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PROJETO DE LEI: Contratos de câmbio para importação deverão ser registrados no BC e Receita

Contratos de câmbio para importação deverão ser registrados no BC e Receita
Tramita na Câmara dos Deputados proposta que obriga as instituições financeiras a incluírem todos os contratos de importação nos sistemas do Banco Central e da Receita Federal (PL 416/15). O descumprimento pelo banco implicará em multa equivalente ao triplo do valor da remessa ao exterior.
O projeto de lei leva a assinatura dos deputados Chico Alencar (RJ), Edmilson Rodrigues (PA), Ivan Valente (SP) e Jean Wyllys (RJ), todos do Psol, e de Cabo Daciolo (sem partido-RJ).
Contratos de câmbio são assinados por importadores para o pagamento de bens e serviços contratados do exterior. Estão autorizados a fazer estes contratos instituições como bancos, agências de fomentos, corretoras de câmbio, entre outras.
O objetivo da proposta, segundo eles, é fechar uma brecha que surgiu em 2006, quando o governo mudou as normas do mercado de câmbio e de capitais estrangeiros e deixou de exigir a inclusão dos contratos cambiais no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) e no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).
“Tal desvinculação abriu enorme brecha para remessas ilegais de recursos ao exterior em nome de laranjas, falsamente declaradas como pagamento de importações, conforme apurado na operação Lava Jato”, disseram os autores do projeto.
A proposta determina ainda que o Banco Central e a Receita Federal regulamentarão a obrigação.
Tramitação
O projeto tramita em Rito de tramitação pelo qual o projeto é votado apenas pelas comissões designadas para analisá-lo, dispensada a deliberação do Plenário. O projeto perde o caráter conclusivo se houver decisão divergente entre as comissões ou se, independentemente de ser aprovado ou rejeitado, houver recurso assinado por 51 deputados para a apreciação da matéria no Plenário e será analisado nas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Janary Júnior
Edição - Marcia Becker

FONTE: AGÊNCIA ESTADO

Medida do BC tem pouco efeito na taxa de câmbio

Eduardo Campos
Valor Econômico - 12/07/2011

Motivos não faltaram para o mau humor que pautou a abertura da semana nas praças mundiais de negociação. A inflação na China é a maior em três nos, a economia dos Estados Unidos perde força e, depois de um breve período de latência, a crise de endividamento soberano na Europa voltou com força.

Dentro desse ambiente, o que se viu foi o clássico dia de saída de ativos de risco (risk off). Não que os Estados Unidos sejam um bastião de estabilidade, mas ainda guardam a melhor qualidade em momentos de incerteza: a liquidez.

Nova Ptax já mostra resultados bons e ruins

Eduardo Campos
Valor Econômico - 07/07/2011

A nova forma de cálculo da Ptax está em vigor há quatro dias e os resultados já são visíveis. Tanto para o bem, quanto para o mal.

Ao substituir a média ponderada pelo volume negociado por uma média aritmética de quatro consultas feitas entre 10 horas e 13 horas, o BC pretendia, entre outras coisas, eliminar a distorção na formação de preço, já que agentes inflavam o volume transacionado para tentar dar viés à formação dessa taxa que serve de referência para liquidação de ampla gama de contratos cambiais.

Novo cálculo da Ptax deve reduzir distorções no mercado de câmbio

Fernando Travaglini | De Brasília
01/07/2011 - Valor Econômico

Ruy Baron/Valor
Expectativa é que as operações comecem a migrar para o segmento à vista, segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes.
Começa a valer hoje o novo método de cálculo da taxa de câmbio divulgada diariamente pelo Banco Central (BC), a Ptax. O BC espera que haja uma migração de parte das operações que hoje ocorrem no mercado futuro para o segmento à vista. Acredita ainda que haverá maior fidedignidade nos preços. Os testes iniciais, no entanto, mostram que as taxas de câmbio não devem apresentar mudanças representativas, de acordo com o diretor de Política Monetária, Aldo Mendes.

Circular do BACEN altera metodologia de apuração da taxa de câmbio real/dólar

DIRETORIA COLEGIADA

CIRCULAR Nº 3.537, DE 25 DE MAIO DE 2011

Altera a Circular nº 3.506, de 23 de setembro de 2010, que dispõe sobre a metodologia de apuração da taxa de câmbio real/dólar divulgada pelo Banco Central do Brasil (PTAX).

A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 24 de maio de 2011, com base no art. 11, inciso III, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, resolve:

Art. 1º Os arts. 2º e 4º da Circular nº 3.506, de 23 de setembro de 2010, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 2º .....................................................................................
II - escolha aleatória do início de cada consulta dentro dos seguintes intervalos:
a) 10h00 às 10h10 para a primeira consulta;
b) 11h00 às 11h10 para a segunda consulta;
c) 12h00 às 12h10 para a terceira consulta; e
d) 13h00 às 13h10 para a quarta consulta;
...................................................................................................
§ 3º Caso mais de quatro cotações de compra ou mais de quatro cotações de venda deixem de ser informadas em uma mesma consulta automática, o Depin buscará obter as cotações dos dealers omissos por telefone ou por outros meios de comunicação, desde que assegurem a confidencialidade e sejam passíveis de registro e auditoria.
§ 4º Se persistir a ausência de mais de quatro cotações de compra ou de venda após a solicitação alternativa tratada no § 3º, o resultado da consulta será dado por cotação obtida dos sistemas de informação do Banco Central do Brasil." (NR)

"Art. 4º .....................................................................................
Parágrafo único. No período de 1º de julho de 2011 a 30 de setembro de 2011, as taxas PTAX de compra e de venda serão calculadas de modo a apresentar uma diferença fixa de 0,0008 R$/US$ centrada na média de todos os resultados das consultas do dia, tanto para taxas de compra como para taxas de venda, apurados conforme o art. 3º, sendo divulgadas pelo Banco Central do Brasil conjuntamente com o resultado da última consulta do dia." (NR)

Art. 2º Esta Circular entra em vigor na data de sua publicação.

ALDO LUIZ MENDES
Diretor de Política Monetária

Ritmo do fluxo cambial realimenta crédito

Autor(es): Fernando Travaglini | De Brasília
Valor Econômico - 19/05/2011

Depois de registrar um movimento fraco em abril, com entrada líquida de pouco mais de US$ 1,5 bilhão, o fluxo de entrada de dólares no país voltou a apresentar um ritmo bastante forte em maio. Captações de empresas e bancos no exterior, aplicações de estrangeiros e a decisão de exportadores de deixar dólares no Brasil contribuíram para uma movimentação líquida, até o dia 13, de US$ 8,809 bilhões.

Alteração no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI).

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CIRCULAR No. 3533 DE 25 /04 /2011
BANCO CENTRAL DO BRASIL - BACEN
PUBLICADO NO DOU NA PAG. 00028 EM 26 /04 /2011
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Altera o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI).

A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 20 de abril de 2011, em razão do disposto no Decreto nº 7.460, de 14 de abril de 2011, e tendo em vista o art. 2º da Circular nº 3.280, de 9 de março de 2005, decidiu:

Art. 1º A seção 2 do capítulo 16 do título 1 do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), divulgado pela Circular nº 3.280, de 2005, passa a vigorar com a redação estabelecida na folha anexa a esta circular.

Art. 2º Esta circular entra em vigor na data de sua publicação.

LUIZ AWAZU PEREIRA DA SILVA
Diretor de Assuntos Internacionais

ANTHERO DE MORAES MEIRELLES
Diretor de Fiscalização

REGULAMENTO DO MERCADO DE CÂMBIO E CAPITAIS INTERNACIONAIS

TÍTULO: 1 - Mercado de Câmbio

CAPÍTULO: 16 - Países com Disposições Cambiais Especiais

SEÇÃO: 2 - Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU)

Menos burocracia é ''Plano B'' para Doha

Autor(es): Jamil Chade
O Estado de S. Paulo - 25/04/2011

A Organização Mundial do Comércio (OMC) já trabalha com a possibilidade de a ambiciosa Rodada Doha se transformar em um acordo para a redução da burocracia aduaneira.

Na semana passada, o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, apresentou o resumo de dez anos de negociações e concluiu que, pelo menos hoje, o impasse é "insuperável".

Mercado especula pacote cambial

BC avisa que juros vão subir menos
Autor(es): Victor Martins
Correio Braziliense - 11/03/2011

Crescem as expectativas dos analistas financeiros de que o governo prepara um conjunto de medidas para conter a contínua desvalorização do dólar frente ao real. Somente este ano o Banco Central fez mais de 100 intervenções a fim de segurar a cotação da moeda norte-americana.

Ata do Copom prega efetivo corte de R$ 50 bi do Orçamento e indica mais medidas para conter a oferta de crédito

Arrocho no câmbio

Brasília-DF
Autor(es): Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense - 08/03/2011

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em pleno carnaval, convocou reunião de sua equipe para quinta-feira, em São Paulo. Na pauta, novas medidas para desvalorizar o real frente ao dólar, entre elas, um novo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na sexta-feira, véspera de carnaval, o dólar fechou em queda de 0,48%, a R$ 1,652 — segundo menor nível do ano. A presidente Dilma Rousseff avalia que a economia continua aquecida, está preocupada com a situação e determinou medidas para segurar a moeda norte-americana.

CIRCULAR DC/BACEN No. 3527 DE 03 /03 /2011 - ALTERA O REGULAMENTO DE CÂMBIO

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BANCO CENTRAL DO BRASIL - BACEN
PUBLICADO NO DOU NA PAG. 00033 EM 04/03/2011
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Altera o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI).

A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 3 de março de 2011, com base no art. 23 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, nos arts. 9º, 10 e 11 da Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, no art. 38 da Resolução Nº 3.568, de 29 de maio de 2008, no inciso III do § 2º do art. 9º da Resolução Nº 3.954, de 24 de fevereiro de 2011, e tendo em vista o art. 2º da Circular Nº 3.280, de 9 de março de 2005, decidiu:

Art. 1º As disposições abaixo enumeradas do título 1 do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), divulgado pela Circular Nº 3.280, de 2005, passam a vigorar com a redação das folhas anexas a esta circular:

Quanto custa segurar o dólar

Câmbio: Sem intervenções, cotação estaria em R$ 1,55, mas mercado questiona benefícios

Após gastar cerca de US$ 14,6 bilhões em intervenções no mercado cambial este ano, o Banco Central conseguiu garantir um ganho de 0,12% do dólar frente ao real. Parece pouco. Mas, não fosse sua atuação, a cotação, que encerrou ontem em R$ 1,6680, estaria hoje perto de R$ 1,55, segundo estimativa do chefe da área de pesquisas de mercados emergentes da Nomura Securities, Tony Volpon. A projeção, que leva em consideração a relação entre os chamados "termos de troca" do comércio internacional, poderia sugerir sucesso do esforço da autoridade monetária. Mas, para especialistas, o preço que a economia paga nessa queda-de-braço é alto e torna negativa sua relação custo/benefício. "É uma vitória ilusória, pois o esforço que o BC faz para segurar a cotação custa caro", afirma Volpon.

Para o coordenador de estudos de mercados emergentes da Tandem Global Partners e ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Vieira da Cunha, "o BC não tem poder de fogo ilimitado, o que significa que essas medidas podem se tornar perversas".

As reservas internacionais cresceram US$ 7,286 bilhões em janeiro, graças às compras diárias de dólares no mercado à vista. Não estão contabilizados aí os três últimos pregões do mês nem o primeiro de fevereiro, período no qual outros US$ 2,89 bilhões teriam sido adquiridos, segundo estimativas de especialistas. Por meio do chamado swap cambial reverso, o BC comprou cerca de US$ 3,5 bilhões. E, no primeiro leilão a termo, outro US$ 1 bilhão.

Isso mostra que as reservas cambiais do país já devem ter superado os US$ 300 bilhões - a compra de dólares impacta as reservas em D+2. Um colchão tão elevado dá segurança aos país em tempos de turbulência, mas tem um custo alto: cerca de US$ 30 bilhões ao ano, segundo cálculos do o economista Marcio Garcia.

Outra forma de avaliar o custo é a rentabilidade das reservas, que caiu à média de 1,12% ao ano (0,83% em 2009 e 1,41% em 2010) nos últimos dois anos, fortemente impactada pela queda do juro americano. Esse retorno é muito inferior aos 9,33% observados em 2008 e que o juro básico, de 11,25% ao ano. Mas o preço dessa estratégia tem outros aspectos, mais difíceis de serem mensurados: inflação, juros e encarecimento da rolagem da dívida mobiliária.

Para Volpon, a guerra cambial tem como principal vítima a inflação. "Uma diferença de 10 centavos na cotação é relevante." Volpon faz alguns exercícios, a partir das projeções apresentados no Relatório Trimestral de Inflação. Pelo cenário de referência, elaborado pelo BC, o IPCA deve fechar o ano em 5%, levando-se em conta uma taxa Selic de 10,75% e o câmbio a R$ 1,70. No cenário de mercado, a inflação seria de 4,80%, com Selic de 12,25% e dólar em R$ 1,75. Cruzando os dados, Volpon diz que é possível afirmar que uma diferença de R$ 0,05 centavos corresponde a aproximadamente 1,5 ponto na Selic. Ainda no campo das estimativas, se a variável dólar fosse alterada para R$ 1,70 no cenário de mercado, o resultado para o IPCA cairia para 3,70%, se o impacto da mudança do câmbio fosse constante e igual a 1,50 ponto percentual. Essa é uma projeção pouco exata, pois há outros mecanismos, como a indexação, que não conseguem ser capturados por esse exercício. Mas prova, de toda forma, a influência da cotação do câmbio sobre as expectativas de inflação.

Fonte: Valor Econômico

BC anuncia medida para conter queda do dólar

Bancos terão de fazer reserva para valores acima de R$ 5 bi em dólares na carteira

O Banco Central anunciou nesta quinta-feira (6) novas medidas para conter a valorização do real. De acordo com circular publicada hoje, os bancos deverão recolher como compulsório (depósito obrigatório que deve ser recolhido pelo Banco Central como garantia de operações) 60% do valor da posição de câmbio vendida que passar de R$ 5 bilhões (US$ 3 bilhões) ou o patrimônio de referência da instituição (o que for menor).

O conceito de posição de câmbio funciona da seguinte maneira: digamos que um banco começa a operar hoje e não tem dólar na carteira. Um exportador vende US$ 100 para o banco e este fica, portanto, na chamada “posição comprada”. Depois chega um importador para comprar US$ 200. O banco então vende os US$ 100 que tinha em carteira e empresta outros US$ 100 (tomados em outro banco); ele fica, assim, na chamada “posição vendida” – ou seja, fica com uma dívida de US$ 100 pelo empréstimo.

Isso quer dizer que os bancos que estão na “posição vendida”, terão, no futuro, que entregar o dólar que foi vendido ou a variação cambial. Ou seja, estes bancos estão apostando que o dólar vai se desvalorizar, porque, se isso acontecer, na hora da pagar pelo dólar eles pagarão um valor menor em real do que o que foi entregue ao cliente. Seguindo a mesma lógica estar “comprado” sinaliza a expectativa de valorização do dólar.

Já o patrimônio de referência dos bancos é quanto o banco ‘vale’. O conceito é usado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para estabelecer os limites de crédito que devem ser seguidos por todas as instituições financeiras e fiscalizados pelo BC.

Os bancos terão 90 dias para se adequar à medida anunciada hoje, que vale, portanto, a partir de 4 de abril. O depósito compulsório recolhido junto ao BC será em real e não será remunerado.

Com a medida, o BC espera que os bancos que estão na posição vendida passem a ficar comprados. A maior procura pela moeda pressionará o seu preço para cima.

Exportação

A preocupação do governo com a valorização do real frente ao dólar se dá pelo seguinte: com o real valorizado, e, portanto, o dólar barato, os produtos brasileiros perdem a competitividade no mercado internacional – ou seja, ficam mais caros que os produtos similares vendidos por outros países.

Isso é ruim no curto prazo, porque leva a uma queda de empregos na indústria exportadora, e no longo prazo, porque o Brasil perde mercados que levou anos para conquistar.

Outro problema é que os produtos importados ficam mais baratos para os brasileiros, e com isso, invadem as prateleiras. A indústria brasileira é novamente afetada, pois os produtos brasileiros perdem competitividade também aqui dentro.

Mantega

Na terça-feira (3), o ministro da Fazenda, Guido Mantega já havia se pronunciado sobre o dólar -apesar de não ter tomado nenhuma medida efetiva- em uma tentativa de acalmar os mercados após o dólar chegar a R$ 1,65.

O pronunciamento de Mantega, no entanto, não teve impacto no valor da moeda, que fechou nesta quarta-feira (5) cotada a R$ 1,67.

O movimento de desvalorização do dólar, que ocorre no mundo todo, e não somente no Brasil, se intensificou no país nos primeiros dias de 2011, com valorização do real relação ao dólar. Já na primeira segunda-feira do ano (3), a moeda americana fechou a R$ 1,65 - o menor valor desde 1º de setembro de 2008, antes da explosão da crise financeira internacional.

Fonte: R7

Mercosul aumenta alíquota para importação de pêssego

Medida passará a vigorar no dia primeiro de abril de 2011

O Conselho do Mercado Comum (CMC) do Mercosul decidiu aumentar a alíquota da Tarifa Externa Comum (TEC) para importação de pêssegos preparados ou em conserva, de 14% para 35%. A medida, tomada na 40ª Reunião do Conselho, em Foz do Iguaçu (PR), na última quinta, dia 16, passará a vigorar no dia primeiro de abril de 2011, conforme a Decisão CMC nº 61/10.

– Essa decisão é importante para proteger a produção nacional contra as excessivas importações no Mercosul dos países que concedem pesados subsídios – explica o diretor do Departamento de Assuntos Comerciais da Secretaria de Relações Internacionais, Benedito Rosa.

A medida terá vigência até 31 de dezembro de 2011 e será discutida, no próximo ano, para que haja uma tarifa definitiva para a TEC.

Por solicitação dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, essa proposta vinha sendo analisada nas últimas reuniões do Grupo Mercado Comum do Mercosul (GMC).

Em 2011, o Mercosul completa 20 anos da assinatura do Tratado de Assunção, que criou o bloco, em 1991. Cerca de 240 milhões de pessoas vivem nos quatro países membros (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina), que têm o Produto Interno Bruto (PIB) equivalente a US$ 1,9 trilhão.

Importações

No período de janeiro a novembro de 2010, as importações brasileiras de pêssego alcançaram US$ 8 milhões, o que representa oito mil toneladas. O resultado equivale a um crescimento de 94% em valor, em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 4,1 milhões).

FONTE: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

Como a valorização de nossa moeda afeta nosso bolso?

Uma reflexão sobre a variação cambial.

Tivemos uma semana com quedas recordes no valor do dólar que foram contidas apenas com a elevação do IOF para operações estrangeiras dentro de nosso país, de 4% passou para 6%. Ao contrário que muitos podem pensar, isso reflete não só positivamente em nossa economia, mas também negativamente devido ao encarecimento das exportações.

Vamos pontuar primeiramente os pontos positivos da valorização do Real:

- Importação: Com o dólar em baixa, a importação torna-se mais atrativa com redução nos preços dos produtos e do frete internacional, principalmente nos artigos eletrônicos e matérias primas. Fato esse que indica que teremos um natal com melhores preços dos produtos importados.

- Turismo: Neste cenário as possibilidades de viagem ao exterior pelos Brasileiros tornam-se mais favoráveis que em anos anteriores, viagens e custeio no exterior tornam-se menos expressivos estimulando as férias fora do Brasil.

- Inflação: O real valorizado é um mecanismo de estabilização da Inflação, ou seja, tende a manter os preços dos produtos ou até mesmo baixá-los.

Em contra-partida, os pontos negativos são:

- Exportação: O Brasil é um dos grandes exportadores do Mundo, e para quem exporta, com a moeda brasileira fortalecida, a concorrência torna-se ainda maior, pois o preço de nossos produtos para o mercado externo torna-se mais caro, podendo assim perder mercado no exterior. Quando a empresa é só exportadora esse risco é ainda mais preocupante, pois com a queda de produção, há cortes de empregos e gera um efeito dominó à economia entorno desta organização.

- Turismo Local: Com o Real fortalecido, o Brasil torna-se um destino caro aos estrangeiros diminuindo a entrada de dinheiro no país na principal época do turismo Brasileiro, Verão e Carnaval, turismo este que já está prejudicado com o êxodo dos turistas nacionais que tiveram a possibilidade de ir curtir outros países.

Sendo assim, podemos considerar que o melhor para o nosso país e estabilização do câmbio para a manutenção da Balança Comercial Brasileira, ou seja, que nossas exportações não sejam menores que as nossas importações. Permitindo assim, o crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico através de investimentos nacionais em internacionais em pesquisas dentro de nossas fronteiras.

Grande Abraço,
Diego da Silva.
23/10/2010
Joinville, SC.
http://www.diegosilvasc.blogspot.com/

Fonte: http://www.administradores.com.br/

Dólar cada vez mais fraco desafia Brasil e emergentes

O intenso fluxo de dólares para o Brasil estava prestes a ultrapassar a barreira dos aumentos do IOF e reiniciar o processo de valorização do real no fim de outubro, antes de o Fed, o banco central americano, tomar a decisão de iniciar mais uma rodada de afrouxamento monetário. Com o anúncio da medida, anteontem, o obstáculo do IOF tornou-se claramente insuficiente e o dólar teve sua maior queda diária em relação ao real em 5 meses, de 1,35%, e fechou a R$ 1,678. A política de compra de até US$ 900 bilhões em títulos do Tesouro americano pelo Fed provocou um salto em todos os tipos de ativos, de commodities a ações, e baixa da moeda americana. O Ibovespa fechou a 72.995 pontos e caminha para atingir seu recorde histórico, de 73.516 pontos, alcançado em 20 de maio de 2008.

A nova onda de apreciação cambial coloca mais pressão sobre a política dos países emergentes, especialmente sobre o Brasil, que tem uma das maiores taxas de juros do mundo e não pode contar com a ajuda da política fiscal no curto prazo. "A maior inflação nos emergentes é o resultado mais provável", diz Philip Poole, do HSBC em Londres. Thomas Mayer, economista-chefe do Deutsche Bank, concorda que no médio e longo prazos o afrouxamento monetário nos EUA provocará mais inflação, primeiro nos emergentes e, depois, nos países ricos.

Um dos canais da alta de preços será a valorização das commodities, generalizada ontem, com o petróleo atingindo seu pico em seis meses, a US$ 86 o barril. Economistas de fora do governo brasileiro acreditam que o BC terá de elevar os juros logo para conter uma inflação que já não está no centro da meta, uma saída claramente ruim diante do ingresso de uma enxurrada de dólares atrás de bons rendimentos.

Juros, porém, não são a única alternativa. "O impacto inflacionário não deve preocupar, desde que o governo não impeça os movimentos do câmbio", diz Mônica de Bolle, sócia da Galanto Consultoria. A apreciação parece irreversível, para Vladimir do Vale, economista-chefe do Credit Agricole, que prevê que o dólar fique abaixo de R$ 1,60 no primeiro semestre de 2011. O governo brasileiro, ontem, não parecia estar convencido da necessidade de novas medidas imediatas.

Fonte: Valor Econômico

Dólar fecha em queda de 1,35% a R$ 1,676

No mês, a moeda acumula perda de 1,53% e no ano, -3,84%

SÃO PAULO - O dólar comercial fechou em queda de 1,35% a R$ 1,676 no mercado interbancário de câmbio. No mês, a moeda acumula perda de 1,53% e no ano, -3,84%. Na BM&F, a divisa encerrou com perda de 1,35% a R$ 1,6773. O euro comercial cedeu 0,38% a R$ 2,38.

O mercado de câmbio global continuou ajustando-se hoje à previsão de que o estímulo adicional do Federal Reserve (Fed, banco central americano) de US$ 600 bilhões para compra de Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) nos próximos oito meses ingressará na economia gradualmente e amparará novas desvalorizações do dólar no segmento de moedas. Antecipando essa perspectiva, os investidores reforçaram as vendas de dólares e os preços caíram mais em relação às principais divisas, como o euro, o iene e também o real.

"O calcanhar de Aquiles do Brasil é o juro alto, que é o chamariz da abundante liquidez internacional. Como o IOF de 6% não intimida os estrangeiros porque inibe mais as aplicações em renda fixa de curto prazo e não há previsão imediata para queda dos juros aqui, o mercado está cauteloso. De um lado acredita que há espaço para novas baixas do dólar lá fora e aqui e, de outro, está atento a uma eventual adoção de novas medidas tendo em vista o preço baixo do dólar e a proximidade da reunião dos líderes do G-20 que poderá elevar o tom do debate em torno da chamada guerra cambial", afirmou Mario Battistel, operador de câmbio da Fair Corretora.

Nesse contexto, os dois leilões diários do Banco Central para a compra de dólares não estão sendo suficientes para conter a depreciação da moeda, ainda que para alguns profissionais a autoridade monetária esteja adquirindo nesses leilões um volume de recursos acima do fluxo cambial líquido, segundo operadores consultados pela Agência Estado. Nas atuações de hoje, o BC fixou as taxas de corte em R$ 1,6807 e R$ 1,6773.

Câmbio turismo

Nas operações de câmbio turismo, o dólar cedeu 1,28% hoje para R$ 1,78 (venda) e R$ 1,677 (compra). O euro turismo ficou estável em R$ 2,50 (venda) e R$ 2,317 (compra).

Fonte: Estadão.com.br

Mantega consulta OMC sobre ''guerra cambial''

Ministro da Fazenda ligou para Pascal Lamy, diretor-geral da OMC, para discutir eventuais medidas contra a política cambial da China e dos EUA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta estabelecer uma estratégia para impedir que a "guerra de moedas" contamine o comércio e que governos usem desvalorizações como barreiras comerciais.

No fim da semana passada, Mantega telefonou para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, questionando quais eram as leis multilaterais sobre o tema e como a OMC e o governo brasileiro poderiam coordenar suas posições para evitar que a guerra de moedas se transforme em um novo protecionismo.

Mantega quer se valer de uma base legal para lidar com a situação monetária internacional, caso o País comece a sofrer com a variação de câmbio entre países. De um lado, o Brasil estaria sendo afetado pela moeda chinesa, facilitando as exportações de produtos asiáticos. De outro, estaria sendo prejudicado com a forte valorização do real em relação ao dólar.

Regras da OMC. Nas leis da OMC existe uma possibilidade que um país faça uma queixa se avaliar que outro usou sua moeda para ganhar competitividade no comércio e prejudicar um parceiro. Mas, em 60 anos desde que a lei foi criada, o artigo na constituição do comércio mundial jamais foi usado.

Para o diretor da OMC, os governos em todo o mundo conseguiram conter suas tentações protecionistas nos últimos dois anos e o número de barreiras criadas por causa da crise não foi significativo.

O risco agora é que essa situação seja minada por medidas de desvalorização de moedas, criando condições mais competitivas para a exportação de um país e, na prática, criando barreiras para a entrada de produtos. Na prática, isso acabaria sendo um novo protecionismo.

"Por enquanto, isso é apenas um risco. Mas o perigo para o comércio é se essas medidas se materializarem", afirmou Lamy. "Se o front monetário acordar, poderemos ser fragilizados (no comércio mundial)", disse.

Para Lamy, se países começarem a de fato intervir em suas moedas para tornar suas exportações mais competitivas e impedir a entrada de importações, o risco é de que haja disputas. "Há um risco de fricção e o risco é real", afirmou Lamy.

Coordenação. Mantega e Lamy admitiram a necessidade de coordenar posições e o ministro já indicou que levará o assunto de moedas e comércio à reunião dos chefes de Estado do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo).

A aproximação entre o Brasil e a OMC nesse tema convém a ambos. O Brasil se vê afetado pela moeda chinesa e pelo dólar. Já a OMC não quer que dois anos de campanha contra o protecionismo seja minada por algo que não tem como controlar: moedas.

Lamy, na quinta-feira, alertou os mais de 150 países da OMC que a guerra de moedas pode afetar não apenas a recuperação dos fluxos de exportações, como a retomada do crescimento econômico. Lamy abandonou sua tradicional cautela em relação à sua avaliação sobre as moedas nacionais e chegou a admitir que há um consenso de que a moeda chinesa está desvalorizada.

Fonte: Estadão

De guerras cambiais a guerras comerciais

A reunião de outubro do FMI, que pretendia dar uma solução à questão das guerras cambiais, acabou em impasse. Tudo foi adiado para a próxima reunião do G-20, em novembro. O problema é que, num mundo de taxas de câmbio flexíveis, quando um peso pesado, como os EUA, cuja moeda é a base do comércio mundial, desvaloriza sua moeda, e outro peso pesado, como a China, mantém sua desvalorização em relação ao dólar por mais de dois anos, obtendo expressivos superávits na balança comercial e acumulando reservas, a questão não é só entre dois países, mas de interesse de todos. O problema não se restringe mais a guerras cambiais, mas se transforma em guerras comerciais, porque países com moedas desvalorizadas estão praticando subsídio em suas exportações e criando barreira tarifária nas suas importações.

Existem várias estimativas de que o câmbio dos EUA e da China está desvalorizado. A consequência é que esses países estão criando distorções para o comércio internacional e tornando inúteis os instrumentos negociados no âmbito do Gatt e da OMC nos últimos 60 anos, uma vez que fluxos de comércio e direitos corretivos não podem ser reajustados para anular as distorções.

Enquanto o FMI discute possíveis soluções para a guerra cambial entre EUA e China, que já se transformou em guerrilhas cambiais entre inúmeros países, os setores afetados perguntam se existem instrumentos na OMC que podem ser usados para corrigir as distorções ao comércio. A resposta é sim! Analisemos o caso da China:

O artigo XV do Gatt estabelece regras sobre arranjos cambiais. O parágrafo XV.4 determina que "as partes contratantes não deverão, por meio de ação sobre o câmbio, frustrar o propósito dos dispositivos do Gatt nem, por ação de comércio, o propósito dos dispositivos dos artigos do Acordo do FMI". Até o momento, nenhum membro da OMC se dispôs a questionar outro membro sobre seus arranjos cambiais. Por que não fazê-lo agora?

O Acordo sobre Valoração Aduaneira estabelece regras para a valoração de bens baseadas no valor da sua transação. Mas permite ajustes no preço em vários casos. O artigo 9 especifica que, quando a conversão da moeda é necessária para a determinação do valor aduaneiro, a taxa de câmbio a ser usada deve ser a devidamente publicada pelas autoridades competentes do país da importação e deve refletir, o mais efetivamente possível, o valor corrente de tal moeda em transações comerciais em termos da moeda do país de importação. Ora, se o próprio FMI afirma que a moeda chinesa está desvalorizada, por que outro membro não pode ajustar o valor de tais importações?

O Acordo de Subsídios estabelece regras para subsídios que são considerados proibidos ou acionáveis. São considerados proibidos os subsídios vinculados ao desempenho da exportação (artigos 3 e 4). O desafio para os advogados é como enquadrar a desvalorização cambial na definição de subsídio, que menciona contribuição financeira do governo que seja vinculada somente à exportação, e não a toda a economia. Outra opção é considerar a desvalorização cambial como subsídio acionável. O acordo estabelece que nenhum membro deve causar, por meio de subsídio, efeito adverso aos interesses de outro membro, isto é, dano à indústria local, ou anulação de benefício, especialmente de concessões tarifárias (artigos 5 e 6). O desafio é como enquadrar a desvalorização cambial na definição de subsídio, que exige que este seja específico a um grupo de indústrias. Mas o que dizer de uma empresa chinesa 100 % exportadora?

O artigo XXIII do Gatt estabelece que, se um membro considerar que algum benefício a ele devido pelo Acordo do Gatt esteja sendo anulado ou prejudicado, ou que qualquer objetivo do Gatt esteja sendo impedido, tal membro pode levar o caso à Solução de Controvérsias da OMC. Um caso pode ser aberto pela falha de um membro em cumprir as obrigações previstas, ou pela aplicação de qualquer medida que esteja anulando ou prejudicando os benefícios esperados por outro. Essas duas hipóteses são conhecidas como disputa com violação ou disputa sem violação. A política cambial chinesa certamente poderá ser enquadrada como um caso de não violação, diante dos sérios prejuízos causados ao comércio internacional.

O Protocolo de Acessão da China à OMC também prevê a utilização do mecanismo de salvaguarda transitória. Tal instrumento só foi utilizado quatro vezes - Índia (2), Turquia e EUA - diante da postura de confronto da China. No entanto, é um instrumento que faz parte da OMC e foi aceito por todos os seus membros, inclusive a China.

Alternativa a ser explorada, no âmbito da legislação brasileira, é o Decreto 4.732, de 10/6/2003, que define as funções da Camex. Dentre elas, compete à Camex (artigo 2-XIV) fixar as alíquotas do Imposto de Importação, atendidas as condições estabelecidas na Lei 3.244, de 14/8/1957. Ora, essa lei, assinada pelo presidente Kubitschek, determina que a alíquota de um produto poderá ser alterada dentro dos limites máximos do respectivo capítulo (artigo 3-e), quando relativa a produto de "país que desvalorizar sua moeda ou conceder subsídio à exportação de forma a frustrar os objetivos da tarifa". Por que não utilizá-lo agora?

A questão cambial não pode ser apenas discutida nas reuniões a portas fechadas do FMI, mas deve ser analisada na própria OMC, uma vez que impacta diretamente o comércio internacional. Ou os efeitos dos desequilíbrios do câmbio são equacionados na OMC, ou as guerras cambiais, convertidas em guerras comerciais, terminarão por abalar o sistema multilateral do comércio. É tempo de a OMC iniciar discussões sobre o impacto do câmbio no comércio, no âmbito de um novo acordo multilateral. Será que a Rodada Doha pode acabar sem ele?

Vera Thorstensen - O Estado de S.Paulo
COORDENADORA DO CENTRO DO COMÉRCIO GLOBAL E DO INVESTIMENTO DA EESP-FGV

Entrada de dólares despenca logo após a elevação do IOF

Câmbio: Estrangeiros anteciparam-se à medida e restam incertezas sobre novas barreiras

O fluxo de dólares para o país caiu com força na semana em que o governo anunciou a elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para 4% sobre capital externo. Nos primeiros dias após a mudança, anunciada no dia 4 deste mês, entre 5 e 8 de outubro, o saldo líquido de entrada de moeda estrangeira foi de apenas US$ 168 milhões, média de US$ 42 milhões por dia. O volume é bastante inferior ao visto nas semanas anteriores, quando a média diária ficou na casa dos US$ 800 milhões, de acordo com números divulgados pelo Banco Central (BC).

Os dados dessa primeira semana ainda não são suficientes para uma avaliação consistente do efeito do IOF sobre as decisões de investimento dos estrangeiros. Afinal, trata-se de um movimento inicial, que ainda reflete as incertezas ligadas às decisões do governo sobre a trajetória do câmbio. Além disso, investidores anteciparam-se à medida, trazendo mais dólares nos dias que antecederam o anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Afinal, Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deram sinais de que poderia haver o aumento do IOF.

A expectativa no médio prazo, no entanto, ainda é de uma forte entrada de recursos por parte dos estrangeiros no Brasil, seja para aplicações em bolsas, seja para investimentos diretos (IED).

Entre os dias 30 de setembro e 4 de outubro, o fluxo foi positivo em US$ 3,753 bilhões, o que pode explicar em parte esse movimento mais fraco da semana passada.

A alta do IOF foi uma das decisões do governo para tentar aplacar a valorização do real, que se intensificou desde meados de setembro. Além do aumento do imposto, o governo também ampliou a atuação do Fundo Soberano e permitiu ao Tesouro Nacional adquirir mais dólares para liquidar suas dívidas em moeda estrangeira.

Mesmo com o fluxo menos intenso nos primeiros dias após a medida, a moeda americana manteve a trajetória de desvalorização em relação à brasileira, fechando ontem em queda de 0,66%, cotada a R$ 1,6554, menor valor desde 1º de setembro de 2008. Desde o dia 4, já caiu quase 2%.

O fluxo acumulado no mês de outubro segue positivo, com entradas líquidas de US$ 2,181 bilhões até o dia 8. O câmbio financeiro, no qual são fechadas as operações com capitais (investimentos em bolsa e títulos, empréstimos) e serviços (turismo, pagamento de juros, remessa de lucros), apresenta fluxo positivo de US$ 3,265 bilhões no mês, como resultado de compras no valor de US$ 11,037 bilhões e de vendas de US$ 7,772 bilhões. O câmbio comercial, no qual são registrados os dados do comércio exterior brasileiro, mostrou saída líquida de US$ 1,084 bilhão, no mesmo período, resultado de exportações de US$ 3,309 bilhões e importações de US$ 4,393 bilhões.

No ano, o fluxo cambial mostra ingresso líquido de US$ 19,303 bilhões, superior ao movimento do ano passado no mesmo período (US$ 10,869 bilhões). O período mais forte de entrada de recursos se deu em setembro, quando a capitalização da Petrobras, além das captações externas de empresas e bancos, levou a um fluxo positivo no segmento financeiro de US$ 16,716 bilhões, maior nível da série iniciada em 1982.

O Banco Central continua a comprar todo o câmbio excedente. As intervenções no mercado à vista somaram US$ 2,764 bilhões em outubro, até o dia 8. As reservas internacionais brasileiras chegaram ao patamar de US$ 279,530 bilhões no dia 8. No início do ano estava em US$ 239,054 bilhões.

Fonte: Valor Econômico