O dólar voltou a cair frente ao real no pregão desta terça-feira (5/2), em sintonia com a tendência que prevaleceu no exterior, mas encontrando resistência para romper o "piso" de R$ 1,98.
A moeda americana encerrou os negócios em queda de 0,45%, negociada a R$ 1,986 para venda.
Na avaliação de Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo e economista da NGO Corretora, o governo não terá vida fácil para manter a cotação do dólar abaixo de R$ 2,00 durante os próximos meses, por conta do fluxo de divisas.
Os últimos dados apontam saída de US$ 2,692 bilhões em janeiro, até o dia 25.
O mês de janeiro, que tradicionalmente é melhor no que diz respeito à entrada de dólares para o país, e que teve esse desempenho pouco animador, é o que mantém Nehme cauteloso com os próximos passos do dólar no âmbito interno.
Além disso, a balança comercial brasileira apresenta déficit de US$ 4,035 bilhões no primeiro mês do ano.
"Por enquanto vai assim, sem grandes novidades, dentro do propósito do governo, mas logo adiante vão ter mais dificuldade em manter o dólar nesse patamar", fala o especialista.
A própria utilização do câmbio como controle da pressão de preços, na avaliação de Nehme, se mostra equivocada.
Isso porque, explica o diretor, a inflação do país é estrutural, e está fortemente relacionada com o setor de serviços, menos sensível às variações do dólar que indústria ou comércio.
Para Nehme, a atuação cambial do governo traz mais malefícios do que benefícios, já que desestimula a indústria, que não deve incrementar o nível da oferta, por sua vez, incapaz de dar conta da demanda.
"Meu cenário de médio prazo não é do governo conseguindo manter esse controle do dólar com facilidade", comenta o especialista.
A utilização das reservas internacionais, diz o diretor da NGO, deverão ser necessárias para que o câmbio seja mantido em um patamar que não atrapalhe na inflação.
Juros
A despeito das declarações da presidente Dilma Rousseff, de que o governo está em estudos para verificar a viabilidade da desoneração integral dos produtos da cesta básica, a curva de juros futuros da BM&FBovespa terminou a sessão em alta.
Mais negociado, com giro de R$ 39,973 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2015 subiu de 7,97% para 8,02%, enquanto o para janeiro de 2014 avançou de 7,24% para 7,28%, com volume de R$ 33,656 bilhões.
A declaração da presidente, diz Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Coinvalores, acabou sendo um "tiro no pé", já que o mercado, ao invés de interpretá-la como uma medida que irá ajudar na inflação, a entendeu como mais uma indicação de uma política fiscal pouco austera.
"Os agentes estão com dificuldade de precificar a curva de juros, já que não sabem qual vai ser a política. Quando isso acontece, pedem mais prêmio".