Embaixador elogia parceria com o Brasil e define economia chinesa como “saudável e confiável”

Brasília: 13/08/2013 às 17:10


Da Redação - Comex do Brasil

Brasília – A China quer estreitar a Parceria Estratégica com o Brasil, que este ano comemora vinte anos de lançamento e o objetivo é consolidar ainda mais a posição da China como principal pais de destino das exportações brasileiras e confirmar os chineses como os maiores exportadores para o País. Essas posições foram defendidas pelo embaixador Jinzhang Li, ao discursar na abertura da Feira de Negócios de Tecnologia Brasil-China e do I Encontro Goiás Shenzhen de Oportunidades na Área Tecnológica e Fornecimento de Produtos e Serviços para Grandes Eventos Esportivos, realizada na manhã de ontem (13) no Centro de Convenções Brasil XXI.


O diplomata elogiou a realização desses dois eventos que em sua opinião “proporcionam uma plataforma para a diálogo e a cooperação entre os nossos governos e países”, lembrou que a comitiva chinesa que veio a Brasília teve que viajar mais de 30 horas entre Shenzhen e a capital brasileira, mas afirmou que “Brasil e China são distantes geograficamente mas isso não impede os contatos amistosos e o estreitamento de relações entre os dois povos”.

Segundo o embaixador Jinzhang Li “as relações sino-brasileiras vivem seu melhor momento histórico. Economias importantes no âmbito dos BRICs, Brasil e China mantêm uma boa coordenação nesse mecanismo e nos foros internacionais em defesa dos seus interesses, do desenvolvimento e da paz mundial”.

O embaixador destacou também que “a China tornou-se recentemente o maior parceiro comercial do Brasil, principal destino das exportações brasileiras e principal fonte de origem dos produtos importados pelo Brasil. Além disso, o Brasil é o maior parceiro da China na América Latina e um dos parceiros mais importantes da China em todo o mundo”.

Após lembrar que nos últimos anos o comércio sino-brasileiro deu um salto extraordinário, tendo atingido o total de mais de US$ 86 bilhões nos dois sentidos em 2012, o embaixador Jinzhang Li afirmou que “também é expressivo o aumento dos investimentos realizados pela China no Brasil, que já passam de US$ 20 bilhões e foram realizados principalmente nos últimos três anos. Em contrapartida, o Brasil também realiza investimentos diretos muito importantes na China, o que contribui para o reforço da Parceria Estratégica entre os dois países”.

O diplomata afirmou que a economia chinesa deverá crescer a uma taxa de 7,6% neste segundo semestre, um número considerado “modesto”se comparado com taxas de crescimento da ordem de 9% a 10% registradas no país asiático até recentemente, e que os fundamentos da economia chinesa são saudáveis e que essa pequena desaceleração não impedirá o crescimento saudável e estável da economia.

Para atestar a pujança da economia chinesa, o embaixador ressaltou que o país tem um comércio exterior anual de mais de US$ 2 trilhões (contra algo em torno de US$ 450 bilhões do Brasil) e que a China importa cerca de US$ 1 trilhão ao ano e ano passado as compras no exterior cresceram a uma taxa de 8,3%, beneficiando os principais parceiros comerciais do país, entre eles o Brasil.

O embaixador Jinzhang conclamou as autoridades dos governos federal, de Goiás e do DF a estreitarem os laços com a municipalidade de Shenzhen, “ali foi instalada a primeira Zona Econômica Exportadora da China. Há cerca de 30 anos, Shenzhen era uma aldeia de pescadores com uma população de pouco mais de 20 mil habitantes. Em curto espaço de tempo tornou-se uma megalópole e possui um dos maiores parques tecnológicos do mundo, o quarto maior porto de conteiners da China, o quarto principal aeroporto e, também, é o quarto maior centro de turismo do país. Em resumo: Shenzhen reúne todas as condições para atrair investimentos e realizar parcerias e cooperação com estados e cidades brasileiras”.

Na opinião do diplomata, Goiás tem excelentes condições para tornar-se um parceiro ainda mais importante para a China: “o estado tem uma localização privilegiada, conta com um agronegócio e um setor de mineração bastante forte e por isso mesmo são gandes as possibilidades de cooperação entre o estado e a China”.

Vice-governador destaca pujança da economia de Goiás

Na ausência do governador Marconi Perillo, o estado de Goiás esteve representado pelo vice-governador José Eliton Figueiredo Júnior e por integrantes do secretariado. Em sua palestra, o vice-governador afirmou que “é importante que dois países tão distantes e tão diferentes como a China e o Brasil possam ter similaridades tão importantes. São dois países que crescem e que querem se aproximar cada vez mais”.

José Eliton identificou semelhanças entre o estado de Goiás e Shenzhen: “nos últimos anos Goiás passa por uma trajetória semelhante àquela vivida por Shenzhen no passado recente. Na última década, o Produto Interno Bruto da cidade chinesa cresceu 5.000%, enquanto o PIB de Goiás foi multiplicado por seis, bem acima da média do PIB nacional. Há 20 anos a economia goiana concentrava-se quase que essencialmente na produção primária. Hoje temos uma forte participação da indústria e dos serviços. O governo criou a melhor universidade estadual do País, a Universidade Estadual de Goiás, implantou programas como o Bolsa Escola, que beneficiou 130 mil estudantes também lançou o Bolsa Futuro, um programa que vai qualificar 500 mil pessoas para ingressarem no mercado de trabalho após realizar cursos profissionalizantes nas mais diversas áreas”.

O vice-governador procurou apresentar aos membros da comitiva chinesa uma série de motivos que, em sua opinião, fazem de Goiás, o parceiro ideal para atrair investimentos e tecnologia chinesas: “o maior programa rodoviário do País está sendo implantado em Goiás e a cidade de Anápolis conta com o maior aeroporto de cargas do Brasil, dos poucos capazes de receber aviões de grande porte como o A380. O estado é um dos maiores produtores de grãos e de minérios do País, tem a segunda maior indústria farmacêutica do Brasil e o maior polo farmacêutico da América Latina, tem três montadoras instaladas em seu território e ocupa localização privilegiada no que diz respeito às obras que serão realizadas visando melhorar a logística brasileira voltada para a exportação”

José Eliton elogiou a realização da Feira e do Evento, que considerou “uma excelente iniciativa voltada para o fortalecimento das relações econômicas, comerciais e de cooperação entre a China e Goiás” e conclamou os empresários e representantes do governo de Shenzhen a seguirem o exemplo da indústria automobilística chinesa que está se preparando para instalar-se em Goiás.

Por sua vez, o secretário e representante do governo de Goiás em Brasília, André Clemente, leu uma mensagem de saudação do governador Marconi Perillo destacando que “em nosso país, Goiás tem o viés chinês de trabalhar muito para desfrutar o potencial de um estado rico de recursos naturais e humanos. Investimentos em tecnologia e em inovação, no contexto de uma economia criativa, guiam o forte crescimento da China e de Goiás”.

Em sua mensagem, o governador afirmou ainda que “o Encontro Goiás-Shenzhen é uma grande oportunidade para parcerias que fortaleçam ainda mais as bases do desenvolvimento sólido, diversificado, justo e duradouro. Sejam bem vindos os interlocutores desse diálogo, produtivo também para o Brasil. O presente e o futuro cobram de nós todos visão estratégica, boa vontade e cooperação”.

Goiás quer exportar fármacos, além de minérios e grãos

O secretário de Ciência e Tecnologia de Goiás, Mauro Faiad procurou apresentar aos chineses um Goiás dotado de economia diversificada e que se moderniza: “Goiás tem hoje o segundo polo farmacêutico do Brasil e está plenamente capacitado a atender às demandas chinesas nesse setor. Nossas exportações para a China concentraram-se, historicamente carnes, grãos e açúcar mas temos uma gama de outros produtos, de maior valor agregado, que podemos incluir em nossa pauta exportadora. Em 2001, a China era o destino final de apenas 3% de todo o volume exportado pelo estado. Agora, cerca de 30% de tudo o que é vendido por Goiás ao exterior vai para o mercado chinês”.

O secretário Faiad afirmou ainda que Goiás tem plenas condições de tornar-se um importante ponto focal dos investimentos chineses no Brasil: “a integração Goiás-China não pode se restringir às relações comerciais. A China tem um invejável potencial de investimentos e Goiás se candidata a ser um grande receptor dos investimentos diretos que a China se dispõe a fazer no Brasil”.

Mário Faiad citou como atrativos ao capital chinês os programas que o governo do estado vem realizando em matéria de capacitação profissional e inovação tecnológica: “até 2014 vamos capacitar 500 mil jovens em áreas como serviços, agricultura e indústria e desse total, 200 mil vagas foram reservadas aos goianos de baixa renda. Temos também o Pronatec, que oferece vagas em dez cursos e visa atender demandas específicas das empresas. Em termos de inovação tecnológica, ano passado lançamos o Sistema Goiano de Inovação, Outro dado relevante: Goiás tornou-se o segundo estado, atrás apenas de São Paullo, a criar o programa da banda larga popular. Graças a ele, 200 mil residências no estado passaram a usufruir dos serviços da banda larga. Não menos relevante foi a criação do Programa Goiano de Parques Tecnológicos, que possibilita a criação de parques tecnológicos públicos e privados. Mês passado foi lançado o primeiro parque tecnológico privado do estado, na cidade de Goiás, uma iniciativa que visa, entre outros objetivos, romper i isolamento entre o meio produtivo e a academia”.