Autor(es): Por Juan Garrido | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 13/12/2011
Enquanto o vento continua soprando a favor do setor brasileiro de mineração, o segmento siderúrgico nada contra a corrente em 2011. A produção do primeiro cresce exponencialmente e a do segundo, ainda que mantendo certo nível de expansão, sofre com a concorrência do aço importado. Pelos cálculos de Paulo Camillo Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), no caso da indústria mineral, a balança comercial do setor poderá chegar a US$ 33 bilhões em 2011. "É bom lembrar que o saldo do comércio exterior brasileiro como um todo não deve ultrapassar US$ 23 bilhões. A diferença se explica pela expectativa de déficit nas balanças de outros setores", diz.
Segundo Wilson Brumer, presidente da Usiminas, a siderurgia brasileira vive um momento de desafios, principalmente pela persistência de estoques elevados e a acirrada competição das importações de aço e de produtos da cadeia pelos segmentos consumidores intensivos do metal, mas também pelo alto custo de insumos. "Isso está levando as indústrias do setor a direcionar suas estratégias muito mais para o aumento da competitividade e eficiência operacional do que necessariamente para o aumento da capacidade produtiva", comenta.
Apesar da previsão de recorde de produção brasileira de aço bruto neste ano, de 35,26 milhões de toneladas, 7,1% superior à de 2010, impactada fundamentalmente pela operação da ThyssenKrupp CSA Siderúrgica do Atlântico, o Instituto Aço Brasil reviu para baixo as previsões para 2011. O prognóstico anterior era de uma produção de 39,4 milhões de toneladas. Segundo dados da entidade, o excedente da capacidade de produção de aço em relação à demanda continua alto no mundo (cerca de 500 milhões de toneladas) e no Brasil (20,2 milhões de toneladas).
Para embaralhar ainda mais o cenário, as exportações de aço da China estão em ritmo crescente e cerca de 60% dos embarques para o Brasil são de produtos metal-mecânicos. Pelo diagnóstico do Aço Brasil, o país vive, assim como outros da América Latina, o aprofundamento da desindustrialização provocada pelo aumento das importações diretas e indiretas.
Em que pesem as dificuldades conjunturais, o Instituto Aço Brasil prevê para 2012 uma produção 37,49 milhões de toneladas de aço bruto, 6,3% a mais que a prevista para 2011. E que a capacidade instalada da indústria siderúrgica chegue a 68,4 milhões de toneladas até 2016 - no fim de 2010, era de 44,6 milhões de toneladas. Os investimentos previstos em todo o Brasil no período 2011-2016 somam US$ 30,7 bilhões. Nesse cenário de incertezas, porém, os investimentos estão sendo revistos em termos de prazos de implementação.
Na mineração, o Ibram projeta para 2011 embarques de US$ 43 bilhões e importações de US$ 10 bilhões. "O minério de ferro ocupa o primeiro lugar na lista de produtos que geram a maior renda na pauta de exportação, com 81,8% do total, seguido de longe pelo ouro, com 5,1%, nióbio, com 4,4% e cobre, com 3,5%", diz Penna. O principal produto importado é o carvão mineral, 46,6% do total, seguido de cloreto de potássio, 28,4%, e cobre, 12,3%.
O presidente do Ibram projeta que a produção mineral do país deverá crescer 25% em 2011, na comparação com 2010, alcançando novo recorde: US$ 50 bilhões. "O valor da produção está subindo em 2011 porque houve aumento do preço da matéria-prima e porque o volume produzido cresceu." A expectativa de investimentos para 2011-2015 é de US$ 68,5 bilhões. Há um significativo volume de aplicações em minerais pouco percebidos como tal, caso de areia, brita e saibro.
As empresas realizam grandes investimentos. A MMX (do grupo EBX) investe R$ 4 bilhões na expansão da unidade Serra Azul, no coração do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais. Com isso, a produção deve saltar dos atuais 8,7 milhões para 24 milhões de t/ano de minério de ferro. Segundo o presidente Guilherme Escalhão, a nova planta entrará em operação até 2014. Do projeto inclui um sistema logístico integrado, que levará o minério ao superporto Sudeste, em Itaguaí (RJ), de onde 100% do produto extraído seguirá para o mercado externo.
Para 2012, a Vale anunciou que investirá US$ 12,9 bilhões para a execução de projetos, US$ 2,4 bilhões para pesquisa e desenvolvimento (P&D) e US$ 6,1 bilhões para a sustentação das operações existentes. Os projetos siderúrgicos totalizam US$ 22 bilhões e vão somar 18,5 milhões de t/ano à produção siderúrgica nacional, que em 2010 foi de 32,92 milhões de toneladas de aço bruto, segundo o Instituto Aço Brasil.
A Samarco - joint venture entre Vale e BHP Billiton -, cujo principal produto são pelotas de minério de ferro, trabalha desde maio no projeto Quarta Pelotização (P4P). Segundo Maury de Souza Júnior, superintendente do P4P, o plano de expansão receberá investimentos de R$ 5,4 bilhões e elevará a capacidade de produção das atuais 22,25 milhões de t/ano para 30,5 milhões de t/ano, um crescimento de 37%.
No caso da ArcelorMittal Inox Brasil, única produtora integrada de aços planos inoxidáveis e elétricos da América Latina, o maior investimento está na unidade de João Monlevade (MG) que prevê duplicar para 2,4 milhões de t/ano a capacidade de produção.
A Aperam South America concluiu recentemente investimentos de US$ 95 milhões para a conversão do alto-forno 2 de coque para carvão vegetal. Segundo o presidente da empresa, Clênio Guimarães, US$ 60 milhões foram aplicados no Vale do Jequitinhonha, onde ficam as reservas de eucalipto da companhia para produção do carvão vegetal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe aqui o seu comentário, muito obrigado pela sua visita!