Movimento do câmbio influenciou a curva de juros futuros da BM&F, que terminou a sessão com elevação dos prêmios.
A despeito dos dois leilões de venda de dólares no mercado futuro realizados nesta segunda-feira (10/6) pelo Banco Central (BC) na tentativa de conter a alta da divisa americana, no fechamento do mercado cambial doméstico, a moeda da maior economia do globo marcou ganhos de 0,71% ante o Real, e encerrou cotada a R$ 2,147 para venda.
A valorização do dólar foi mais intensa nesta sessão contra moedas de países emergentes - subiu 1% frente ao peso mexicano, e 0,40% ante seu par australiano - após dados da China abaixo do esperado sobre sua produção industrial, que cresceu 9,2% em maio, enquanto a mediana das projeções do mercado apontava avanço de 9,4%.
O teto informal de R$ 2,15, que especulava-se entre as mesas ser o limite a ser permitido pelo governo no atual momento, foi chancelado pelo BC, que fez a primeira intervenção do dia quando a cotação da moeda americana bateu em R$ 2,157, na máxima do dia, ao subir 0,88%.
"O BC colocou quase US$ 2 bilhões em swaps, e mesmo assim a pressão compradora não foi revertida. Os investidores ficaram assustados com a rapidez na desvalorização do Real [perdeu 7% frente ao dólar só em maio], e quem está exposto busca reverter a posição às pressas", fala Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.
No boletim Focus desta semana, os economistas ouvidos pela autoridade monetária aumentaram, pela quinta vez seguida, sua projeção para a taxa de câmbio ao final de 2013, agora em R$ 2,10, contra os R$ 2,05 de uma semana, e os R$ 2,01 de quatro semanas atrás.
Juros
O tom duro em relação ao controle da inflação manifestado pelo Copom na ata da semana passada, que levou os agentes a precificarem mais dois aumentos de 0,50 ponto percentual na Selic nos próximos encontros do colegiado, levou a uma nova revisão do Focus, que agora prevê a taxa de juros em 8,75% em dezembro próximo, frente aos 8,5% da semana passada, e os 8,25% de um mês atrás.
A abertura da curva de juros futuros, explica Campos Neto, tem relação tanto com a valorização do dólar, como também com a divulgação dos índices de preços nesta manhã em aceleração.
O IGP-M avançou 0,43% no primeiro decêndio de junho, após a alta de 0,03% no mesmo período do mês anterior, e o IPC-S acelerou para 0,48% na primeira leitura do mês corrente, ante 0,32% na última semana de maio.
Nesse contexto, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2015, o mais líquido do dia, com giro de R$ 31,033 bilhões, avançou de 9,21% para 9,45%, enquanto o para janeiro de 2014 expandiu de 8,57% para 8,65%, com volume de R$ 20,307 bilhões.
Brasil Econômico: 10/06/2013