Preços de importados caíram 3,1%

Apesar do câmbio, preço de importados cai
Autor(es): Por Marta Watanabe | De São Paulo
Valor Econômico - 10/12/2012


Os preços médios em dólar na importação de bens intermediários e de consumo não duráveis caíram. De agosto a outubro, os intermediários importados ficaram 3,8% mais baratos em relação ao mesmo período de 2011. A queda no caso dos bens de consumo não duráveis foi de 3,4% na mesma comparação.

Os preços médios em dólar na importação de bens intermediários e de bens de consumo não duráveis caíram ao longo dos últimos meses. De agosto a outubro, os intermediários importados ficaram 3,8% mais baratos em relação aos mesmos meses de 2011. O preço dos bens de consumo não duráveis caiu 3,4% na mesma comparação.
Responsáveis, juntos, por 52,8% do valor de toda importação brasileira, os dois segmentos contribuíram bastante para a queda de 3,1% no preço médio do total dos desembarques, no mesmo período, segundo cálculos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
Para especialistas em comércio exterior, a queda resulta da combinação entre a superoferta de bens no mercado internacional e a renegociação de preços entre o fornecedor externo e o importador, que dividiram um pouco a desvantagem trazida pela desvalorização do real frente ao dólar.
Como essa desvalorização fez o importado ficar mais caro na conversão para a moeda nacional, o fornecedor externo e o importador negociaram o preço para que o produto desembarcado não refletisse o novo patamar mantido pelo governo desde o início do ano com dólar em torno de R$ 2.
Esse câmbio já provocou renegociação de preços e se reflete nos desembarques atuais, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Rodrigo Branco, economista da Funcex, diz que a renegociação contribui, mas o efeito maior decorre da grande oferta de bens no comércio internacional, que ainda provoca redução de preços dos fornecedores, principalmente onde a demanda doméstica cresce, apesar da desaceleração.
Silvio Campos Neto, economista da Tendências, diz que esse efeito é mais evidente nos intermediários, que representam 45,1% do valor total da importação brasileira. "Isso acontece em razão da ociosidade do setor produtivo em mercados externos importantes", diz.
A queda de preços, diz Campos Neto, é uma tendência dos últimos meses em razão da mudança de perspectiva do crescimento econômico de outros países. Entre o fim de 2011 e o início deste ano, diz, a expectativa era de melhora, o que contribuiu para uma elevação dos preços de importação nos primeiros meses de 2012. Com o decorrer do ano, o nível de melhora estimado, porém, não se concretizou, e, além das preocupações com a zona do euro, o crescimento da China, importante destino das exportações brasileiras, diz, chegou a ser alvo de atenção maior nos últimos meses. "Isso fez tanto os preços de importação como os de exportação perderem força e levou a uma estabilidade nos termos de troca", afirma Campos Neto.
Os dados da Funcex mostram que a queda de preço de importação é um fenômeno que se consolidou nos últimos meses. Em outubro, a redução de preço dos bens intermediários importados foi de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2011. No acumulado até outubro, em razão das variações positivas do início do ano, a queda é menor, de 0,9%, em relação a igual período do ano passado. Na comparação dos 12 meses encerrados em outubro com os 12 meses anteriores, ainda há elevação de 1%.
O mesmo acontece com o preço dos bens de consumo não duráveis. Em outubro, os produtos desembarcados nessa categoria ficaram 6,7% mais baratos em relação a outubro de 2011. No acumulado do ano, a redução de preço foi de 0,2%, enquanto a comparação dos 12 meses encerrados em outubro aponta crescimento de 0,3%.
Os dados da Funcex mostram que, ao contrário dos preços, houve elevação do volume de intermediários e de não duráveis importados. De agosto a outubro, os intermediários tiveram alta de 1,92% na quantidade desembarcada, em relação aos mesmos meses de 2011. Essa elevação, combinada com a queda de 3,8% nos preços no mesmo período, deu origem a uma redução de 1,65% do valor importado de intermediários. Na mesma comparação, os bens de consumo não duráveis tiveram alta de 13,6% no volume importado. Com a redução de preço de 3,4%, o valor importado em não duráveis caiu 9,85% de agosto a outubro.
Rodrigo Branco, da Funcex, diz que o crescimento no volume de intermediários pode indicar recuperação da produção industrial doméstica. Ele ressalta, porém, que é necessário verificar se essa elevação manterá nível de crescimento próximo do de outubro, quando houve alta de 16% na quantidade de intermediários desembarcados, frente ao mesmo mês de 2011. Branco reconhece que a elevação em outubro foi forte, mas lembra que em setembro houve redução de 8% no volume de intermediários.
A alta no volume de importação de não duráveis, diz Branco, reflete a demanda doméstica para esse tipo de bem, acompanhando o desempenho do varejo, o que contribuiu também para colocar a China no topo da lista dos países que mais exportam para o Brasil.
Os dados da Funcex mostram comportamento divergente entre a importação de bens de consumo duráveis e a de não duráveis, tanto em termos de preço quanto de volume. Enquanto os não duráveis apresentaram nos últimos meses queda de preço e aumento de volume, os duráveis ficaram, de agosto a outubro, 1,9% mais caros que em iguais meses de 2011. O volume, no mesmo período, teve redução de 19,3%.
José Augusto de Castro, da AEB, diz que os preços podem ser explicados pela medida do governo que elevou em 30 pontos percentuais, a partir de dezembro do ano passado, o IPI de importados. Até dezembro de 2011 ainda havia desembarques representativos de veículos coreanos e chineses, que contribuíam para baixar o preço do mix de importação de carros.

Governo simplifica regras para exportação

Autor(es): Por Thiago Resende e Lucas Marchesini | De Brasília
Valor Econômico - 10/12/2012


Em mais uma tentativa de estimular as exportações, que caem cerca de 5% em relação a 2011, o governo federal simplificou processos de embarques para o exterior. Diante da crise internacional, a medida visa "aumentar a competitividade do setor exportador brasileiro", informa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Apesar de reduzir custo burocrático, as alterações, na avaliação de especialistas, não devem ter forte impacto nas vendas internacionais.
Mudaram as regras de financiamentos privados às exportações. Mais produtos poderão ter cláusulas no contrato a respeito dos riscos de transporte de mercadoria. Nos casos de descontos pelo recebimento de bens com defeito, alguns documentos não serão mais necessários. A liquidação do regime de drawback - quando há desoneração de impostos na importação vinculada a um compromisso de exportação - também sofreu alterações.
Essa ação é o "primeiro passo de uma revisão completa" das normas de importação, exportaçãoe drawback, disse o coordenador geral de normas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic, Flávio Scorza, em entrevista ao Valor.
"Boa parte da regulamentação segue regras estabelecidas há bastante tempo. Este é um trabalho de limpeza desses instrumentos antiquados", completou.
A partir da segunda semana de janeiro, os financiamentos privados às exportações não precisarão mais de autorização prévia da Secex. Nos casos de financiamento público das operações, a exigência será mantida.
Também não haverá mais restrições balizadas de acordo com prazos para pagamentos dessas operações. Anteriormente, era obrigatória a declaração antecipada sempre que o prazo de pagamento do financiamento ultrapassasse 360 dias.
Outra mudança ocorreu na parte contratual de exportação vinculada aos riscos de transporte de mercadoria. Agora, mais produtos podem conter cláusulas relacionadas a condições em que o bem deve chegar ao destino, como "riscos de inadequação da qualidade e de deterioração da mercadoria ou de perda de parcela durante o transporte", explicou o Mdic.
Foi eliminada a necessidade de documentação no caso de descontos pelo recebimento de produtos com defeito. Papéis para, por exemplo, comprovar pagamento de tributos não serão mais necessários em casos de liquidação de drawback em que não ocorre a exportação.
Para o economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) Rodrigo Branco a simplificação de processos de exportação feita pelo governo federal é "tópica" e não deve "causar alteração fundamental no perfil exportador no curto prazo". Disse que as mudanças devem ter mais impacto em pequenas e médias companhias de manufaturados.
Isso gera um impacto marginal nas exportações brasileiras, visto que "a maior parte da pauta exportadora é de commodities, de produtos básicos", completou Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria. Em relação à simplificação no processo de financiamento privado aos embarques, ele acredita que a medida reduzirá o custo burocrático para o pequeno exportador, que não "tem muito peso", mas obterá uma rentabilidade maior nas operações.

Seguro de crédito à exportação

Autor(es): Antonio Penteado Mendonça
O Estado de S. Paulo - 10/12/2012


Com a globalização, hoje, é comum encontrarmos pro­dutos de uma marca euro­peia fabricado na China e sendo vendido mais barato num shoppingcenter de Dubai. Ou uma sandália brasileira comercializada por uma loja virtual norte-america­na, com a operação girando na índia e a remessa feita através de um depó­sito no México.
Cada vez mais as fronteiras vão caindo, abrindo espaço para um mundo acelerado, que interage fre­neticamente, por meio das redes so­ciais, dos e-mails, torpedos e o mais à disposição da comunicação instantâ­nea.
O processo parece irreversível. E o Brasil está inserido nele. Os produtos brasileiros são embarcados para os qua­tro cantos do mundo, com o leque va­riando desde minério e grãos in natura, até produtos altamente sofisticados, como os aviões da Embraer.
Ao longo dos últimos anos, o país tem aberto novos apoios de negócio, comprando e vendendo de e para na­ções que até algum tempo atrás a maio­ria da população mal sabia que exis­tiam.
Empresas brasileiras saíram das fron­teiras nacionais, dispostas a conquis­tar novos mercados, e várias delas acer­taram no alvo, com seu faturamento cada vez mais dependendo de seus ne­gócios internacionais.
Toda atividade empresarial pressu­põe um risco. Pode ser maior ou me­nor, pode ser minimizado por ações es­tratégicas ou pela contratação de apóli­ces de seguros, mas não há atividade econômica que em algum momento não fique sujeita a perdas e danos. E se os prejuízos podem ocorrer nos negó­cios realizados no país, imagine os ris­cos de entrar no mercado internacional, vendendo para empresas e gover­nos instalados em países que, muitas vezes, são conhecidos apenas por servi­rem de cenário ou enredo para alguma
; novela. Exagero? Pergunte para o po­vão o que ele sabe da índia ou, mais recentemente, da Turquia. Neste cenário, em princípio hostil pa­ra o exportador brasileiro, em decor­rência do desconhecimento dos usos e costumes do país para o qual pretende exportar, todo cuidado é pouco. Não porque o comprador seja essencial­mente desonesto, mas porque suas prá­ticas podem ser completamente dife­rentes das nossas.
Entrar no mundo apenas com a cara e a coragem invariavelmente não dá certo. Os navegadores portugueses sabiam disto há quase 600 anos. Por to­ mar todos os cuidados possíveis e planejar detalhadamente cada passo para alcançar seu objetivo, a partir de meados de 1400, Portugal descobre continentes, ilhas, povos e riquezas até então desconhecidos da Europa.
Atualmente, o comércio internacio­nal ganhou velocidade e segurança, mas isso não significa que o exporta­dor não está sujeito avariáveis que po­dem comprometer o faturamento con­sequente de suas vendas.
O primeiro grande risco é o calote puro e simples do comprador da merca­doria. Neste caso, o mais comum é a pessoa no exterior receber os bens, fi­car com eles e simplesmente deixar de pagá-los. E a forma mais simples de evi­tá-lo é a venda avista, com o embarque sujeito à confirmação do pagamento.
Mas nem sempre as coisas aconte­cem com tanta facilidade. Pode aconte­cer de um parceiro tradicional, por uma razão ou outra, simplesmente dei­xar de pagar uma compra vultosa.
E pode também acontecer das autori­dades do país onde o comprador está instalado, por alguma razão econômi­ca, política, ou ideológica, proibir o comprador de efetuar o pagamento das mercadorias ou bens na forma avençada.
Em todos estes exemplos o expor­tador brasileiro acaba ficando com o prejuízo. É preciso dizer que o calo­te não é a regra. Que a imensa maio-1 ria dos contratos de compra e venda internacionais são honrados regular­mente, sem nenhum tipo de atraso; significativo. Mas há os que não são, e aí, como fazer para minimizar as perdas?
A resposta passa por um produto\ chamado "seguro de crédito à expor­tação". Hoje, ele é cada vez mais pro­curado. Suas cláusulas oferecem ga­rantia tanto para o risco do negócio, como para o risco político. Daí sua importância para o exportador brasi­leiro.

Armadores acham positivo a criação de um teto de preço na praticagem


Por Fernanda Pires | Para o Valor
SANTOS - O decreto publicado hoje, no Diário Oficial da União, que cria a Comissão Nacional para Assuntos de Praticagem estabelece uma revolução ao propor um teto máximo de preço. A expectativa era que a comissão apenas propusesse formas de regular o preço, mas o decreto foi além do esperado pelos armadores, que são obrigados a contratar o serviço de manobra de embarcações na entrada e saída dos portos. O serviço é compulsório e não tem concorrência.
A negociação de preços é alvo de embates entre as partes. Quando não há consenso, a Marinha fixa os preços, por meio da Diretoria de Portos e Costas (DPC). Hoje, são 12 processos concluídos; dois encerrados (houve conciliação); três interrompidos; e um recém-iniciado. Mesmo sem pagamento, o prático não pode deixar de atender o navio.
O diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação (Centronave), Claudio Loureiro, afirma que a criação da comissão "é muito positiva". Para ele, o mais importante agora é saber se haverá alguma regra de transição entre o momento atual, em que a DPC tem o poder legal de arbitrar preços, e o momento que a comissão estará estruturada para fazê-lo. Pelo decreto, ela deverá ser estruturada em 30 dias.
Segundo o presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Ricardo Falcão, a comissão será ideal para "desmistificar" o trabalho dos práticos no Brasil.
"Não temos problema com isso. Eles vão determinar quanto vale o serviço. O principal é a gente acreditar que vai ser algo isento", disse.
Para ele, o binômio "maior movimentação possível com menor preço possível", que foi o mote do pacote de portos, não quer dizer "a menor tarifa". "Acredito que em muitas situações o preço venha até a aumentar. Se Deus quiser vamos encerrar essas ações judiciais", disse Falcão.
O Brasil tem 22 zonas de praticagem no total.
(Fernanda Pires | Valor)

MDIC altera regras para simplificar exportações

Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC) publicou hoje (7) no Diário Oficial da União uma portaria que, segundo o órgão, simplifica as operações relacionadas às exportações brasileiras.

As novas regras eliminam a necessidade de autorização prévia da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para financiamentos privados à exportação; diminuem as exigências para concessão de descontos em bens com defeito e determinam que a Secex não pode mais restringir os produtos a serem objeto de cláusula contratual prevendo risco de inadequação, deterioração ou perda; e dispensam a apresentação de documentos comprovando o pagamento de tributos quando não ocorre exportação e há liquidação do regime drawback (regime de desoneração mediante compromisso de exportação).

De acordo com o diretor do Departamento de Normas e Competitividade do Comércio Exterior da Secex, André Favero, as normas foram alteradas para eliminação de procedimentos que não são mais necessários. "A legislação anterior impunha rigorosos controles ao financiamento de exportações que se justificavam no passado. Porém, como a evolução da situação econômica do país, foi possível revisar as normas", disse.

Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, a Secex fez uma consulta pública aos operadores de exportação antes de mudar as normas.

Edição: Aécio Amado

Governo prevê redução de 20% no custo de fretes marítimos

Valor Econômico - 07/12/2012


O governo estima que as ações nos portos anunciadas ontem vão diminuir os custos dos fretes marítimos em cerca de 20%. A redução será sentida na medida em que os investimentos forem amadurecendo, até 2017, segundo o ministro dos Transportes, Paulo Passos. "É possível imaginar uma queda de 20% no frete", afirmou.
Além da liberação de terminais privativos e da relicitação de 55 áreas públicas que estão arrendadas a empresas, o pacote divulgado ontem pela presidente Dilma Rousseff inaugura o sistema de concessões de novos portos organizados, o que envolve tanto a administração quanto a operação do empreendimento.
Três novos portos serão concedidos: o Porto Sul (BA), o Porto de Manaus (MA) e o Porto de Águas Profundas (ES). Juntos, eles exigirão investimentos de R$ 4,3 bilhões até 2015, conforme estimativas feitas pelo ministro-chefe da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino. O Porto de Imbituba (SC), único totalmente privado hoje no país e cuja concessão de 70 anos expira no dia 15 deste mês, será relicitado em 2013.
O governo resistiu às pressões empresariais para desestatizar as companhias docas, mas resolveu fazer uma experiência de transferir o pequeno porto de Malhado, em Ilhéus (BA), para a iniciativa privada. Hoje ele é administrado pela Codeba e tende a ficar esvaziado com o Porto Sul, a menos de 15 quilômetros dali. Com menos operações e voltado basicamente ao transporte de passageiros, bem como para a movimentação de cacau, ele deixará de ser gerido pela estatal. Todos os contratos de concessão valerão por 25 anos.
Para atrair o interesse privado, o governo assegura que não faltarão recursos do BNDES, com financiamento para até 65% dos investimentos. A linha a ser oferecida pelo banco terá juros da TJLP e um adicional de 2,5%, no máximo, com três anos de carência e até 20 anos de amortização.
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) ficará encarregada de realizar todo o processo licitatório que envolva a concessão de portos e o arrendamento de instalações portuárias. Pelas regras, vencerá a concessão a empresa ou consórcio que apresentar maior capacidade de movimentação de carga, com a menor tarifa possível.
O critério de maior valor de outorga, que até hoje definia as licitações para arrendamentos de terminais, não será mais usado. Dilma justificou a decisão de adotar a menor tarifa como novo critério. "O nosso objetivo não é arrecadar para o Tesouro Nacional", disse a presidente. "No passado, isso pode ter feito sentido porque tínhamos um problema sério no Brasil, no que se refere às finanças públicas. Agora, estamos no momento da competitividade. Queremos a maior eficiência possível", completou.
Uma das ações previstas no pacote é o aumento de fiscalizações dos serviços de praticagem, operações que apoiam a manobra das embarcações durante a chegada e saída dos portos. Os serviços serão administrados por uma "comissão nacional", que também ficará encarregada de definir os preços cobrados pelos prestadores desses serviços. Pela nova regra, navios com até 5 mil toneladas poderão entrar nos portos sem a exigência de contratar práticos.

Governo aplica antidumping definitivo sobre talheres integralmente fabricados em aço inoxidável importados da China.


Camex publica Resolução Nº 87, de 5 de dezembro de 2012, Diário Oficial de 06/12/2012 e aplica direito antidumping definitivo, por um prazo de até 5 (cinco) anos, às importações brasileiras de talheres integralmente fabricados em aço inoxidável, originárias da República Popular da China.

Com a publicação da norma é encerrada a investigação com a aplicação de direito antidumping definitivo, às importações brasileiras de talheres integralmente fabricados em aço inoxidável, de elevado padrão, classificados nos itens 8211.10.00, 8211.91.00, 8215.20.00 e 8215.99.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM/SH, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica, no montante de US$ 19,70/kg (dezenove dólares estadunidenses e setenta centavos por quilograma).


Governo planeja investir R$ 54,2 bilhões em portos

Brasil Econômico   (redacao@brasileconomico.com.br) 
06/12/12 12:59


As ações para os portos são decorrentes do Programa de Investimentos em Logística, lançado em agosto.
O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira (6/12) que investirá R$ 54,2 bilhões na modernização da infraestrutura e na gestão portuária brasileira.
Da total, R$ 31 bilhões serão aplicados em 2014 e 2015 e R$ 23,2 bilhões entre 2016 e 2017.
As ações para os portos são decorrentes do Programa de Investimentos em Logística, lançado em agosto para os setores ferroviários e de transporte, com o objetivo de aumentar o ganho de produtividade e a competitividade da área portuária do país.
As medidas preveem um novo marco regulatório para os portos brasileiros a fim de permitir a regulação do serviço de praticagem, a eliminação de barreiras, a abertura de chamadas públicas para Terminais de Uso Privativo (TUPs) e a agilização de processos de arrendamentos e de licenciamentos ambientais.
Os portos beneficiados na região Sudeste são: Espírito Santo, Rio de Janeiro, Itaguaí e Santos; no Nordeste, Cabedelo, Itaqui, Pecém, Suape, Aratu e Porto Sul/Ilhéus; no Norte, Porto Velho, Santana, Manaus/Itacoatiara, Santarém, Vila do Conde e Belém/Miramar/Outeiro; e no Sul, Porto Alegre Paranaguá/Antonina, São Francisco do Sul, Itajaí/Imbituba e Rio Grande.
Ainda estão previstos outros R$ 2,6 bilhões para investimentos em acessos hidroviários, rodoviários, ferroviários e em pátios de regularização de tráfego nos 18 principais portos públicos brasileiros, sendo R$ 1 bilhão do Ministério dos Transportes.
O restante será executado principalmente pelos estados e iniciativa privada.



Governo muda IOF para facilitar ingresso de divisas e dólar cai

Autor(es): João Sorima Neto Cristiane Bonfanti
O Globo - 06/12/2012


Moeda americana tem queda de 0,89%, para R$ 2,097
O governo federal reduziu para um ano o prazo dos empréstimos externos sujeitos à alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Até ontem, a alíquota valia para as captações no exterior com prazo de até dois anos. Com a medida, vista como uma forma de conter a alta do dólar e a consequente pressão inflacionária, a moeda americana fechou ontem com queda de 0,89%, cotado a R$ 2,095 na compra e R$ 2,097, a maior baixa percentual desde o dia 3 de agosto, quando a divisa se desvalorizou 1,12%. Na máxima do dia, a divisa foi negociada a R$ R$ 2,110 e, na mínima, a R$ 2,097.
A mudança na regra dos empréstimos externos foi realizada por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que a medida permite a captação num período mais curto sem o pagamento do IOF de 6%.
- Achamos que, com a taxa de juros mais baixa aqui no Brasil, não existe mais aquela atração de capital especulativo e de arbitragem. Então, aquilo que é captado lá fora hoje é para capital de giro e para investimento. Então, estamos facilitando para que os bancos e as empresas possam captar recursos lá fora sem IOF acima de 360 dias - disse Mantega.
Ele negou que a medida vise a conter a inflação. Mas admitiu que a pressão sobre os preços é uma preocupação permanente. Reforçou que, com a redução das taxas de juros, o dinheiro que entra no país vai para a atividade produtiva:
- É para permitir uma captação maior para investimento e capital de giro. Facilitar a vida de empresas e bancos.
Apesar da queda expressiva do dólar ontem, a moeda americana acumula alta de 12,23% desde janeiro. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um dia de volatilidade, mas acabou encerrando o pregão em alta de 0,2% aos 57.678 pontos e volume negociado de R$ 6,6 bilhões.
Anteontem, o governo já havia flexibilizado as regras para antecipação de receitas deexportação, sem cobrança de IOF. O prazo foi ampliado de um para cinco anos. Na véspera, após o dólar bater R$ 2,13, o Banco Central (BC) fez três intervenções no mercado para conter a alta da moeda.
- Estimulando a entrada de dólares, o governo tenta segurar o movimento de alta - disse João Medeiros, sócio da corretora de câmbio Pionner.
fluxo cambial fica positivo
Para Sidnei Nehme, da corretora de câmbio NGO, o governo está tirando as travas que colocou para a entrada de dólares. O objetivo é evitar que a cotação fuja ao controle e pressione a inflação em 2013. Nehme viu a medida de ontem como positiva, já que as empresas estão fechando seus planos para 2013 e podem incluir nos orçamentos a tomada de empréstimos de mais de um ano sem o IOF.
Pela primeira vez desde julho, o fluxo de dólares - entrada e saída da moeda estrangeira no país - ficou positivo. Em novembro, as entradas superaram as saídas em US$ 4,9 bilhões, melhor resultado desde abril, segundo o BC. Em outubro, o saldo ficara negativo em US$ 3,8 bilhões. No ano, o fluxo total - transações financeiras, importações e exportações - está positivo em US$ 23,5 bilhões, ante US$ 67,2 bilhões no mesmo período de 2011.

Governo pede e TCU adia decisão sobre portos

Autor(es): MÔNICA CIARELLI , MARIANA DURÃO
O Estado de S. Paulo - 06/12/2012


Por pressão do governo, o Tribunal de Contas da União (TCU) retirou da pauta de investigação um processo contra quatro terminais privativos

 
Às vésperas do anúncio pelo governo das medidas de estímulo ao setor portuário, o Tribunal de Contas da União (TCU) retirou da pauta um processo que aponta irregularidades na atuação de quatro terminais privativos no País. O adiamento, segundo apurou a "Agência Estado", foi uma determinação do governo para evitar ruídos que tumultuassem a divulgação do pacote.
Uma fonte no gabinete do relator admite a intervenção do governo no julgamento do TCU. O adiamento foi decidido após um telefonema da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), ao relator do processo, o ministro do TCU Raimundo Carreiro. "É uma questão de não perder tempo. Imagina se o TCU faz uma série de recomendações e a MP já as contempla? É técnico. Perde o objeto. Por isso o ministro atendeu o pedido", diz a fonte.
Na quarta-feira da semana passada, logo após a sessão do TCU, Ary Braga, a chefe de gabinetedo ministro Raimundo Carreiro, revelou a um interlocutor a orientação do governo para que o caso saísse do circuito até que as novas regras do setor viessem a público. O ministro já havia preparado o seu voto. Procurada pela Agência Estado, a assessoria da Casa Civil não se manifestou.
Na prática, a recomendação seria que a Antaq tomasse providências para regularizar a situação desses terminais. Entre elas, estabelecer os volumes mínimos de carga própria a ser movimentada por eles e como solucionar a questão para aqueles autorizados antes da Resolução 517/2005, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e o decreto 6.620/08, que criou essa restrição aos terminais privativos. A decisão do TCU seria embasada no marco regulatório pré-pacote, o que poderia abrir brecha para questionamentos.
Em nota, o TCU confirmou que foi informado pelo ministério sobre o pacote e diante de uma possível alternação no desfecho do processo, optou por aguardar o novo marco regulatório. Essa foi a segunda vez que o caso foi retirado de pauta pelo relator desde setembro, quando a área técnica do TCU concluiu o parecer sobre a ilegalidade das atividades nesses portos. Fontes no setor argumentam que o relatório técnico está bem completo e não haveria motivos para a demora no julgamento.
Os alvos do TCU são os terminais de Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport, SP),Portonave (SC), Cotegipe (BA) e Itapoá (SC).
O assunto foi encaminhado ao TCU pela Federação Nacional dos Portuários (FNP), em 2009. A briga de entidades como a Associação Brasileira dos Terminais de Conteineres Públicos (Abratec) contra esses terminais privativos de uso misto (TUPM) é antiga. Elas pedem isonomia, alegandoque apesar de autorizados pela Antaq como privativos, eles operam carga de terceiros, prestando um serviço público.
Mesmo sem comprovar a operação de carga própria relevante, esses terminais de uso misto operam sob regras mais flexíveis, enquanto os terminais públicos arrendados à iniciativa privada têm ônus, como pagar arrendamento à União.
A interferência da ministra do julgamento do TCU ocorreu algumas semanas após o escândalo da máfia dos pareceres, desvendado pela Operação Porto Seguro, ter vindo à tona. Um dos maiores negócios flagrados na investigação foi o complexo portuário da Ilha de Bagres (São Paulo) do ex-senador Gilberto Miranda. No cargo de advogado geral adjunto da União, José Weber Holanda, teria ajudado o ex-senador na aprovação do projeto de um complexo portuário de R$ 2 bilhões na ilha de Bagres, área de proteção permanente ao lado do porto de Santos.

Confaz regulamenta alíquota de ICMS para os importados

Autor(es): Por Laura Ignacio | De São Paulo
Valor Econômico - 05/12/2012


O secretário-executivo do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), Manuel dos Anjos, ratificou o convênio que regula a aplicação da alíquota de 4% do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as operações interestaduais com importados. Foi publicado ontem no Diário Oficial da União o Ato Declaratório nº 18, que seria a última etapa para que a novidade entre em vigor em janeiro de 2013.
No início de novembro, foi publicado o Convênio ICMS do Confaz nº 123 com regras para o cumprimento da resolução. A norma determina que a alíquota de 4% não será aplicada para mercadoria isenta do imposto por lei e nas hipóteses de "benefício fiscal que resultar em carga tributária menor que 4%, vigente em 31 de dezembro de 2012". O Confaz ratificou o convênio.
Há pelo menos dez convênios que atribuem hipóteses de redução da base de cálculo do ICMS e resulta em tributação inferior à alíquota de 4%. E outros 15 criam isenções do imposto. "Para a aplicação da alíquota estabelecida na Resolução do Senado nº 13, de 2011, os contribuintes deICMS deverão observar as isenções e as reduções de base de cálculo, aprovadas no Confaz, que resultem em carga tributária inferior à 4%, pois elas serão mantidas", diz o advogado Marcelo Jabour, diretor da Lex Legis Consultoria Tributária.
Somente o Senado pode reduzir a alíquota do ICMS que incide nas operações interestaduais. A Resolução do Senado nº 22 prevê a alíquota de 7% nas operações do Sul e Sudeste para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por isso, os Estados usavam a redução na base de cálculo e isenções para atrair negócios.
O Convênio ICMS nº 100, de 1997, por exemplo, reduz a base de cálculo do imposto em 60% nas operações com insumos agropecuários, como inseticidas, quando o produto sai do Sul ou Sudeste, exceto Espírito Santo, e vai para outro Estado do Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou Espírito Santo. A alíquota e carga tributária que antes era de 7% nesses casos, passa a ser de 2,8%.
"Com a aplicação do Convênio 123, se uma empresa paulista importar inseticida e vender para empresa no Nordeste, mesmo após a entrada em vigor da Resolução nº 13, a carga tributária desse produto permanecerá em 2,8%", afirma Jabour.
O mesmo ocorrerá nas operações do Sul e Sudeste para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste com sementes genéticas certificadas, insumos para a produção de adubo, rações animais e suplementos, refeições coletivas (nesse caso a carga tributária será de 3,2%) e bolas de aço forjadas e fundidas destinadas aos exportadores de minério.
Entre as isenções que serão mantidas estão as relacionadas a produtos de hortifruti, veículos para portador de paraplegia, alguns medicamentos, equipamentos de energia solar ou eólica, locomotivas e embarcações.
"Em relação às isenções, o impacto envolve todas as regiões do país e nas hipóteses de redução da base de cálculo, alcança notadamente as operações originadas nos Estados das regiões Sul e Sudeste, destinados às regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Espírito Santo", diz Jabour.
A Resolução do Senado nº 13 criou a alíquota unificada na tentativa de reduzir a guerra fiscal entre os Estados.

BC amplia para 5 anos o pagamento antecipado a exportador

Autor(es): Cristiane Bonfanti
O Globo - 05/12/2012


Analistas veem tentativa de segurar o câmbio. Dólar recua a R$ 2,116
BRASÍLIA e SÃO PAULO O Banco Central (BC) recuou em uma das medidas macroprudenciais anunciadas em março e ampliou ontem, de um para cinco anos, o prazo para o pagamento antecipado a exportadores, modalidade isenta de taxação. Em março, a autoridade monetária havia determinado que quem quisesse receber antecipadamente por suas vendas teria de enviar os produtos para o exterior em até um ano. À época, além de limitar o período das operações, antes sem prazo definido, o BC determinara que fossem feitas apenas por companhias sediadas no exterior que compram os produtos brasileiros. A justificativa era evitar o "tsunami monetário", ou entrada excessiva de dólares no país.
Em junho, houve o primeiro recuo. Diante do fluxo negativo do comércio exterior, o BC permitiu a retomada do pagamento antecipado, uma espécie de linha de capital de giro para financiar as exportações. Agora, para aumentar a entrada de dólares e amenizar a pressão sobre o câmbio, o governo aumentou o prazo.
Operações acima desse prazo continuarão pagando alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobrada sobre captação de empréstimos no exterior. Oficialmente, o BC informou que "há uma demanda dos exportadores por operações de financiamento de exportação mais longas".
José Luís Oreiro, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), avaliou que, na prática, o BC busca desvalorizar o câmbio. Apesar de a equipe econômica negar uma intervenção, o governo tem mantido uma banda informal entre R$ 2 e R$ 2,10.
- Há uma percepção dentro do governo de que o real tem de se desvalorizar mais frente ao dólar, e as medidas do Banco Central são no sentido de produzir esse tipo de desvalorização - disse Oreiro, ressaltando, porém, esperar impacto limitado dessa medida, por não afetar a rentabilidade dos exportadores.
Em São Paulo, o dólar comercial encerrou ontem em queda, mas ainda no patamar de R$ 2,11. A moeda americana recuou 0,18%, a R$ 2,116. No ano, acumula alta de 13,25%. Para analistas, o mercado refletiu o anúncio do BC.
- O governo corrigiu uma distorção das medidas macroprudenciais, anunciadas em março passado, para evitar o esperado "tsunami cambial", que poderia valorizar o real. Com essa medida, amplia-se a liquidez no mercado de câmbio, já que mais dólares devem entrar no país - disse João Medeiros, sócio da corretora Pioneer.

BC amplia prazo de operações de empréstimos para pagamento antecipado de exportações


04/12/2012 - 9h58

Kelly Oliveira*

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Banco Central (BC) divulgou hoje (4) circular que amplia o prazo de operações de pagamento antecipado (PA) de exportações. O prazo para fazer a antecipação, em relação à data do embarque da mercadoria ou da prestação do serviço, passou de 360 dias para 1,8 mil dias (cinco anos).

O BC informou que fez uma avaliação do mercado e percebeu que essas operações estavam em falta no mercado, mesmo com o aumento da demanda.

Em 2011, essas operações, acima de um ano, chegaram a US$ 23,3 bilhões, o que representou 9% das exportações totais. Em janeiro e fevereiro de 2012, as operações somaram US$ 5 bilhões, ou 13% das exportações.

Em março, o BC editou uma circular que limitou o prazo para o envio das mercadorias em até 360 dias. Segundo o BC, anteriormente, o governo queria evitar que exportadores pegassem esse tipo de empréstimo como forma de fugir do pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas agora a percepção é de que há real interesse por esse tipo de financiamento às exportações. 

A medida também  pode ampliar a quantidade de dólares disponíveis no país e influenciar a taxa de câmbio.

*O texto foi alterado para correção e acréscimo de informações. // Edição: Lílian Beraldo

Dilma: regras para portos darão estabilidade ao investimento no setor

O Globo - 04/12/2012
País tem 98 terminais com licenças vencidas ou a vencer, que terão de se adequar

Chico de Gois
Enviado especial
Paulo Justus

SÃO LUÍS e SÃO PAULO No Maranhão, onde participou da cerimônia de ampliação do Porto de Itaqui, a presidente Dilma Rousseff disse que o pacote de medidas para os portos, que será lançado esta semana, terá um conjunto de novas regras regulatórias, ações e investimentos. Segundo Dilma, as medidas têm o objetivo de dar estabilidade ao investimento no setor, ampliar a competitividade e reduzir a burocracia.

- Vamos apresentar um conjunto de ações e investimentos em novas regras regulatórias para dar estabilidade ao investimento, ampliar a competitividade e assegurar eficiência. Quinta-feira vamos lançar uma legislação de portos e definir o conjunto de investimentos que serão tornados possíveis sempre olhando essa grande parceria entre governo estadual, federal e também trazendo a iniciativa privada - disse.

De acordo com a presidente, ter portos eficientes é um dos desafios da área de infraestrutura de transportes do país. Dilma também destacou a importância do planejamento a longo prazo no setor portuário para fortalecer a gestão, reduzir custos e elevar a eficiência:

- Um dos desafios está aqui, em portos eficientes. Com eles, vamos diminuir os custos e melhorar os ganhos do agronegócio, reduzir os custos dos nossos produtos industrializados, vamos aumentar a nossa competitividade no que se refere a mercado internacional.

Dilma inaugurou ontem o Berço 100 e o alargamento do cais do Porto de Itaqui, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que consumiu R$ 139,5 milhões, e defendeu a desburocratização de procedimentos. A presidente disse que a ampliação de um porto viabiliza a construção de ferrovias, rodovias e a atração de indústrias.

Da quantia total de mais de R$ 40 bilhões que deverão ser anunciados no Programa de Investimentos em Logística para a área de portos, estarão investimentos de curtíssimo prazo da ordem de R$ 10,3 bilhões nos terminais portuários com licenças vencidas ou a vencer. O cálculo é da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP). O programa vai propor que, para renovar os contratos, as empresas invistam em adaptações de antigas instalações.

um limbo regulatório

Dos 98 terminais nessa situação, pelo menos 55 que estão atualmente operantes terão condições de aderir à proposta. Outros cerca de R$ 10 bilhões devem ser propostos para investimentos em terminais de grãos e algo em torno de R$ 11 bilhões em terminais de contêineres, pelo programa. Boa parte desses investimentos - a maioria privados, exceto pelas estatais com terminais - deve ser desembolsada nos próximos 12 meses. A quantia restante será de novos investimentos e concessões.

Na expectativa do anúncio do novo pacote, terminais com contratos antigos e assinados sem passar por licitação pública vivem numa espécie de limbo regulatório. Para manter as portas abertas, muitos conseguiram liminares na Justiça, como os grupos de agronegócio Louis Dreyfus e Fischer, que operam no Porto de Santos (SP).

Há operações com contratos já vencidos. A Transpetro, subsidiária da Petrobras na área de armazenagem de petróleo e derivados, mantém dois terminais nessa condição. No porto de Cabedelo (PB), usado para suprir o mercado de derivados de petróleo da Paraíba, o contrato de concessão expirou em 2009. Já no Porto de Itaqui, a concessão do terminal utilizado para suprir os mercados de Maranhão, Piauí, parte do Pará e Tocantins venceu em 2004. A estrutura é utilizada como entreposto de importação e cabotagem de derivados para atendimento aos mercados de Manaus até Salvador.

Essas concessões foram assinadas antes da Lei dos Portos, de 1993, quando não havia exigência de processo licitatório. ( Colaborou Danilo Fariello)

O tamanho da encrenca

Autor(es): José Paulo Kupfer
O Estado de S. Paulo - 04/12/2012


O choque com o crescimento econômico muito abaixo do previsto, no terceiro trimestre, desencadeou um movimento instantâneo de revisão das projeções para este ano e o próximo, mas não ficou só nisso. A surpresa com o resultado decepcionante destampou a caixa das análises do fim do mundo. Da volta dos parâmetros mais rígidos do famoso "tripé" ao reforço das atuais políticas, com ações mais agressivas no câmbio e nas isenções fiscais, variadas receitas para fazer o bolo crescer mais rápido voltaram a ser oferecidas.
É bem claro que o pessimismo se alastrou com os erros evidentes de previsão sobre o desempenho da economia. Os desvios entre as projeções e os números divulgados pelo IBGE pegaram, no mesmo contrapé, tanto analistas de mercado quanto o governo, com a insigne liderança do Banco Central. Havia se formado um consenso de que a recuperação da economia ganharia fôlego no terceiro trimestre, com uma expansão de pelo menos 1% - taxa que anualizada apontaria um ritmo de crescimento de 4%. O avanço de 0,6% - 2,42% anualizados - não só jogou água fria na fervura, mas também lançou sérias dúvidas sobre a qualidade dos modelos de previsão. O que levou à falha chocante? Aguardam-se explicações.
O susto com a evolução do crescimento na metade do previsto deixou sem chão qualquer tentativa de avaliar a conjuntura do momento com lentes mais rosadas. Sim, a curva do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral é ascendente, a indústria voltou a crescer e os fundamentos macroeconômicos encontram-se relativamente em ordem. Apesar de não se encontrarem em zonas confortáveis, nem inflação nem contas públicas mostram sinais de descontrole. Mas a perspectiva de que o governo Dilma, em seus quatro anos, não consiga entregar crescimento médio anual melhor do que um máximo de 3% produziu a percepção imediata de que a política econômica não está funcionando.
Pode-se localizar esse desconforto no fato de que os investimentos, apesar do ativismo do governo, teimam em não deslanchar. Já se sabia - ou, pelo menos, já se devia saber - que não seria fácil fazer a taxa de investimento despregar dos pouco mais de 17% do PIB em que ancorou ao longo dos oito anos do governo Lula. A economia cresceu, no período, a uma média anual razoável de 4,3%, mesmo com baixo investimento, então concentrado na importação de máquinas e equipamentos. Mas essa sopa acabou.
A cena econômica mundial não é propícia à liberação comercial que ensejou, juntamente com um câmbio valorizado, o impulso importador de bens de capital. Foi na onda de modernização das fábricas, via importação, que o investimento se segurou como deu, nos últimos anos.
Agora, a coisa mudou. O desafio, para Dilma, é duplamente mais complicado. O governo precisa não só acelerar o investimento, mas fazê-lo atendendo a uma nova prioridade, que se concentra em inversões nas áreas de infraestrutura, sobretudo energia, transporte e construção habitacional. Trata-se de algo muito mais difícil de concretizar.
Não é difícil entender o tamanho da encrenca. Para começar, essas são atividades que se caracterizam pelas mais altas relações capital-produto, o que significa que os investimentos, além de exigirem mais tempo de maturação, exigem também a aplicação de mais capital para cada unidade de produto gerado.
Acontece que essa é apenas a parte mais visível do problema. Sem marcos regulatórios bem definidos, projetos bem desenhados e cálculos de retorno realistas, as engrenagens dos investimentos continuarão travadas.
É visível a dificuldade do governo em promover um ambiente mais atraente para o investimento, diante dessas novas e mais complicadas necessidades. Mesmo sem desconsiderar as resistências de diversos grupos de interesse - dos ambientais aos financeiros -, os atrasos constantes na definição dos projetos, no lançamento das concessões, na definição das regras de operação e na execução do programado expõem a incapacidade governamental de desenhar e gerir grandes projetos básicos.
Ainda que continue aceso o debate sobre as condições macroeconômicas vigentes no País, não são elas, mas essa incapacidade de gestão, o grande entrave atual do crescimento da economia brasileira.

Balança comercial tem saldo negativo de US$ 186 milhões em novembro


Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A balança comercial brasileira registrou saldo negativo de US$ 186 milhões em novembro. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o resultado é fruto de exportações no valor de US$ 20,472 bilhões e de importações equivalentes a US$ 20,658 bilhões. O valor das exportações recuou 6% em comparação a novembro do ano passado, e as importações caíram 2,6%. Em relação a outubro deste ano, as exportações cresceram 3,5% e as importações tiveram aumento de 13%.

No acumulado de doze meses, a média diária dos embarques externos ficou em US$ 964,6 milhões. Houve queda de 5,6% na comparação com o mesmo período de 2011.

A retração nas exportações é atribuída ao decréscimo nas vendas externas de produtos básicos (12%)e semimanufaturados (14%). Houve quedas, principalmente, na exportação de soja em grão, café em grão, minério de ferro, fumo em folhas, carne de frango e algodão em bruto.

Entre os semimanufaturados, caíram as vendas de óleo de soja (bruto), alumínio (bruto), ferro fundido, semimanufaturados de ferro/aço, açúcar (bruto) e celulose. Por outro lado, houve aumento nos embarques externos de manufaturados (5%).

De acordo com o MDIC, no caso das importações, a média registrada por dia útil é US$ 890,2 milhões, no acumulado do ano. O valor é 2% menor que o da média registrada na mesma base de comparação do ano passado. Houve queda principalmente nos gastos com bens de consumo (17,1%), bens de capital (11,5%) e de matérias primas e intermediários (4,9%). As compras de combustíveis e lubrificantes registraram aumento de 32,1%.

No ano, as exportações totalizaram US$ 222,832 bilhões, com redução de 4,7% na comparação com o mesmo período de 2011. As importações somaram US$ 205,647 bilhões, ou 1,1% a menos do que no ano passado. O saldo tem superávit de US$ 17,185 bilhões. Houve queda de 33,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o saldo comercial somou US$ 25,990 bilhões.

Edição: Carolina Pimentel

Dilma diz que pacote para portos terá novas regras regulatórias

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (3) que o pacote de medidas para os portos, que será lançado na próxima quinta-feira (6), terá um conjunto de novas regras regulatórias, ações e investimentos. Segundo Dilma, as medidas têm o objetivo de dar estabilidade ao investimento no setor, ampliar a competitividade e reduzir a burocracia.

“Vamos apresentar um conjunto de ações e investimentos em novas regras regulatórias para dar estabilidade ao investimento, ampliar a competitividade e assegurar eficiência. Quinta-feira vamos lançar uma legislação de portos e definir o conjunto de investimentos que serão tornados possíveis sempre olhando essa grande parceria entre governo estadual, federal e também trazendo a iniciativa privada”, disse a presidenta ao participar de cerimônia de ampliação do Porto do Itaqui, no Maranhão.

De acordo com a presidenta, ter portos eficientes é um dos desafios da área de infraestrutura de transportes do país. Dilma também destacou a importância do planejamento de longo prazo no setor portuário para fortalecer a gestão, reduzir custos e elevar a eficiência.

“Um dos desafios está aqui, em portos eficientes. Com eles, vamos diminuir os custos e melhorar os ganhos do agronegócio, reduzir os custos dos nossos produtos industrializados, vamos aumentar a nossa competitividade no que se refere a mercado internacional”, explicou a presidenta.

O pacote de portos é mais uma etapa da série de medidas do governo para aprimorar a logística no país. As primeiras medidas anunciadas foram o Programa de Investimentos em Logística para Rodovias e Ferrovias que prevê R$ 133 bilhões em investimentos nos próximos 25 anos, sendo R$ 42 bilhões para rodovias e R$ 91 bilhões para ferrovias. O governo pretende ainda anunciar medidas para os aeroportos.

Durante o discurso, a presidenta também defendeu a parceria entre os setores público e privado como chave para o crescimento sustentável. "Os investimentos público e privado são a chave para nosso crescimento sustentável. Essa parceria amplia nossa capacidade de produzir, de escoar, de exportar, de importar, e também traz inovação, eficiência, gera emprego e renda para os brasileiros", disse.

Edição: Lílian Beraldo

Recomendação é antecipar compra de dólar

Folha de S. Paulo - 03/12/2012
COM PIB FRACO DO 3º TRI, GOVERNO NÃO DEVE IMPEDIR QUE REAL PERCA FORÇA ANTE A MOEDA AMERICANA, QUE VALE HOJE CERCA DE R$ 2,10
Dólar mais alto pode ser ferramenta do governo para favorecer a indústria exportadora e impulsionar a economia

Embora previsões sobre o preço do dólar sejam apostas de mercado que podem ou não se confirmar, analisá-las sempre é uma ferramenta a mais na hora de definir a compra da moeda norte-americana, como para uma viagem ao exterior.

Nas últimas duas semanas, a persistência do dólar próximo a R$ 2,10 -acima da faixa de R$ 2,00 a R$ 2,05 em que se manteve por praticamente seis meses até meados de novembro- reforçou a percepção de que a moeda americana encontrou um novo nível de preço, mais alto.

Nesse cenário, especialistas ouvidos pela Folha aconselham a compra da moeda americana tão antecipada quanto possível para casos de viagem fora do país.

"Se a pessoa vai viajar neste fim de ano -ou nas próximas férias de julho- e tem reais suficientes para comprar toda a quantia em dólares de que precisa, deverá quitar a fatura agora", diz Mauro Calil, educador financeiro.

Há também a possibilidade de dividir a compra em lotes para diluir o risco de apostar em uma cotação que vai se revelar pouco vantajosa.

Nesse caso, no entanto, é preciso avaliar se as taxas de serviço cobradas na hora da venda não acabarão encarecendo demais a aquisição total.

RESPALDO

A aposta na alta do dólar ganhou respaldo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou, no último dia 23, que o dólar acima de R$ 2 "veio para ficar".

E também foi reforçada pelo fraco desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no terceiro trimestre.

O crescimento de 0,6%, abaixo do esperado, encorpou os argumentos dos que acreditam que o governo quer o dólar mais alto para favorecer a indústria exportadora e engordar um pouco o desempenho do país.

"Está muito claro que o foco do governo agora é estimular o crescimento econômico, e não controlar a inflação", diz Daniel Cunha, economista da XP Investimentos.

Em tese, o dólar valorizado é um fator de aumento da inflação, pois faz com que os brasileiros paguem mais, em reais, pelos itens importados.

PESQUISA DE PREÇOS

É importante ter em mente que o dólar é um produto como outro qualquer e é preciso pesquisar preços, especialmente em tempos de cotações mais alta. Analisar os valores cobrados em diferentes modalidades -como dinheiro vivo, travel cheque e cartão- também vale a pena.

"Consulte diferentes pontos de venda. Centavos a menos podem fazer uma grande diferença no valor total da compra", diz Cunha.

O quadro nesta página traz consulta feita pela Folha para a compra de US$ 1.000 nos maiores bancos do país.