Antidumping definitivo aplicado às importações de papel supercalandrado


RESOLUÇÃO CAMEX Nº 5, DE 5 DE FEVEREIRO DE 2013
DOU 06/02/2013

Altera o art. 1º da Resolução CAMEX nº 63, de 2008, que trata do direito antidumping definitivo aplicado às importações brasileiras de papel supercalandrado, originárias dos Estados Unidos da América e da Finlândia.

          O CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR - CAMEX, no exercício da competência conferida pelo inciso XV do art. 2º do Decreto nº 4.732, de 10 de junho de 2003, Considerando o que consta na Nota Técnica no 006/2013/CGPI/ DECOM/SECEX, de 23 de janeiro de 2013, resolve:

          Art. 1º O art. 1º da Resolução CAMEX nº 63, de 22 de outubro de 2008, publicada no Diário Oficial da União em 23 de outubro de 2008, passa a vigorar com a seguinte redação:

          "Art. 1º ....................................................................................

País
Empresa
Medida Antidumping Definitiva
EUA
...............
................................

...............
................................

UPM Kymmene Corporation e UPM Sales Oy
US$ 199,00/t (cento e noventa e nove dólares por tonelada)

...............
................................

 (NR)

          Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

FERNANDO DAMATA PIMENTEL
Presidente do Conselho

CAMEX divulga normativo que dispõe sobre o DBN


RESOLUÇÃO CAMEX Nº 6, DE 5 DE FEVEREIRO DE 2013
DOU 06/02/2013

Dispõe sobre o Detalhamento Brasileiro de Nomenclatura (DBN) e institui o Grupo Técnico de Gestão do Detalhamento Brasileiro de Nomenclatura - GDBN.

          O CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR - CAMEX, no exercício da competência conferida pelo art. 2º, incisos III, alíneas "a" e "c", e VII do Decreto nº 4.732, de 10 de junho de 2003, resolve:

          Art. 1º Determinar a criação do Detalhamento Brasileiro de Nomenclatura (DBN), exclusivamente em âmbito nacional, à Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), para fins estatísticos e de tratamento administrativo de comércio exterior.

          Art. 2º Instituir, no âmbito do Comitê Executivo de Gestão da CAMEX - GECEX, o Grupo Técnico de Gestão do Detalhamento Brasileiro de Nomenclatura - GDBN.

          Art. 3º O GDBN será composto pela Secretaria Executiva da CAMEX, que o presidirá, pela Secretaria de Comércio Exterior - SECEX do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB do Ministério da Fazenda. Parágrafo único. O Grupo será responsável por estabelecer seu regimento interno, definir os procedimentos para recebimento de pleitos do setor privado, gerenciar e avaliar a manutenção e inclusão de códigos, propor as alterações normativas pertinentes, além de promover o desenvolvimento e adaptações dos sistemas eletrônicos necessários.

          Art. 4º O GDBN dará início imediato à fase de especificação e descrição de requisitos para implementação do DBN nos sistemas eletrônicos de comércio exterior. Art. 5o O GDBN deverá informar periodicamente ao Conselho de Ministros sobre prazos, custos e especificações relativos à fase de desenvolvimento e implementação do DBN.

          Art. 6º Os Ministérios referidos no artigo 3º indicarão representantes titulares e suplentes para compor o GDBN.

          Art. 7º O GDBN poderá convidar a participar de suas reuniões representantes de outros órgãos do governo federal quando estiver em pauta matéria de sua esfera de atuação.

          Art. 8º O GDBN poderá utilizar a consulta pública ou outro mecanismo que contribua para reunir subsídios adicionais para o exame dos pleitos de introdução, alteração ou eliminação de códigos do DBN.

          Art. 9º A inclusão, alteração e exclusão de códigos do DBN serão efetuadas por Resolução CAMEX.

          Art. 10 A lista atualizada dos códigos do DBN deverá ser disponibilizada nos sítios eletrônicos do MDIC, da RFB, e do Portal Brasileiro de Comércio Exterior: www.comexbrasil.gov.br.

          Art. 11 Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

FERNANDO DAMATA PIMENTEL
Presidente do Conselho

CAMEX prorroga prazo da investigação de dumping sobre laminados planos de aço


CIRCULAR SECEX Nº 9, DE 5 DE FEVEREIRO DE 2013
DOU 06/02/2012

          SECRETÁRIA DE COMÉRCIO EXTERIOR DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, em consonância com o disposto no Acordo sobre a Implementação do Artigo VIdo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT 1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994 e o contido no Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995, especialmente o previsto nos arts. 3º e 39, e tendo em vista o constante no Processo MDIC/SECEX 52000.040071/2011-18, decide prorrogar por até seis meses, a partir de 19 de abril de 2013, o prazo para conclusão da investigação de prática de dumping, de dano à indústria doméstica e de relação causal entre esses, nas exportações para o Brasil de laminados planos de aço ao silício, denominados magnéticos, de grão não orientado, classificados nos itens 7225.19.00 e 7226.19.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, originárias da República Popular da China, da República da Coréia e de Taipé Chinês, iniciada por intermédio da Circular SECEX nº 18, de 17 de abril de 2012, publicada no Diário Oficial da União - D.O.U. de 19 de abril de 2012, cuja retificação foi publicada no Diário Oficial da União de 25 de abril de 2012.

TATIANA LACERDA PRAZERES

Na Argentina - Governo pode impor congelamento de preços a outros setores

O Globo - 06/02/2013


Além de grandes redes, mercados médios e pequenos serão afetados
Buenos Aires O congelamento de preços por 60 dias, até 1º de abril, anunciado na segunda-feira pelo governo de Cristina Kirchner, pouco teve de acordo com as grandes redes de supermercados e foi mais uma imposição do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, que pode se estender a outros setores, segundo o jornal "La Nación".
"É muito provável que acordos semelhantes sejam alcançados com outros setores", afirmou a Câmara Argentina de Comércio (CAC) ao jornal argentino.
A medida obteve a aceitação da Associação de Supermercados Unidos (ASU), que reúne as principais redes do setor, como Carrefour, Walmart, Cencosud (Disco, Jumbo e VEA), La Anónima, Coto e Libertad. Ontem, mais uma rede, La Cooperativa Obrera de Bahía Blanca, que não faz parte da ASU, aderiu ao acordo, que deve acabar se estendendo também aos mercados que vendem no atacado, aos de bairro e aos de propriedade de imigrantes chineses.
Por trás da decisão do congelamento está o objetivo de limitar as negociações salariais recém-iniciadas. O líder da Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT), Hugo Moyano, afirmou que o congelamento não afetará as negociações salariais e assegurou que a medida é uma tentativa de "colocar um teto", de 20%, nos reajustes. Ele disse ainda que o congelamento é um sinal de que o governo reconhece que a inflação está fora de controle. Segundo ele, o piso pedido pela CGT será de 25%. Outros sindicatos já falam em 30%.
- Vamos aderir desde que e enquanto nossos fornecedores se comprometerem a nos mandar mercadorias sem aumentos - disse à rádio "El Mundo", segundo o "Clarín", o representante da Câmara de Supermercados Chineses, Miguel Calvete.
Fernando Aguirre, porta-voz da Federação Argentina de Supermercados e Autosserviços (Fasa), que reúne redes de médio porte, disse ao "Clarín" que, se os estabelecimentos medianos forem convocados, "com certeza se unirão" ao congelamento. Mas destacou a importância da participação de produtores e fornecedores.
A Secretaria de Comércio Interior pediu aos consumidores que comparem preços e denunciem abusos. E solicitou aos supermercados que suspendam ofertas durante a medida.

Transporte ferroviário pode custar 30% menos

Autor(es): Por Eduardo Belo | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 06/02/2013


O aumento da oferta de serviços de transporte ferroviário com a concessão de novas malhas pode baixar o custo do frete em 20% ou 30%. É o que espera a Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (Anut). O presidente da entidade, Luis Henrique Teixeira Baldez, afirma que esse será o principal benefício das novas concessões ferroviárias, mas o resultado vai depender da regulação do setor.
A Anut "vê com bons olhos" a separação entre operador e gestor das ferrovias, prevista no novo modelo, cujos primeiros editais serão publicados no próximo mês. Segundo o presidente da entidade, isso e a parceria com o setor privado vão ajudar a desenvolver o setor. "Precisamos de mais ferrovias, de interconexões entre as ferrovias e da quebra do monopólio das atuais concessionárias", afirma.
A expansão da malha e a intermodalidade também casam com os interesses da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). Em documento apresentado em janeiro na Exporail 2013, em Cancún, no México, a entidade considera como um dos principais desafios do setor levar adiante o crescimento da rede, facilitar a conexão com outros modais e eliminar gargalos. Entre eles encontram-se as restrições de tráfego em algumas regiões. É o caso da Grande São Paulo, onde parte da carga tem de aguardar a disponibilidade da linha, compartilhada com a companhia estadual de trens de passageiros, a CPMT.
O problema poderá ser sanado com a construção do Ferroanel - prevista na lista de novas concessões. O Ferroanel vai segregar as linhas de carga e passageiros, aumentando a capacidade do sistema. A primeira parte da obra, entre Jundiaí a Itaquaquecetuba, custará R$ 1,2 bilhão e deve ficar pronta no próximo ano.
Outro gargalo é a tarifa. Em especial no caso dos trens de passageiros. A Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) defende a concessão de todos os incentivos possíveis para tornar a tarifa mais atraente. Um dos questionamentos da entidade é em relação à recente redução da tarifa de energia elétrica: o setor não foi contemplado.
Várias entidades estão atentas à regulamentação do direito de passagem, a permissão para que uma composição trafegue pela via de outra concessionária. Em audiência recente no Palácio do Planalto, as atuais concessionárias assumiram o compromisso de aceitar novas regras do direito de passagem, não previstas nos contratos de concessão da malha ferroviária federal, assinados no final dos anos 1990. Esse entendimento precisa ser ratificado e formalizado, para dar clareza às regras e impedir que dúvidas jurídicas afugentem os investidores.
Baldez afirma que a Anut está atenta às audiências públicas que vão decidir o futuro do setor. A intenção é ver o que está sendo proposto antes de "oferecer sua colaboração". A principal preocupação é com o direito de passagem, questão que deve ser estratégica não só para a operação, mas também para o investimento.
A atração dos investimentos está diretamente ligada às novas regras. O governo tem, entre outras coisas, que mostrar como vai garantir a compra da capacidade durante o período de concessão, como está prometido no novo modelo. O êxito das próximas concessões também reside na definição clara de onde serão criados os terminais de transbordo, locais de integração da ferrovia com outros meios de transporte, em especial o rodoviário, diz Paulo Fleury, presidente do Instituto Ilos.
Para a ANPTrilhos, o principal gargalo hoje são os investimentos. Apesar do grande número de projetos, a burocracia atrasa e encarece a implantação efetiva de sistemas. A falta projetos detalhados encarece as obras e dificulta o planejamento. A associação também defende a criação de processos licitatórios mais transparentes e o acompanhamento rigoroso por parte do Tribunal de Contas da União (TCU). Para Paulo Fleury, do Instituto Ilos, a demora nas licenças tira a atratividade dos projetos perante os investidores. "Precisa haver regras claras e decisão do governo de permitir que o livre mercado atue, reservando para si somente os papéis de regulador e fiscalizador", resume Baldez.
O governo planeja atrair investimentos de R$ 91 bilhões para o setor com a concessão de 12 trechos. As regras preveem que as empresas terão de optar entre a implantação da infraestrutura e a operação do negócio. Várias empresas de construção e de operação logística já manifestaram interesse no programa. O plano prevê a construção ou modernização de 10 mil km de ferrovias. Os gastos dos concessionários são estimados em R$ 56 bilhões nos próximos cinco anos e mais R$ 35 bilhões para o período entre 2018 e 2038.
"O Brasil precisa de ferrovias. Principalmente no Norte e Centro-Oeste, onde há uma crescente produção de commodities que perde competitividade por falta de transporte adequado", comenta Fleury. Existem hoje no país mais de 60 projetos ferroviários, com investimentos que superam os R$ 100 bilhões, segundo a ANPTrilhos

MP libera novos portos privados

Autor(es): Por Daniel Rittner | De Brasília
Valor Econômico - 06/02/2013


O pacote de medidas lançadas pelo governo para atrair investimentos aos portos promoveu as maiores mudanças no marco regulatório do setor em duas décadas. A Medida Provisória 595, que traz essas alterações e ainda tramita no Congresso, recebeu 645 emendas parlamentares. Para ter uma ideia das reações, basta dizer que na MP do setor elétrico, responsável pela renovação das concessões e pelo corte nas tarifas de energia, 431 emendas foram apresentadas. Só o Código Florestal teve um número maior.
A tramitação da MP 595 deve avançar agora, com a retomada dos trabalhos legislativos, a partir desta semana. O primeiro passo é a escolha do relator - o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) é o mais cotado no momento.
A principal mudança anunciada pelo governo, no início de dezembro, foi a liberação quase total de terminais privados. O decreto presidencial 6.620, editado em 2008, havia vetado a construção de instalações privadas que não tivessem carga própria suficiente para justificar o investimento. Ou seja, a movimentação de cargas de terceiros - que não a própria empresa responsável pela operação - só podia ser feita em caráter complementar. Essa distinção entre cargas próprias e de terceiros acabou com a MP, o que tende a destravar investimentos em novos terminais.
Com o fim das restrições, grandes grupos já levaram ao governo 23 projetos novos. Somados, esses terminais exigirão investimentos de R$ 21,1 bilhões até o biênio 2016/17, segundo estimativas da Secretaria de Portos. A Gerdau prepara investimento de R$ 2 bilhões nas imediações de Itaguaí (RJ). Uma cifra semelhante será investida pela Bahia Mineração, em Ilhéus (BA). Em Porto Velho (RO), a Hermasa tem projeto de R$ 120 milhões para movimentar granéis sólidos. Duas instalações para grãos, que somam pouco menos de R$ 150 milhões, serão construídas em Santarém (PA), por Bunge e Cargill.
O anúncio desagradou os operadores de terminais públicos arrendados à iniciativa privada, que funcionam dentro dos portos organizados. Eles não tiveram que construir novas instalações, mas pagam arrendamento à União e precisam devolver os terminais ao fim dos contratos.
A insatisfação também foi grande entre os atuais operadores de 53 terminais públicos arrendados antes da Lei dos Portos, de 1993. O governo negou o pedido de adaptação dos contratos, com um novo prazo de pelo menos dez anos, e decidiu relicitar todos os terminais.
A Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP) está sendo contratada para fazer os estudos de viabilidade e permitir as novas licitações ainda em 2013. Também estão previstas as concessões de cinco portos inteiros para o setor privado, que ficará responsável não só pela operação, mas pela administração de todo o complexo: Porto Sul (BA), Águas Profundas (ES), Manaus (AM), Imbituba (SC) e Ilhéus (BA). Os três primeiros são novos. Imbituba teve sua concessão vencida em dezembro de 2012 e o porto antigo de Ilhéus será privatizado. O primeiro edital, para a concessão de Manaus, deve sair nas próximas semanas.

Dólar cai e testa mínima em oito meses

Autor(es): Por José de Castro | De São Paulo
Valor Econômico - 06/02/2013


Num dia de fluxo intenso de divisas para o mercado local, o dólar comercial fechou em baixa de 0,45%, a R$ 1,9860, menor nível de fechamento desde 29 de janeiro de 2013 e não muito distante da taxa de R$ 1,983 apurada em 28 de maio de 2012. No mercado futuro, o dólar para março cedeu 0,55%, a R$ 1,9915.
O giro interbancário somou US$ 4,274 bilhões segundo a clearing de câmbio da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), cerca de 70% acima da média diária no ano. Segundo profissionais, o volume refletiu o adiantamento de operações do mercado na semana anterior ao Carnaval.
O dia foi marcado por comentários do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas diferentemente da semana passada, a fala não chegou a influenciar significativamente o rumo da taxa. O Mantega reafirmou que o objetivo do governo é evitar excessos no câmbio, reduzindo a volatilidade. E acrescentou que a taxa de juros "civilizada" causa menos distorções no câmbio e que, nos últimos meses, o Brasil conseguiu um nível de taxa cambial que estimula a exportação.
"Tinha que ser uma declaração muito bombástica para fazer o dólar mudar de rumo. Ela não veio, então o mercado se sentiu mais confortável para "bater" no dólar [vender]", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora Italo Abucater.
Na avaliação do gestor da FRAM Capital Roberto Serra, a ênfase de Mantega ao falar que o objetivo do governo passa por um câmbio menos volátil vai na linha do discurso do Banco Central. Referenda, assim, expectativas de que a moeda americana opere no curto prazo com oscilações moderadas.
Já as taxas de juros negociadas na BM&F fecharam em alta pela sexta sessão seguida, nas máximas em dez semanas, puxadas pela maior preocupação dos investidores com a inflação após a sinalização dada pela presidente Dilma Rousseff de que estuda desonerar itens da cesta básica. Para agentes de mercado, a estratégia é um paliativo de curto prazo que tende a alimentar o quadro de majoração dos preços ao longo das cadeias produtivas.
O ambiente de incerteza contaminou também os custos de captação do Tesouro Nacional por meio de títulos públicos federais atrelados ao IPCA, ativos usados justamente pelo mercado como forma de proteção contra a inflação. Todas as Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B) colocadas ontem em leilão saíram com taxas superiores às registradas no leilão anterior de mesmo tipo, em 8 de janeiro.
(Colaboraram João José Oliveira e Lucinda Pinto)

Domar expectativas cambiais

Autor(es): Por Alex Ribeiro | De Brasília
Valor Econômico - 06/02/2013


Para a inflação, o que vale não é só o preço do dólar hoje, mas quanto as pessoas acham que ele vai valer em breve. Isso ajuda a entender, em grande medida, a preocupação do Banco Central em domar as expectativas do mercado sobre a trajetória do câmbio.
O repasse da desvalorização cambial para a inflação foi mais intenso do que o BC esperava em 2012, afirma uma fonte da equipe econômica. Em tempos normais, uma desvalorização cambial de 10% leva a um aumento na inflação de 0,6 ponto percentual nos 12 meses seguintes. As indicações são de que o repasse superou esse coeficiente, num momento em que se esperava que ficasse menor, dada a debilidade da economia.
"A evidência é que o repasse da desvalorização cambial é menor quando a economia está muito baixa", afirma uma fonte da equipe econômica. "A economia andava muito fraca, por isso esperávamos menos." "Em fins do ano passado, surgiu essa história de que o governo gostaria de um câmbio mais desvalorizado, algo como R$ 2,30, R$ 2,50", diz a mesma fonte. "Isso contribuiu para que o repasse à inflação fosse mais forte."
A expectativa de desvalorização do câmbio foi alimentada em novembro pela presidente Dilma Rousseff, que afirmou que o câmbio na casa dos R$ 2,05 seguia sobrevalorizado.
"O repasse cambial para a inflação não é sempre igual", afirma a fonte. "Ele depende do tamanho do movimento. Se a desvalorização for de apenas 5%, as empresas podem acomodar o custo. Mas, se for de 50%, não aguentam e repassam a alta rapidamente."
"A expectativa dos agentes sobre o novo patamar de câmbio também é importante", segue a fonte. "Quando o câmbio flutua, as empresas esperam um pouco para ver se o novo patamar é para valer, antes de reajustar o preço. Se o noticiário diz que, depois de subir para R$ 2,05, vai disparar para R$ 2,30, então as empresas reajustam os preços logo de uma vez."
Desde o fim de dezembro, o BC vem procurando sinalizar ao mercado que, dadas as condições atuais de mercado, a taxa de câmbio permanecerá mais estável, ajudando a combater pressões inflacionárias. Continuará a flutuar, mas obedecendo aos fundamentos da economia. De seu jeito, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem a mesma preocupação em coordenar as expectativas. Mas ele quer evitar uma apreciação cambial que corroa a competitividade da indústria.
"O discurso dele no encontro dos prefeitos na semana passada foi para impor limites", explica um auxiliar da área econômica. "Havia gente assumindo posições especulativas na direção da valorização do câmbio. O ministro falou para cortar as especulações pela raiz."
Fazenda e BC reafirmam que o sistema é de câmbio flutuante, apesar das evidências em contrário, como as declarações sobre o nível ideal do dólar. No BC, o discurso é que, no caso de um choque externo, o câmbio é a primeira linha de defesa. A taxa irá para o novo valor de equilíbrio que tiver que ir. A atuação do BC seria apenas para corrigir disfuncionalidades do mercado de câmbio, como variações de preços determinados por poucos negócios, em momentos de pouca liquidez; para reduzir a volatilidade da taxa de câmbio; e, quando há espaço, para acumular reservas internacionais.

Câmbio estável, inflação alta e juros baixos até que se prove o contrário

Valor Econômico - 06/02/2013


A velocidade da queda dos juros brasileiros pode cobrar um preço, na opinião de Luis Stuhlberger, diretor da gestora Credit Suisse Hedging-Griffo. "Custo a crer que a magnitude deste brusco movimento, sem que o país ganhasse produtividade e competitividade, não irá deixar sequelas na inflação e no câmbio maiores do que as hoje precificadas pelo mercado", escreveu o gestor no relatório de novembro. "Tenho estado errado nisso... Vamos ver...", completou. Talvez não. O ano começou com inflação em alta, levando o mercado a elevar as perspectivas para os juros e pressionando o governo a valorizar a moeda brasileira.
"Uma coisa é o que eu acho que devia ser feito, outra é o que eu acho que será feito", diz Stuhlberger sobre a política monetária. Ressalva, entretanto, que o governo não é onipotente. "Hoje, os mercados olham a força do governo vis-à-vis juros, inflação e câmbio, como se fosse a única coisa que importa. Em gestão de recursos, uma das artes é ver quando o governo não poderá, por várias circunstâncias, dizer "eu quero que seja assim"", afirma.
Em meio ao que o governo tem arbitrado está o câmbio. Da última medida, a mensagem que ficou para Stuhlberger é que, em vez de um piso de R$ 2, o Banco Central definiu que o dólar vai gravitar em torno desse valor. "Não é o fim do mundo, apenas é mais uma mudança", diz. Para o gestor, ainda que a percepção do governo sobre a natureza dos problemas seja correta, mudanças de rota como essa - da defesa da competitividade das empresas brasileiras para o combate à inflação - trazem instabilidade. "Alguém me falou que o ministro parece um cara naqueles aviões dos anos 70, com cem botões para apertar. "Vou apertar esse, agora esse". É impressionante como todos os dias têm coisas novas sendo discutidas", diz o gestor. "Isso não é bom. A economia real precisa de uma regra estável."
A inflação, entretanto, não era causada somente pelo câmbio, diz Stuhlberger. Ou seja, o dragão não está totalmente domesticado. "A inflação de serviços vai continuar crescendo", afirma o gestor. Essa, entretanto, incomoda menos. É o que ele chama de "inflação feliz": a sensação de que dá para comprar mais seja porque o salário subiu, seja porque os juros das prestações caíram, seja porque os preços dos bens duráveis não subiram tanto. "Você até pode se aborrecer no cabeleireiro, no "personal trainer", no restaurante, mas não é tanto assim, porque os "big tickets" [grandes valores] estão nas compras de bens: supermercados, carros... mas aí nós deixamos para trás escola pública, infraestrutura, quer dizer, essa felicidade também quebra a indústria brasileira", diz o gestor.
Seria a inflação passageira, concentrada neste começo do ano? "Essa discussão de que a inflação é curta é sempre o que políticos falam", diz. "Nossa inflação é bem estrutural", contesta. Para o gestor, salários em alta sem ganhos de produtividade pressionam as empresas a subir preços. O resultado é o que chama de "uma certa estagflação", que diz não ser exclusividade nossa. Brasil, Índia, Turquia, Rússia e África do Sul fazem parte do que Stuhlberger chama do clube dos sete com sete, por terem juro e inflação por volta de 7%.
Mesmo frente à resistência da inflação, uma taxa de juros mais baixa é estrutural, na opinião de Stuhlberger. Mas não tão baixa - ele lembra que, na curva de juros pré de três a cinco anos, o mercado projeta certa estabilidade na faixa de 9% a 9,5%. "É o que seria compatível com uma inflação de 5,5% ou 6% e um juro real de 3% ou 3,5%", diz. Compatível também com a normalização da curva de juros americana. Quando lá a taxa passar de zero para 2% ou 3%, chegaremos aqui aos 9%. Algo que não está no horizonte deste ano.
No relatório do fundo, ele destaca: "Incrível, um pré de 3 anos aplicado em janeiro de 2011 deu 10% de retorno acima do CDI", para depois lembrar que vinha errando na tese sobre as sequelas do brusco movimento. "Fico fazendo esse tipo de autoanálise em público. Como esses desequilíbrios ficam assim?", questiona. "Mas economia é um bicho assim. Demora mesmo para acontecer."

Preço de importados em dólar cai

Autor(es): Por Marta Watanabe | De São Paulo
Valor Econômico - 06/02/2013


No segundo semestre do ano passado os preços médios das importações brasileiras caíram, em dólar, 2,9% em relação aos seis meses anteriores. Em relação ao mesmo período de 2011, a queda foi de 2,1%. O comportamento do segundo semestre inverteu o sinal dos primeiros seis meses de 2012, quando houve elevação de 4% no preço dos importados. O recuo do segundo semestre fez com que, no ano, o preço médio dos importados, em dólar, ficasse praticamente estabilizado em relação a 2011, com alta de 0,9%. Essa evolução de preços em dólar contribuiu para limitar o efeito da desvalorização média de 17% do real na inflação.
Para 2013, porém, economistas acreditam que o comportamento de preços dos importados não contribuirá da mesma forma. Eles estimam tendência de maior alta, embora moderada, no preço médio dos desembarques. Ao mesmo tempo, porém, estimam uma desvalorização cambial menor, entre 2% e 5%, o que poderá trazer um impacto relativamente pequeno para a elevação da inflação de 2013.
No ano passado, levando em conta a combinação alta da desvalorização cambial e a elevação de 0,9% nos preços internacionais, o aumento de preços em reais foi de 17,7%, calcula Bráulio Borges, economista da LCA Consultores. O comportamento dos preços, ressalta ele, foi muito diferente do ano anterior. Em 2011, os preços internacionais tiveram alta, em dólar, de 14,3%. A valorização média do real frente ao dólar naquele ano, porém, resultou em alta de 8,6% nos preços em moeda nacional.
Para 2013, Borges acredita que haverá alta maior que a de 2012, mas moderada, dos preços internacionais. Se o nível do dólar for mantido em torno de R$ 2,00, estima, haverá uma desvalorização de cerca de 2%. A combinação de preços e câmbio resultará, neste ano, numa elevação de preços em moeda nacional de 5%, calcula Borges. "Se o câmbio for mantido nesse patamar, teremos um impacto tolerável dos preços internacionais na inflação", avalia.
Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), diz que a redução de preços dos importados no segundo semestre de 2012 foi resultado principalmente da baixa demanda internacional. Além disso, o recuo de preços também pode ter sido uma reação à desvalorização do real, que tornaria mais altos os preços dos importados em reais. Nessas mudanças, muitas vezes os preços em dólar são negociados entre fornecedor e importador. Os preços em dólar são reduzidos para dividir o impacto da mudança cambial.
Em 2013, porém, Branco prevê uma tendência contrária para os preços. Ele acredita na recuperação de alguns mercados, o que resultará em alta dos preços importados. Para ele, os dados mais recentes de produção industrial mostram que a economia chinesa poderá voltar a se acelerar, com crescimento de 8% no ano. "Os dados mostram que a China está saindo do processo de reestruturação de meados do ano passado, quando o governo chinês estava preocupado com a inflação." Branco também espera aceleração maior da economia americana, com crescimento que ele estima entre 2% e 2,5%.
O crescimento desses países, diz o economista da Funcex, deve aumentar a demanda internacional neste ano e elevar os preços internacionais. O efeito disso na inflação, porém, será menor que o do ano passado. "A sinalização do Banco Central é de se chegar a um patamar de câmbio que equilibre a rentabilidade ao exportador e a pressão sobre a inflação." Branco estima uma desvalorização perto de 2%, com câmbio batendo, no pico, a R$ 2,05.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), também prevê comportamento semelhante no câmbio. Ele acredita que os preços de importação devem subir em cerca de 2% a 3%. "Esse, porém, deve ser o patamar máximo." O motor para essa elevação, porém, diz, não deve vir de fora, mas do mercado interno. "Esse aumento de preços deve acontecer somente se houver uma aceleração maior da demanda doméstica, mas a expectativa não é grande para isso, apesar de as projeções de PIB indicarem crescimento entre 3% e 3,5%."
A expectativa de alta dos preços internacionais não é, porém, uniforme entre os economistas. Fabio Silveira, sócio da RC Consultores, estima que a tendência baixista do segundo semestre do ano passado nos preços de importação prossiga neste ano. Para ele, o quadro de superoferta que resultou no recuo dos preços no ano passado ainda será mantido este ano. A China, acredita, vai continuar a desacelerar, com crescimento de 6,5% em 2013. Os americanos, estima, vão crescer 1,5%.

Consulta pública vai definir a lista de cem produtos que terão tarifa elevada

Autor(es): Por Sergio Leo e Murilo Rodrigues Alves | De Brasília
Valor Econômico - 06/02/2013


Mendes Ribeiro, ministro da Agricultura: prorrogação da sobretaxa sobre leite em pó importado foi "medida oportuna"
Caixas de papel, fornos de padaria, ladrilhos especiais, arame farpado, bombas e cilindros hidráulicos e até cartas de jogar e aparelhos de ginástica estão entre os 262 produtos que serão levados à consulta pública, para possível aumento de tarifa nos próximos dias.
O governo, pela primeira vez, fará consulta aos interessados para definir a lista de cem produtos que terão elevada a alíquota da Tarifa Externa do Mercosul, ainda neste ano. Uma outra lista, também com cem produtos, já foi oficializada em outubro do ano passado, conforme haviam decidido os presidentes do bloco na última cúpula do Mercosul, em 2011.
Em junho do ano passado, a pedido da Argentina, o Mercosul decidiu criar mais uma lista de cem produtos com tarifas acima da TEC. A consulta pública foi decidida ontem pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), obrigada a escolher entre 262 itens sugeridos pelo setor privado. Os ministros analisaram também, quase 60 pedidos para alteração de alíquotas na primeira lista de cem produtos com elevação da TEC, divulgada em outubro, que incluía de batatas a vagões ferroviários. Mas a Camex decidiu que essa primeira lista será mantida inalterada, pelo menos até setembro deste ano.
Na lista de 262 produtos, dos quais 100 terão alíquota do imposto de importação aumentada, constam máquinas para o setor agrícola, material para o setor de construção civil, entre outras mercadorias. A consulta será publicada pelo Ministério do Desenvolvimento nos próximos dias, para decisão sobre os itens a serem retirados, ou mantidos, na lista final.
Uma pequena parte da lista foi publicada com exclusividade pelo Valor PRO, o serviço de notícias em tempo real do Valor, e inclui até capacetes e artefatos de proteção. Há pelo menos uma autopeça: espelhos retrovisores. Entre os produtos destinados à construção civil, estão o vidro trabalhado, sem moldura (posições 70.03 a 70.05 da tarifa externa comum), o arame farpado e ladrilhos e pastilhas com lados inferiores a sete centímetros. Todos esses produtos, com alíquotas entre 10% e 14%, poderão, dependendo do resultado da consulta pública, passar a tarifas de importação de 35%, a máxima autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na busca de defesa contra os baratos concorrentes asiáticos, até a indústria de porcas e parafusos pediu aumento da TEC - dos atuais 16% para 30%. Cartas de jogar e aparelhos de ginástica e atletismo pedem alíquota maior que os 20% atuais.
A agricultura foi tema de duas das principais decisões da Camex, reunida ontem: o governo prorrogou por cinco anos a sobretaxa, por dumping, sobre o leite em pó importado da Nova Zelândia e da União Europeia; e autorizou a importação, sem tarifa, de uma tonelada de trigo de países de fora do Mercosul, entre abril e julho, para compensar a queda na produção argentina.
"Estou satisfeito pela medida oportuna tomada pelo governo", disse o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, sobre a prorrogação da sobretaxa antidumping, ao deixar a reunião da Camex. Ele argumentou que os subsídios europeus e neo-zelandês ao setor lácteo local prejudicam os produtores nacionais.
A prorrogação da sobretaxa (3,9% para a Nova Zelândia, 14,8% para a União Europeia) foi defendida também pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, que defende o interesse da agricultura familiar na Camex.
A liberação para importação de um milhão de toneladas de trigo deve evitar impacto nos preços nas padarias, argumentou o ministro. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) reivindicou a importação de 2,5 milhões de toneladas, mas o governo tem 500 mil toneladas em estoque e preferiu esperar uma reunião com representantes do governo argentino, dia 4 de março, para avaliar as necessidades de importação de fornecedores de fora do Mercosul.
"O governo está atento em relação ao preço recebido pelos produtores brasileiros e também em relação ao impacto no índice inflacionário", disse o ministro.
A Camex decidiu, ainda, a redução de tarifas para importação de 618 máquinas e equipamentos para a indústria e bens de telecomunicações e informática sem similar nacional (ex-tarifários), vinculada a investimentos de R$ 5,8 bilhões, principalmente nos setores de construção civil e petróleo.
Os ministros adiaram decisão sobre pedido do Instituto Aço Brasil para aplicação de imposto de exportação sobre a venda de sucata siderúrgica ao exterior. Os produtores de aço, que usam sucata como matéria-prima, se queixam da falta do produto no mercado interno. Os exportadores de sucata dizem que há exagero na acusação.

Jucá pede apoio do governo à implantação das ZPEs no país

Senado Federal

Em pronunciamento nesta terça-feira (5), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) pediu o apoio do governo federal para a implantação das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), criadas e regulamentadas em propostas discutidas no Congresso. Ele ressaltou que, apesar disso, nenhuma ZPE entrou efetivamente em funcionamento no país. Jucá reivindicou a ampliação dos prazos para a implantação das zonas de processamento.

As ZPEs são áreas de livre comércio nas quais as indústrias destinam a maior parte de sua produção para o mercado externo, com benefícios como a isenção de tributos e a liberdade cambial - ou seja, essas empresas não têm de converter em reais o produto de suas exportações.

As principais finalidades das ZPEs são atrair investimentos estrangeiros; reduzir desequilíbrios regionais; fortalecer o balanço de pagamentos; promover a difusão tecnológica; criar empregos; promover o desenvolvimento econômico e social do país; e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.

O senador afirmou que é muito importante garantir condições para a implantação das ZPEs, principalmente na Amazônia. Jucá disse que, apesar de aprovar a Zona Franca de Manaus, considera esse modelo muito concentrador. Ele ressaltou a necessidade do desenvolvimento industrial das demais cidades da região. Para tanto, disse que fará um apelo ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pelo financiamento para a infraestrutura de implantação dessas áreas de livre comércio.

O governo federal informou que estuda alterar a legislação para rever, por exemplo, a exigência da taxa de 80% do faturamento em exportações, percentual considerado muito alto para a participação das indústrias. O ministro Pimentel declarou durante o Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, no mês passado, que em algumas regiões as condições locais também não foram favoráveis para a implantação.

Brasil vai zerar tarifa de importação sobre trigo para atender demanda interna

Agência Brasil
Mariana Branco - Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado à Presidência da República, decidiu na reunião de hoje (5) zerar a tarifa sobre as importações de trigo dos países que não pertencem ao Mercosul (Mercado Comum do Sul). Atualmente, a taxa está em 10%.

A medida vale de abril a julho deste ano, para uma quota inicial de 1 milhão de toneladas do produto, que pode ser elevada a 2 milhões. A informação foi dada pelo secretario de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Célio Porto.

De acordo com ele, a Argentina, principal exportador de trigo para o país, ainda não “bateu o martelo” sobre o volume que poderá fornecer ao Brasil, e por isso a quota de importações do produto com taxa zerada ainda pode ser alterada.

O Brasil tem uma reunião agendada com o país vizinho em 4 de março para discutir o assunto. Outros países, como Uruguai, já definiram a quantidade que estará disponível para exportação.

O secretário informou que a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) pleiteou tarifa zero para 2,5 milhões de toneladas do produto. No entanto, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dispõe de 500 mil toneladas, pode não haver necessidade de reduzir as taxas para quantidade tão grande.

De acordo com Abitrigo, tem havido quebra de safra do produto tanto no Brasil quanto nos países fornecedores, gerando dificuldade para atendimento da demanda nacional.

Edição: Davi Oliveira

Dólar encerra em queda, mas segue acima de R$ 1,98

Brasil Econômico
Dólar encerra em queda, mas segue acima de R$ 1,98Curva de juros futuros fechou em alta. Declaração da presidente sobre desoneração da cesta básica foi interpretada pelos agentes como mais uma indicação de uma política fiscal pouco austera.

O dólar voltou a cair frente ao real no pregão desta terça-feira (5/2), em sintonia com a tendência que prevaleceu no exterior, mas encontrando resistência para romper o "piso" de R$ 1,98.

A moeda americana encerrou os negócios em queda de 0,45%, negociada a R$ 1,986 para venda.

Na avaliação de Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo e economista da NGO Corretora, o governo não terá vida fácil para manter a cotação do dólar abaixo de R$ 2,00 durante os próximos meses, por conta do fluxo de divisas.

Os últimos dados apontam saída de US$ 2,692 bilhões em janeiro, até o dia 25.

O mês de janeiro, que tradicionalmente é melhor no que diz respeito à entrada de dólares para o país, e que teve esse desempenho pouco animador, é o que mantém Nehme cauteloso com os próximos passos do dólar no âmbito interno.

Além disso, a balança comercial brasileira apresenta déficit de US$ 4,035 bilhões no primeiro mês do ano.

"Por enquanto vai assim, sem grandes novidades, dentro do propósito do governo, mas logo adiante vão ter mais dificuldade em manter o dólar nesse patamar", fala o especialista.

A própria utilização do câmbio como controle da pressão de preços, na avaliação de Nehme, se mostra equivocada.

Isso porque, explica o diretor, a inflação do país é estrutural, e está fortemente relacionada com o setor de serviços, menos sensível às variações do dólar que indústria ou comércio.

Para Nehme, a atuação cambial do governo traz mais malefícios do que benefícios, já que desestimula a indústria, que não deve incrementar o nível da oferta, por sua vez, incapaz de dar conta da demanda.

"Meu cenário de médio prazo não é do governo conseguindo manter esse controle do dólar com facilidade", comenta o especialista.

A utilização das reservas internacionais, diz o diretor da NGO, deverão ser necessárias para que o câmbio seja mantido em um patamar que não atrapalhe na inflação.

Juros

A despeito das declarações da presidente Dilma Rousseff, de que o governo está em estudos para verificar a viabilidade da desoneração integral dos produtos da cesta básica, a curva de juros futuros da BM&FBovespa terminou a sessão em alta.

Mais negociado, com giro de R$ 39,973 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2015 subiu de 7,97% para 8,02%, enquanto o para janeiro de 2014 avançou de 7,24% para 7,28%, com volume de R$ 33,656 bilhões.

A declaração da presidente, diz Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Coinvalores, acabou sendo um "tiro no pé", já que o mercado, ao invés de interpretá-la como uma medida que irá ajudar na inflação, a entendeu como mais uma indicação de uma política fiscal pouco austera.

"Os agentes estão com dificuldade de precificar a curva de juros, já que não sabem qual vai ser a política. Quando isso acontece, pedem mais prêmio".

Prorrogado antidumping sobre leite em pó da Nova Zelândia e UE

05/02/2013 17:24Internacional
Ministro Mendes Ribeiro esteve na reunião e destacou importância da aprovação da medida para o setor produtivo brasileiro

Foi aprovada a prorrogação de direitos antidumping por cinco anos sobre a importação de leite em pó da Nova Zelândia e da União Europeia. A proposta foi determinada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), nesta terça-feira, 5 de fevereiro. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, que participou da reunião, destacou a importância da ação para o setor.
“Estou satisfeito pela medida oportuna tomada pelo Governo contra uma prática no comércio internacional que prejudica os produtores de leite no Brasil”, destacou o ministro. A medida aplica-se às importações do produto proveniente da Nova Zelândia, com alíquota de 3,9%, e da União Europeia (14,8%).
Em fevereiro de 2001, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) estabeleceu a aplicação de alíquotas sobre o leite em pó produzido na Nova Zelândia e UE, por cinco anos, após análise de investigação de dumping. O prazo do antidumping havia sido prorrogado anteriormente em fevereiro de 2007.
Fonte: agricultura.gov.br

Dólar retoma queda ante o real, a R$ 1,988 na venda

Dólar retoma queda ante o real, a R$ 1,988 na vendaCurva de juros futuros da BM&F Bovespa tem sessão de estabilidade, dividida entre alta dos mercados e declarações da presidente sobre a desoneração da cesta básica.

Após a alta de 0,30% registrada na véspera, o dólar volta a perder valor frente ao real no pregão desta terça-feira (5/2), mas novamente sem grande intensidade.

Há pouco, a moeda americana tinha desvalorização de 0,35% frente à brasileira, e era negociada a R$ 1,9880 para venda.

"O mercado vai ficar ao redor de R$ 2,00, um pouco pra baixo, um pouco pra cima. Foi o que o Banco Central deixou sinalizado", afirma Ures Folchini, vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB.

"Ao mesmo tempo em que não prejudica a inflação, é um nível bom para o exportador. Não é ideal para nenhum dos dois, mas é um ponto médio, de equilíbrio", emenda o especialista.

O relativo bom humor dos investidores nesta sessão, que favorece a depreciação na taxa do dólar, está relacionado, segundo Folchini, com o bom resultado do PMI de serviços da China, que subiu pela quinta vez seguida, para 53,5 pontos, chegando ao maior nível em dois anos.

Juros

A curva de juros futuros da BM&FBovespa, explica o executivo do WestLB, está sob o efeito de duas forças antagônicas nesta terça, o que a mantém próxima da estabilidade.

Se o exterior traz o otimismo que favorece uma abertura das taxas, por outro lado, as declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a desoneração integral dos produtos da cesta básica geram uma força de baixa.

Mais negociado, com giro de R$ 24,951 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2015 seguia nos mesmos 7,97% do fechamento da véspera, enquanto o para janeiro de 2014 subia de 7,24% para 7,25%, com volume de R$ 19,795 bilhões.

"Nós estamos estudando a desoneração integral da cesta básica dos tributos federais", falou hoje a presidente.

Fonte: Brasil Econômico

Secretário do Ministério da Fazenda diz que desestatização vai tornar IRB-Brasil mais competitivo


Agência Brasil 

Luciene Cruz
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, se reuniu hoje (5) com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Valmir Campelo para discutir a privatização do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB-Brasil Resseguros), maior resseguradora da América Latina, que deve ocorrer ainda este ano.

O governo decidiu desestatizar a IRB-Brasil para tornar a empresa mais competitiva mundialmente. “O IRB, depois do processo de desestatização, terá flexibilidade necessária para competir em condições de igualdade com grandes grupos mundiais. O IRB tem grande potencial de expansão dos negócios, tendo em vista a realidade econômica do Brasil, com obras de infraestrutura, a necessidade de seguros e resseguros se desencadeará”, disse Barbosa.

A transformação do IRB em empresa privada deve ocorrer por meio de um aumento de capital dos atuais sócios privados, diluindo a participação do governo, que deverá se tornar sócio minoritário. “Nós temos capacidade de ter um grande ressegurador de escala de capacidade de competição internacional, baseado no Brasil, tendo participação da União, mas não majoritária, e participação do capital privado, dos principais grupos nacionais”, explicou o secretário executivo.

Para que o processo de privatização ocorra, o governo precisa do parecer favorável dos órgãos de controle: TCU, Banco Central, Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo o governo, com a privatização, o capital do IRB, que atualmente é de cerca de R$ 15 bilhões, pode ser ampliado para R$ 50 bilhões, para estar entre as dez maiores resseguradoras do mundo a longo prazo. “O importante é que ele [IRB] seja livre para buscar capital e ressegurar”, disse Barbosa.

edital com as condições para a desestatização da empresa foi lançado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e publicado no dia 23 de janeiro no Diário Oficial da União. Na próxima semana, o ministro do TCU se reunirá com técnicos do BNDES. A previsão é que o parecer do TCU seja divulgado até 15 de março.

Edição: Lílian Beraldo

Guerra da sucata na pauta da Camex

Autor(es): » DECO BANCILLON
Correio Braziliense - 05/02/2013


A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve tomar uma decisão, hoje, sobre uma disputa bilionária que tem agitado os bastidores da política comercial, em Brasília. A batalha envolve três gigantes do setor siderúrgico, Gerdau, Arcelor Mittal e Votorantim, representadas pelo Instituto Aço Brasil, e as revendedoras brasileiras de sucata ferrosa, reunidas no Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa).
O embate gira em torno do pedido feito pelas siderúrgicas ao
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), em agosto do ano passado, para que o governo crie dificuldades à exportação de sucata ferrosa. Pela proposta, o Brasil passaria a retaliar, na mesma moeda, os países que taxam ou impedem a exportação da matéria-prima, como Argentina, Ucrânia e Emirados Árabes. Ou seja: as vendas para os mercados que cobram uma sobretaxa de 20% nas exportações de sucata, sofreriam a mesma alíquota; e as operações para aqueles que proíbem as exportações seriam simplesmente vedadas.
"Essa medida tem o único objetivo de aumentar ainda mais as gordas margens de lucro das siderúrgicas brasileiras", acusou o presidente do Inesfa, Marcos Sampaio. O comércio de sucata ferrosa movimenta cerca de 10 milhões de toneladas por ano, no país. As exportações, no ano passado, alcançaram 338 mil toneladas.
O Instituto do Aço rebateu a crítica. "No Brasil, toda a sucata processada é comprada pelas empresas produtoras de aço. Como nem sempre a oferta é suficiente, eventualmente somos obrigados a importar", afirmou a entidade, em nota. "(Procuramos o governo) para pleitear não o bloqueio das exportações de sucata, mas sim a reciprocidade de taxas de exportação promovidas por alguns países."
Lobbies
Pelo lado da siderurgia, quem faz, oficialmente, o lobby perante o governo é o presidente executivo do Instituto do Aço, Marco Polo de Mello Lopes, que tem livre trânsito com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A segunda voz a argumentar pela indústria do aço é a do empresário gaúcho Jorge Gerdau, principal conselheiro da presidente Dilma Rousseff no setor privado.
As revendedoras contrataram a empresa de consultoria do ex-ministro do Desenvolvimento no governo Lula, o empresário Miguel Jorge, e do ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral. Contam ainda com os serviços do economista Gesner Oliveira, que presidiu o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entre 1996 e 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Na última quarta-feira, antes de se reunir com representantes do Instituto do Aço, Pimentel afirmou ao Correio ser "muito difícil" acatar o pleito das siderúrgicas. "Essa reciprocidade é condenada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), então acredito que não seja possível atendê-la", disse.
O ministro considerou ainda que a discussão não estava ainda madura para ser levada à Camex. Deve ter mudado de ideia depois da reunião, pois o assunto acabou entrando na pauta do órgão. "Não é possível dizer se haverá uma definição sobre o tema, mas que será levado à discussão, isso já está confirmado", contou uma fonte.

Câmbio faz exportação ser 5% mais rentável

Valor Econômico - 05/02/2013


A desvalorização do real em relação ao dólar contribuiu para elevar em 5% a taxa de rentabilidade das exportações brasileiras no ano passado. O cálculo é da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Exceto o setor de extração de minerais, todos os demais 28 segmentos acompanhados pela Funcex registraram ganho de rentabilidade no ano passado.
Entre os setores que tiveram maior ganho de retorno com as exportações estão máquinas, aparelhos e materiais elétricos (15%), máquinas e equipamentos (14,9%) e produtos de metal (13,7%). Para 2013, porém, diz Rodrigo Branco, economista da Funcex, não são esperadas novas desvalorizações importantes da moeda nacional. A variação cambial, explica, teve em 2012 um efeito mais uniforme e pulverizado na rentabilidade das exportações. Neste ano, porém, ele estima que o dólar deve bater num teto de R$ 2,05, com desvalorização de 2% a 3%, considerando a taxa cambial média em relação ao ano passado. Em 2012, a desvalorização média foi de 17%.
A expectativa de um nível menor de desvalorização para 2013, diz Branco, vem do comportamento recente do Banco Central, que sinaliza a tentativa de encontrar uma taxa de equilíbrio que segure uma aceleração maior da inflação e que, ao mesmo tempo, não retire tanto o ganho de competitividade dado ao exportador por um real mais desvalorizado.
Os preços de exportação, porém, argumenta o economista da Funcex, poderão apresentar melhora ao longo do ano se as expectativas de recuperação econômica dos principais parceiros comerciais do Brasil se concretizarem. O economista estima crescimento de perto de 8% para China e entre 2,0% e 2,5% para Estados Unidos. Um ganho adicional de rentabilidade nos próximos meses, portanto, prevê o economista, poderá ser gerado por essa recuperação de preços.
A Argentina é um destino também visto com boas perspectivas para este ano, diz Branco. Os ganhos com as exportações deverão trazer maior espaço fiscal ao país vizinho, o que facilitará os embarques brasileiros para os argentinos, acredita. "Argentina e Estados Unidos são parceiros importantes para a exportação de manufaturados."
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), é menos otimista. Ele não vê grandes perspectivas para elevação de rentabilidade em 2013 por causa da recuperação de preços de exportação. "Se estivermos falando de commodities, é possível, mas não acredito nesse ganho em manufaturados", diz.
"Não se pode esquecer a alta concorrência", diz Castro. Para ele, um recuperação da demanda internacional será acompanhada de uma disputa acirrada pelos fornecedores. No caso da Argentina, por exemplo, não se sabe se uma maior abertura às importações beneficia o Brasil ou o fornecedor chinês.
Castro estima que em 2013, "na melhor das hipóteses", a taxa de rentabilidade do exportador brasileiro deve permanecer a mesma do ano passado. Na média, portanto, não deve haver ganho em relação ao ano passado.
As exceções ficam por conta de produtos que prometem recuperar o preço em 2013. O minério de ferro é o exemplo mais evidente. No ano passado o preço do minério caiu 25% em relação a 2011, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Para este ano, calcula Castro, a elevação de preço do item deve ficar entre 15% e 20%. "A soja também promete uma recuperação de preços, mas o ganho de rentabilidade depende da evolução do valor do frete."