Dólar cai 0,20% ante o real, com realização de lucros

Brasil Econômico - 06/08/2013
Economistas apontam que a tendência no médio prazo ainda é de fortalecimento da divisa, diante de incertezas em relação ao Fed.

O dólar fechou em leve queda ante o real após mais um pregão marcado por baixo volume, com investidores embolsando lucros da sessão anterior, quando a divisa norte-americana avançou para o maior nível no fechamento em mais de quatro anos e acima de R$ 2,30.

A moeda norte-americana recuou 0,20%, para R$ 2,299 na venda.

"Temos visto um mercado em que qualquer fator, qualquer especulação, gera movimento (na cotação)", disse o operador de câmbio da B&T Corretora Marcos Trabbold.

Desde que o Federal Reserve, banco central norte-americano, sinalizou em maio que pode reduzir seu programa de estímulo, houve forte valorização do dólar e o volume nos mercados de câmbio têm sido menores.

Ao reduzir seu programa de compra de ativos, que hoje está em US$ 85 bilhões ao mês, o Fed também acabará afetando a liquidez internacional, diminuindo a oferta de dólares.

Segundo analistas, especialmente à tarde, o volume das operações ficou ainda menor, ampliando o impacto das operações de realização de lucro.

"O pessoal está realizando um pouco de lucro no (mercado) futuro", afirmou o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.

No mercado futuro, que tem impacto nas negociações à vista, o contrato de dólar com entrega para setembro de 2013, um dos mais negociados da sessão, registrava queda de 0,41%, a R$ 2,310 às 17h23.

Economistas ressaltavam, entretanto, que a tendência no médio prazo ainda é de fortalecimento da divisa dos Estados Unidos, diante das incertezas sobre os próximos passos do Fed e a insegurança em relação à economia doméstica.

"É inevitável que o Fed inicie neste ano a redução do programa de compra de títulos e, portanto, isso deve favorecer a valorização do dólar. Além disso, a economia brasileira também não está num momento bom, está tendo dificuldades para ganhar força", afirmou o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Com a atividade doméstica sem conseguir se recuperar melhor, os investidores estrangeiros tendem a buscar novas alternativas de aplicações e, muitas vezes, fora do país, retirando dólares no mercado.