% em relação ao mesmo período de 2011.

No acumulado do ano as importações acumularam recorde, com US$ 128,3 bilhões, aumento de 1,7% em relação ao mesmo periodo do ano anterior. As exportações somaram US$ 138,2 bilhões, enquanto o saldo ficou em US$ 9,9 bilhões, 38% inferior ao dos mesmos sete meses de 2011.

Para o Ministério do Desenvolvimento, a crise econômica mundial, que também afeta o resultado da balança comercial, não permitirá que a recuperação, tanto de importações quanto de exportações seja tão forte quanto a registrada em maio de 2008, após a greve da Receita naquele ano, que fez cair compras e vendas com o exterior.

"Até acho que importações podem ter sido mais atingidas que exportações (por causa das greves), porque tem liberação de cargas, anuência da Anvisa, mas não dá para separar o efeito", comentou o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, ao anunciar o resultado do comércio brasileiro em julho.

O reflexo das greves sobre a balança comercial divide especialistas. Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior Brasileiro (AEB), José Augusto de Castro, a relativa manutenção das médias diárias de exportação, em julho, e a queda forte nas importações de petróleo, quase 35%, indicam que o efeito das greves têm pesado mais fortemente sobre as compras externas que, nota ele, só estão maiores, pela média diária, que as de janeiro.

Para Rodrigo Branco, da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex), porém, o efeito não teve importância suficiente para provocar um desvio em relação às tendências para o ano. Apesar de surpreso pelo superávit de quase US$ 2,9 bilhões (ele esperava cerca de US$ 2 bilhões), Castro mantém sua expectativa de um saldo de US$ 8 bilhões em 2012. Branco mantém a previsão entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões para o saldo do ano.

Um detalhe que chamou a atenção dos analistas foi a queda relativamente menor das exportações de produtos manufaturados, que ficaram 7,6% abaixo dos valores de julho de 2011. Alguns produtos sofreram quedas fortes nas vendas, porém, como açúcar refinado (menos 57%), óxidos e hidróxidos de alumínio (menos 55%) e polímeros plásticos (menos 24,5%). As exportações de produtos semimanufaturados caíram 12,5%, especialmente alumínio em bruto (menos 54,9%) e semimanufaturados de ferro e aço (menos 55%).

O forte aumento das vendas de milho, quase 399% acima do valor de julho de 2011, beneficiadas pela seca e quebra na produção nos EUA, e a continuidade do aumento nas exportações de soja (16,6% a mais) não foi suficiente para evitar que o conjunto de produtos básicos tivesse uma queda, de 10,7%, puxada pelos dois principais produtos de exportação brasileiros, minério de ferro (queda de 27,5%) e petróleo (menos 36,4%).

Reflexo da retração dos mercados mundiais, o mau resultado das exportações não inspira otimismo no governo. Mas, devido às distorções nas estatísticas provocadas pelas greves, o Mdic decidiu adiar a revisão das metas para exportações deste ano, segundo Teixeira.

"Apesar da crise, não houve queda brusca nas exportações e, em 12 meses, a queda nas vendas de manufaturados é menor que as de básicos e semimanufaturados", comentou Branco, da Funcex.

Controle de serviços internacionais começa a operar

Brasil Econômico - 02/08/2012
Prazo para fazer a declaração é de 30 dias após a emissão da fatura de atividades contratadas
J.G.


Começou a funcionar ontem o Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv), ao qual as empresas e pessoas físicas terão de informar suas operações de exportação e a importação de serviços.

O sistema foi desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para medir as transações de serviços e pagamentos ou recebimento de royalties. Mas, como antecipou o BRASIL ECONÔMICO, também servirá a controles da Receita Federal, que imporá multa a quem não fizer o informe, no prazo de 30 dias, em www.siscoserv.mdic.gov.br.

Por isso, além de uma nova obrigação fiscal, a exigência é considerada um imposto disfarçado, que incidirá sobre empresas com menor estrutura ou organização para cumprir as rotinas burocráticas.

Os serviços de construção, manutenção, reparação e instalação e os serviços postais e de remessa expressa - prestados ou adquiridos por pessoas físicas ou jurídicas - serão os primeiros a serem registrados. Até outubro de 2013, os demais serviços definidos pela Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS)-TI, hospedagem e serviços financeiros-serão incorporados ao Siscoserv.

Portaria trata das ações de inspeção, fiscalização, autuação de infratores pela ANVISA


PORTARIA ANVISA Nº 1.161, DE 31 DE JULHO DE 2012
DOU 01/08/2012

         O Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto de recondução de 11 de outubro de 2011, da Presidenta da República, publicado no DOU de 13 de outubro 2011, e tendo em vista o disposto no art. 1°, IX e XVI, parágrafo único do art. 3º e art. 34 da Lei 10.871, de 20 de maio de 2004, publicada no DOU de 21 de maio de 2004, resolve:

         Art. 1º As ações de inspeção, fiscalização, autuação de infratores e outras relativas ao exercício do poder de polícia, no âmbito da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, obedecerão o disposto nesta Portaria e na legislação pertinente.

         Art. 2º O exercício do poder de polícia, nos limites das atribuições legais conferidas aos servidores elencados no art. 3°, dentre outras prerrogativas, compreende:

I - livre acesso aos locais e aos documentos onde se processe, em qualquer fase, a prestação de serviço, a produção, a industrialização, o comércio, a distribuição, o armazenamento, a importação, a exportação e o transporte dos produtos submetidos à legislação sanitária;

II - livre acesso aos documentos e meios de transporte aéreo, marítimo e terrestre, de carga e passageiros, parques portuários, aeroportuários, estações aduaneiras, estações de fronteiras e terminais de cargas e passageiros para a observância dos termos da legislação sanitária;

III - recolhimento de amostras necessárias às análises de controle ou fiscal, lavrando-se o respectivo termo de apreensão;

IV - realização de inspeções de rotina e vistorias para apuração de infrações ou eventos que tornem os produtos ou serviços passíveis de alteração, bem como a existência de risco sanitário nas instalações de portos, aeroportos, terminais de carga e passageiros e estações aduaneiras e de fronteiras, das quais lavrarão os respectivos termos;

V - verificação do atendimento das condições de saúde e higiene pessoal exigidas aos empregados e instalações que participam da elaboração, importação, transporte e comercialização dos alimentos, bebidas, tabacos, medicamentos, produtos dietéticos e de higiene, cosméticos, perfumes, correlatos, e outros previstos na Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, bem como a prestação de serviços e condições dos passageiros;

VI - verificação da procedência e condições dos produtos, quando expostos à venda, à utilização e ao consumo nos estabelecimentos e a bordo dos meios de transporte;

VII - interdição parcial ou total dos estabelecimentos industriais, comerciais ou de prestadores de serviços, meios de transporte, instalações portuárias, aeroportuárias, estações aduaneiras, estações de fronteiras e terminais de cargas e passageiros em que se realize atividade submetida a regime de vigilância sanitária, bem como de lotes ou partidas de produtos que estejam em contrariedade aos termos da legislação sanitária;

VIII - inutilização da unidade do produto cuja adulteração ou deterioração seja flagrante, e apreensão e interdição do restante do lote ou partida, para análise fiscal;

IX - lavratura dos autos de infração para início do processo administrativo previsto na Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, inclusive no que se refere a publicidade proibida;

X - requisição, quando necessário, de auxílio de força policial federal ou estadual, em caso de desacato ou embaraço ao exercício de suas funções.

         Art. 3º Somente poderão atuar nas atividades de inspeção, fiscalização, autuação e outras relativas ao exercício do poder de polícia na Anvisa os seguintes agentes:

I - o servidor ocupante do cargo de Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária do Quadro Efetivo da Anvisa, com atribuições voltadas às atividades especializadas de regulação, inspeção, fiscalização e controle das instalações físicas da produção e da comercialização de alimentos, medicamentos e insumos sanitários, bem como à implementação de políticas e à realização de estudos e pesquisas respectivos a essas atividades, conforme disposto no inciso IX do art. 1° da Lei 10.871/2004;

II - o servidor ocupante do cargo de Técnico em Regulação e Vigilância Sanitária, com atribuições voltadas ao suporte e ao apoio técnico especializado às atividades de regulação, inspeção, fiscalização e controle das instalações físicas, da produção e da comercialização de alimentos, medicamentos e insumos sanitários, bem como à implementação de políticas e à realização de estudos e pesquisas respectivos a essas atividades, conforme disposto no inciso XVI do art. 1° da Lei 10.871/2004; e

III - os servidores ocupantes de cargo efetivo do Quadro Especifico da Anvisa, conforme disposto no art. 34 da Lei 10.871/2004, mediante designação pessoal, indelegável e intransferível.

         Art. 4º A designação para os servidores enquadrados no inciso III do art. 3º será efetivada por meio de Portaria do Diretor- Presidente, na qual deverá constar o nome do servidor, matrícula Siape e unidade de lotação.

         Parágrafo único. O Gerente-Geral ou titular de cargo em comissão equivalente deverá encaminhar à Gerência-Geral de Gestão de Recursos Humanos - GGRHU a solicitação de designação de servidor ocupante de cargo efetivo do Quadro Específico de que trata o inciso III do art. 3º desta Portaria para o exercício das atividades relativas ao poder de polícia, bem como solicitar a revogação da designação quando se fizer necessária.

         Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

DIRCEU BRÁS APARECIDO BARBANO

SISCOSERV - Manuais Informatizados


PORTARIA CONJUNTA SRFB E MDIC Nº 1.965, DE 31 DE JULHO DE 2012
DOU 01/08/2012

Aprova os Manuais Informatizados dos Módulos Venda e Aquisição do Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv).

         O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DO MINISTÉRIO DA FAZENDA E O SECRETÁRIO DE COMÉRCIO E SERVIÇOS DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, no uso das atribuições que lhes conferem os incisos III e XXVI do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e o inciso XIV do art. 1º do Anexo VII à Portaria GM/MDIC nº 6, de 11 de janeiro de 2008, e tendo em vista o disposto na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, na Instrução Normativa RFB nº 1.277, de 28 de junho de 2012, na Portaria MDIC nº 113, de 17 de maio de 2012, e na Portaria Conjunta RFB/SCS nº 1.908, de 19 de julho de 2012, resolvem:

         Art. 1º Ficam aprovados os Manuais Informatizados dos Módulos Venda e Aquisição do Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv) destinado ao registro de informações relativas às transações entre residentes ou domiciliados no País e residentes ou domiciliados no exterior, de que trata o §10 do art. 1º da Portaria Conjunta RFB/SCS nº 1.908, de 19 de julho de 2012. Parágrafo único. Os arquivos digitais dos Manuais referidos no caput encontram-se disponíveis no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço e no sítio da Secretaria de Comércio e Serviços (SCS) na Internet, no endereço .

         Art. 2º Esta Portaria entra em vigor em 1º de agosto de 2012.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Secretário da Receita Federal do Brasil

Mandado de Segurança – SINDUSFARMA.


Fonte: Sindaspcg

Para conhecimento informamos que o SINDUSFARMA – Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, obteve na justiça federal de São Paulo – 19ª Subseção judiciária deferimento de liminar determinando que a chefia de serviço de vigilância sanitária do Aeroporto de Guarulhos proceda em 48 horas a inspeção sanitária nos produtos importados dos associados da impetrante, para o conseqüente desembaraço aduaneiro, se preenchidas todas as demais exigências legais, bem como permita o deferimento antecipado do licenciamento de importação com a conseqüente liberação das mercadorias para estocagem no estabelecimento importador até que se encerre a greve dos seus servidores.

Portos - Embraport se prepara para operar até março

Valor Econômico - 01/08/2012
Por Fernanda Pires | Para o Valor, de Santos


A construção do terminal da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport), na margem esquerda do porto de Santos, caminha para o fim do primeiro ciclo. Até dezembro, a instalação multiuso estará com a estrutura mínima necessária para começar a operar - serão 350 metros de cais, 50 mil metros² de retroárea e capacidade para movimentar até 700 mil Teus (contêineres de 20 pés). Quando totalmente implantando, o empreendimento terá a maior capacidade combinada do Brasil para contêineres e líquidos.

O início das operações de carga, porém, só ocorrerá no primeiro trimestre de 2013, prazo necessário para serem feitos os testes dos equipamentos e obtenção da licença de operação, informa o novo presidente da empresa, Ernst Schulze, em entrevista exclusiva ao Valor.

O executivo, de origem holandesa, foi indicado pelo grupo DP World, sócio da Odebrecht TransPort e do grupo Coimex na companhia. Sediada em Dubai, nos Emirados Árabes, a DP World é uma das maiores operadoras mundiais de terminais de contêineres. São 60 unidades em funcionamento no mundo e outras 11 em construção, entre as quais a do complexo santista.

O terminal em Santos é o primeiro ativo da Embraport. "Nosso maior objetivo, agora, é estruturá-lo", afirmou Schulze ao responder sobre a possibilidade de a empresa desenvolver projetos em outras regiões.

Schulze é especialista em operar projetos novos. Com 25 anos de experiência em portos e logística, acumula passagens pelo setor na Europa e Ásia. Substituiu recentemente Francisco Nuno Neves, que deixou a vaga para ser o principal executivo da Haztec, empresa especializada em soluções ambientais.

A Embraport entrará em operação ao mesmo tempo que o BTP, outro terminal em construção em Santos. Juntos, dobrarão a capacidade do porto para contêineres, hoje limitada em cerca de 3,1 milhões de Teus por ano - quase sem folga para o volume realizado em 2011, que bateu em 3 milhões de unidades.

Mas Schulze não teme ociosidade de oferta com os dois novos entrantes. "Vejo três aspectos: demanda natural crescente; atração de cargas para Santos devido à equalização da alíquota de ICMS entre Estados; e mercado potencial que ainda não se materializou porque a capacidade é limitada", lista ele, sem arriscar um volume potencial adicional.

Soma-se a isso o momento de dificuldade por que passa a indústria mundial da navegação de longo curso, com a queda do consumo na Europa e a lenta recuperação americana. "As únicas formas de os armadores fazerem lucro é reduzindo os custos ou apostando na consolidação dos serviços", afirma. Em vez de irem a vários portos, as companhias passam a escalar apenas os maiores da região, de onde a carga é distribuída por linhas menores, as alimentadoras. Ao diminuir o número de portos, o armador tende a aumentar o tamanho do navio para não perder mercado. "Vamos ver mais volumes chegando em razão da maior capacidade em Santos", aposta.

A estrutura com que a Embraport encerrará o ano constitui a primeira etapa da primeira fase do empreendimento. A construção do terminal está dividida em duas etapas. Pelo cronograma, a primeira delas termina em outubro de 2013, quando a instalação terá potencial de movimentar 1,2 milhão de Teus e 2 bilhões de litros de líquidos. A segunda fase ampliará a capacidade de contêineres para 2 milhões de Teus, mas ainda sem data prevista para começar. "Ao longo de 2013 vamos analisar e tomar a decisão. Imagino que levaremos de dois a três anos até iniciá-la", comenta Schulze.

O investimento total do empreendimento é de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhão para a primeira fase. Desse total, R$ 1,4 bilhão é financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com 45% e 55%, respectivamente.

A chegada do executivo ocorre no momento em que o foco do empreendimento recai sobre as áreas de serviços, tecnologia e operações com a proximidade da inauguração do terminal. Ao longo deste ano estão sendo investidos R$ 260 milhões em equipamentos, tecnologias de informação e de segurança.

Na primeira leva de aquisições, estão seis guindastes para movimentar contêiner entre o cais e o navio. A lança do equipamento consegue alcançar a extremidade de embarcações que transportam até 8.500 Teus - e ainda não escalam Santos - operando simultaneamente dois contêineres de 20 pés ou um de 40 pés. Popularmente conhecidos como portêineres, foram fabricados na China e serão entregues a partir de dezembro. A meta de produtividade é que cada portêiner faça em média de 25 a 30 movimentos por hora. Dependendo da configuração, a embarcação pode ser operada por até seis deles.

A Embraport é a primeira sociedade entre a DP World e o grupo Odebrecht, mas não a primeira parceria. A companhia brasileira já havia construído terminais para a DP World em Djibouti (África) e Callao (Peru).

A instalação da Embraport é alvo de um processo no Tribunal de Contas da União (TCU) e de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O terminal foi aprovado como privativo de uso misto, mas deverá operar como de uso público. Pelo arcabouço legal atual, os privativos de uso misto são dispensados de licitação porque são destinados a operar principalmente carga própria. Já os de uso público são prestadores de serviços, com finalidade de movimentar cargas de terceiros (caso de contêineres). Por isso, têm de passar pelo crivo da concorrência.

O pedido de autorização da Embraport à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) foi feito em outubro de 2005, um mês antes de a Antaq impor restrição aos privativos, condicionando que eles tinham de ter carga própria que "justificasse" o empreendimento. Em nota, a empresa diz que a resolução da Antaq "é posterior à autorização". E que tanto a Secretaria de Portos (SEP) como a Antaq já se manifestaram sobre a questão. "Com base no princípio da segurança jurídica e a proteção constitucional ao direito adquirido, reconheceram a impossibilidade jurídica de se aplicar as exigências supervenientes trazidas pela resolução [nº 517] à Embraport".

"Temos todas as licenças. E esse país precisa de investimento. A Embraport se encaixa perfeitamente naquilo que o país precisa de investimento", comenta o novo presidente do terminal.

Custo do frete vai subir até 30% com norma para caminhoneiros

Brasil Econômico - 01/08/2012
Aumento chegará a preços de praticamente todos os produtos e deve agregar 0,8% à inflação anual
Juliana Garçon
Ruy Barata Neto, de Brasília


As novas normas para a profissão de motorista, que foram estabelecidas pela Lei 12.619/2012 e estão provocando a revolta dos caminhoneiros autônomos, vão elevar os custos de frete no país. Cálculo do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) indica que, em rotas de 3.000 km, equivalente à viagem de São Paulo a Belém, o impacto será de 30%. Nessa rota, são transportados alimentos, bens de consumo e produtos da Zona Franca, como motos.

Em trechos menores, o efeito será inferior: 21% para percursos de 1.500 km, como a viagem do Centro-Oeste ao porto de Santos, que leva a produção agrícola para exportação.

A Associação Nacional dos Transportes de Carga (ANTC) tem estimativa similar para a variação no preço do frete: entre 25% e 40% dependendo da rota, do equipamento de transporte e da carga.

Hoje, o preço do frete no país está na casa de US$ 123 por 1.000 tkm (toneladas por km), um dos menores do mundo, de acordo com Lima. Alguns agricultores, porém, discordam: esse patamar é um dos mais caros do planeta, diz Edeon Vaz Ferreira, coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, entidade ligada aos produtores de soja e milho do Mato Grosso do Sul. "De Sorriso (MS) ao porto de Paranaguá (PR), o frete fica em US$ 120 por tonelada, um dos mais altos do globo. O dono de caminhão vai ter de repassar o custo da menor produtividade e nós teremos que repassar também." Peso na inflação Como a maior parte (65,64%) da carga movimentada no país circula por rodovias, a elevação de custos chegará a praticamente todos os produtos, com alta média de 0,56%, que representa 0,8% na inflação anual, estima Maurício Lima, diretor de capacitação do Ilos, que levará os dados ao Fórum Internacional de Logística, de 20 a 22 de agosto, no Rio.

"Mas, com planejamento, as empresas podem mitigar o incremento de custos", diz. "Usando dois motoristas em distâncias longas, podem limitar a 6%." O reajuste no transporte de cargas acabará pressionando o preço de produtos, principalmente de alimentos.

Críticas Publicada em maio, a Lei 12.619/2012 normatiza a atuação dos profissionais do setor. O principal ponto é a limitação à jornada de trabalho dos caminhoneiros, que chegava a 90 horas semanais e agora não pode passar de 56, incluindo as horas extra (veja ao lado).

As restrições sofrem críticas, principalmente, dos motoristas autônomos, cerca de metade da categoria, que soma aproximadamente dois milhões de pessoas no Brasil.

Eles temem a redução nos ganhos devido à limitação na jornada e, por isso, querem que a lei seja revogada. A categoria também quer derrubar a resolução 3.056/2009 da da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de acordo com a qual basta às empresas se registrarem na agência para atuar no setor, mesmo que a companhia não seja originária do ramo de transporte.

Também querem revogar a resolução 3.658/2011, que regulamenta seu pagamento. Antes livre, feito por depósito, com cheque ou dinheiro, agora, tem de ser feito por meio eletrônico.

A ANTC, por sua vez, avalia que a restrição à jornada de trabalho é positiva, pois tende a aumentar a qualidade de vida dos caminhoneiros e a evitar acidentes - é sabido que, para aguentar até 20 horas ao volante, muitos motoristas apelam a drogas.

Porém, diz ele, o governo não dá condições ao cumprimento da norma, pois falta infraestrutura para permitir aos motoristas que descansem. "A pressão do movimento deveria ser para ações do governo no sentido de melhorar a infraestrutura." A Confederação Nacional do Transporte (CNT) faz críticas mais duras à mobilização dos caminhoneiros autônomos. "É um movimento de baderneiros e vândalos", diz o diretor de transportes de cargas, Flávio Benatti.

Para ele, a greve não tem pauta concreta de reivindicação e está ganhando espaço à custa de violência.

Os grevistas querem o retorno a um estágio de desregulamentação, que coloca em risco a vida de pessoas nas estradas. "A lei contou com várias audiências públicas e o líder dessa greve não participou de nenhuma." Ele admite que o tempo para a adaptação do setor às novas normas legislativas foi exíguo, mas o que não seria justificativa para o movimento. Ele diz que a legislação não deve ser extinta, como querem os grevistas, mas sim ganhar complementos que dificultam a sua implementação, como a aprovação de um texto, retirado do projeto original, que obriga o governo a montar pontos de parada a cada 200 km de rodovias.

Mantega cortará incentivo de IPI

Brasil Econômico - 01/08/2012


Para ministro da Fazenda, não é necessário prorrogar a isenção das montadoras. “A fase mais díficil já passou e a geração de empregos vai acelerar no fim do ano”, afirmou.

Motos e autopeças na mira do governo

Brasil Econômico - 01/08/2012
Mantega diz que conversará com instituições financeiras para estimular crédito aos setores
R.B.N


O ministro da fazenda, Guido Mantega, disse ontem que deverá fazer uma nova rodada de conversações com instituições financeiras para estimular crédito para a aquisições de motocicletas.

Os veículos sob duas rodas estão tendo dificuldades na venda, seguindo um problema enfrentado também pelos caminhões.

Por serem instrumento de trabalho, os dois tipos não são sujeitos à cobrança de alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

"No caso das motos, o que está faltando é financiamento", avalia Mantega. "Os bancos se retraíram nos créditos e financiamentos, mas estamos trabalhando em estimular o crédito para as motos." Mantega deixou em aberto medidas adicionais que poderão ser tomadas para alavancar o setor de autopeças no país. A indústria vem sofrendo dificuldades principalmente por conta da concorrência com os produtos importados. Para o ministro, o setor tende a recuperar o fôlego como resultado de um conjunto de medidas já tomadas.

Entre elas está a desvalorização do câmbio e o fim dos estímulos de ICMS (via resolução 72) que ajudarão na concorrência com produtos importados. Além disso, há a desoneração fiscal sobre a folha de pagamento de funcionários que também abraça as empresas de autopeças.

"O setor de autopeças está se beneficiando com o cambio mais desvalorizado, mas isso não é algo imediato porque as empresas já tinham contratos para períodos que ainda não venceram", afirma sinalizando que irá esperar um pouco para avaliar o comportamento do setor.

Caminhoneiros anunciam fim de greve

Folha de S. Paulo - 01/08/2012
DIMMI AMORA


O governo federal cedeu a reivindicações dos caminhoneiros, que decidiram ontem à noite suspender bloqueios em estradas que paralisavam o transporte de mercadorias pelo país.

O desbloqueio começaria ainda na noite de ontem e deve ser concluído ao longo da manhã de hoje, disse o líder do movimento, Nélio Botelho.

À noite, após o anúncio, ainda havia bloqueios em estradas de seis Estados.

O acordo foi firmado após duas reuniões conduzidas pelo ministro dos Transportes, Paulo Passos, que duraram quase oito horas.

Os caminhoneiros estavam divididos em dois grupos, um que liderava a greve e outro contrário à paralisação.

O governo cedeu em três pontos da pauta de reivindicação dos dois grupos, que tinha 12 itens, e acenou com a possibilidade de flexibilizar a lei que passou a regulamentar a carga horária.

Pela nova lei, que já entrou em vigor, os caminhoneiros têm que ter um descanso de 30 minutos a cada quatro horas e um descanso diário de 11 horas contínuas.

Os representantes dos dois grupos são contrários a esse formato, apesar de defenderem uma regulamentação. Para eles, há problemas operacionais, como a falta de pontos de paradas.

Para acabar com a greve, o governo decidiu dar mais 30 dias de fiscalização educativa (ou seja, sem cobrar multas) em relação à jornada.

Nesse período, será aberta uma mesa de negociação entre representantes dos governos e dos trabalhadores para discutir propostas.

O ministro disse que o governo vai ouvir as propostas e, se for o caso, pode fazer alterações na legislação.

"Estamos falando de evitar que o caminhoneiro seja submetido a uma carga horária indevida. Mas todos os aspectos que digam respeito à lei e sejam cabíveis de exame serão discutidos. A mesa está aberta a discutir todos os temas que afetem a categoria."

Segundo Botelho, o ideal seria que os caminhoneiros que transportam em grandes distância tenham uma jornada diferente dos demais.

Diumar Bueno, que representa os caminhoneiros contrários à greve, disse que é importante ter uma jornada regular, mas que é necessário adaptações em relação ao período de descanso.

"Não tem como um caminhoneiro no inverno no Sul ficar 11 horas dentro do caminhão parado, por causa do frio", disse Bueno.

Os outros dois pontos que o governo atendeu foram: a suspensão de novos registros para transportadores e a igualdade de condições entre pequenos e grandes transportadores na hora de fazer o registro eletrônico do pagamento dos fretes.

Governo não acatará reivindicações de caminhoneiros

Folha de S. Paulo - 01/08/2012
Movimento quer adiar implantação de lei que disciplina a atividade no setor
DIMMI AMORA


O governo avisou os caminhoneiros grevistas de que não atenderá às reivindicações da categoria enquanto bloquearem estradas. O recado foi dado ontem durante reunião entre o ministro Paulo Passos (Transportes) e representantes da categoria.

Todos os caminhoneiros, entre grevistas e contrários à paralisação, apoiam mudanças nas regras em vigor.

O Movimento União Brasil Caminhoneiro, que convocou a paralisação, quer que o governo revogue duas resoluções da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) e que prorrogue adie por um ano a implantação da lei que disciplina a atividade e entrou em vigor nesta semana.

Segundo o líder do movimento, Nélio Botelho, os caminhoneiros são contra o descanso obrigatório de meia hora a cada quatro horas trabalhadas, fixado pela lei.

A ANTT aumentou as permissões para caminhões operarem. Eles reclamam que isso reduziu o preço do frete.

Antes de entrar na reunião, Botelho disse que a categoria continuaria parada se as reivindicações não fossem atendidas imediatamente. Até o fechamento da edição, o encontro não havia terminado.

A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), recebida por Passos na manhã de ontem, é contra a greve. O presidente, Diumar Bueno, disse ter pedido ao governo adequações nas novas regras -entre elas maior prazo para implantar a lei de tempo de viagem.

O governo apresentará novas propostas em 8 de agosto, disse Bueno.

Rio dribla greve, mas paga mais pelo frete

Folha de S. Paulo - 01/08/2012
PARA EVITAR DESABASTECIMENTO, ATACADISTAS USAM ROTAS ALTERNATIVAS À DUTRA, CONGESTIONADA EM RAZÃO DE MANIFESTAÇÃO
Saca de batata fica 150% mais cara; à noite, foi anunciado acordo para suspender a paralisação
VENCESLAU BORLINA FILHO


Para evitar desabastecimento e perdas ainda maiores em razão da greve dos caminhoneiros, os atacadistas de hortifrútis do Rio de Janeiro usaram rotas alternativas e, por isso, pagaram frete mais alto para que as mercadorias chegassem à capital.

À noite, o governo anunciou acordo para encerrar a paralisação.

A greve dos caminhoneiros provocou 24 quilômetros de congestionamento na rodovia Presidente Dutra no sentido São Paulo-Rio de Janeiro e 13 quilômetros no sentido contrário.

Atacadista há 30 anos na Ceasa (Centrais de Abastecimento do Rio de Janeiro), Antonio Carlos dos Santos, 48, pagou até 40% a mais pelo frete para que as batatas vindas de São Paulo cheguem pela rodovia Rio-Santos.

Pelo segundo dia, ontem, a saca de batata (50 kg) foi comercializada ao preço médio de R$ 100 no entreposto carioca -alta de 150% em relação ao valor da semana passada. A entrega do vegetal foi a mais afetada pela greve.

Só ontem, o comerciante calculou perdas de R$ 15 mil.

"Os varejistas estão vindo, mas compram só 30% do que estavam acostumados, pois os preços da saca subiram."

Santos disse que as cargas de batata estão sendo negociadas diretamente com produtores do interior paulista e que muitos têm optado por deixar os vegetais no campo em vez de seguir viagem.

"Combinei com o produtor que pagaria um frete maior se ele viesse pela Rio-Santos. O preço da batata a gente vai negociar aqui. Se a greve continua, há desabastecimento em todo o Rio."

Os atacadistas da Ceasa-Rio também estão com dificuldade em receber tomate e laranja. Os preços seguem elevados.

A caixa de tomate (22 kg) é negociada a R$ 120, e a de laranja (25 kg), a R$ 45.

TRÂNSITO

O maior congestionamento registrado ontem na rodovia Presidente Dutra foi na altura de Barra Mansa (RJ).

Nos dois sentidos, a paralisação foi de 36 quilômetros, sendo maior no sentido São Paulo-Rio de Janeiro.

Os caminhões, de acordo com a concessionária que administra a rodovia, ficaram parados no acostamento e na faixa da direita das pistas.

O fluxo de automóveis, ônibus e veículos de emergência se dava por uma única faixa da esquerda.

Muitos motoristas acabaram vendendo sua carga de produtos perecíveis, como frutas, à beira da estrada, a fim de reduzir prejuízos.

Os cegonheiros chegaram a anunciar adesão à greve em nível nacional por tempo indeterminado, antes que o governo anunciasse o acordo.

O sindicato nacional -que não inclui Minas Gerais- estima a paralisação de cerca de 6.000 carretas e possíveis problemas para as montadoras.

Procurada, a federação da distribuição de veículos não se pronunciou.