Na Argentina - Governo pode impor congelamento de preços a outros setores

O Globo - 06/02/2013


Além de grandes redes, mercados médios e pequenos serão afetados
Buenos Aires O congelamento de preços por 60 dias, até 1º de abril, anunciado na segunda-feira pelo governo de Cristina Kirchner, pouco teve de acordo com as grandes redes de supermercados e foi mais uma imposição do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, que pode se estender a outros setores, segundo o jornal "La Nación".
"É muito provável que acordos semelhantes sejam alcançados com outros setores", afirmou a Câmara Argentina de Comércio (CAC) ao jornal argentino.
A medida obteve a aceitação da Associação de Supermercados Unidos (ASU), que reúne as principais redes do setor, como Carrefour, Walmart, Cencosud (Disco, Jumbo e VEA), La Anónima, Coto e Libertad. Ontem, mais uma rede, La Cooperativa Obrera de Bahía Blanca, que não faz parte da ASU, aderiu ao acordo, que deve acabar se estendendo também aos mercados que vendem no atacado, aos de bairro e aos de propriedade de imigrantes chineses.
Por trás da decisão do congelamento está o objetivo de limitar as negociações salariais recém-iniciadas. O líder da Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT), Hugo Moyano, afirmou que o congelamento não afetará as negociações salariais e assegurou que a medida é uma tentativa de "colocar um teto", de 20%, nos reajustes. Ele disse ainda que o congelamento é um sinal de que o governo reconhece que a inflação está fora de controle. Segundo ele, o piso pedido pela CGT será de 25%. Outros sindicatos já falam em 30%.
- Vamos aderir desde que e enquanto nossos fornecedores se comprometerem a nos mandar mercadorias sem aumentos - disse à rádio "El Mundo", segundo o "Clarín", o representante da Câmara de Supermercados Chineses, Miguel Calvete.
Fernando Aguirre, porta-voz da Federação Argentina de Supermercados e Autosserviços (Fasa), que reúne redes de médio porte, disse ao "Clarín" que, se os estabelecimentos medianos forem convocados, "com certeza se unirão" ao congelamento. Mas destacou a importância da participação de produtores e fornecedores.
A Secretaria de Comércio Interior pediu aos consumidores que comparem preços e denunciem abusos. E solicitou aos supermercados que suspendam ofertas durante a medida.