Dólar tem forte perda contra euro e iene

Valor Econômico - 07/06/2013

Os preços das ações em Wall Street subiram ontem, enquanto o dólar caiu em relação ao euro e ao iene, depois que investidores reduziram suas apostas na moeda americana devido a preocupações com o relatório sobre o emprego nos EUA, aguardado para hoje. Wall Street recuperou-se de uma queda anterior, quando as ações de companhias americanas recuaram em sincronia com as fortes variações nos mercados cambiais.
O iene teve a maior valorização frente ao dólar em mais de dois anos, atingindo um pico em sete semanas, depois que os operadores do mercado desistiram de apostar em uma desvalorização do iene devido ao plano de estímulo monetário do Banco do Japão. O euro valorizou-se, atingindo um pico em três meses frente ao dólar, depois que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que a economia da região deverá recuperar-se neste ano.

O euro ganhou valor contra a maioria das outras moedas importantes, depois que o BCE decidiu não reduzir sua principal taxa de refinanciamento em sua reunião mensal de política monetária, além de Draghi dizer não haver necessidade de implementar medidas de estímulo adicionais. A libra valorizou-se em relação ao dólar, depois que o Banco da Inglaterra manteve inalteradas sua meta de compra de ativos e os juros de referência.
O Dow Jones teve alta de 0,53%, para 15.041 pontos. O Nasdaq ganhou 0,66%, para 3.324 pontos e o S&P 500 subiu 0,85%, para 1.623 pontos.
"A desvalorização do dólar frente ao iene, depois que a inversão de tendência eliminou patamares de resistência ["stops"], criou uma onda de venda da moeda americana que varreu todo o G-10", disse Brian Daingerfield, estrategista de câmbio na Securities RBS, pertencente ao Royal Bank of Scotland Group Plc, em Stamford, Connecticut, em entrevista por telefone. "O catalisador da ampla desvalorização do dólar foi o fato de a relação dólar-iene ter rompido, em sua queda [de ontem], alguns patamares importantes: primeiro 98,80 e, depois, 98,50 ienes."
O iene valorizou-se 1,9%, chegando a 97,21 ienes por dólar e atingiu o maior nível desde 16 de abril na tarde ontem. O euro subiu 1,1%, para US$ 1,3235, atingindo seu nível mais alto desde 25 de fevereiro. Em relação ao dólar a moeda única perdeu 0,8% de seu valor, passando a ser cotada a 128,63 ienes.
A moeda japonesa valorizou-se ontem depois que o primeiro-ministro-japonês, Shinzo Abe, absteve-se de fornecer detalhes adicionais sobre as medidas de estímulo. Abe disse que uma campanha legislativa visando afrouxar a regulamentação que as empresas devem respeitar só terá início daqui a meses, quando ele descreveu seu terceiro vetor de um plano de recuperação econômica com o objetivo de implementar um estímulo fiscal e monetário. O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, disse a repórteres em Tóquio na semana passada que o banco central realizará suas compras de dívida de uma maneira flexível, e que a recente volatilidade nos títulos do governo ainda não está afetando a economia.
Os operadores do mercado futuro tinham ampliado suas apostas em que o iene iria sofrer a maior desvalorização frente ao dólar desde julho de 2007. A diferença entre o número de apostas em uma queda da moeda japonesa assumidas por fundos de hedge e outros grandes especuladores, em comparação com as apostas contrárias era de 99.769 contratos em 28 de maio, contra 95.186 na semana anterior, é o que revelam os números da Commodity Futures Trading Commission, em Washington.
O iene desvalorizou-se 21,5% no ano passado, a maior queda entre 10 moedas de mercados desenvolvidos monitoradas pela Bloomberg Correlation-Weighted Indexes. O dólar caiu 1,7%, ao passo que o euro subiu 4,1%.
O temor de que o relatório sobre o emprego nos EUA traga dados que amparem menos otimismo do que originalmente esperado levou os investidores a desfazer posições que haviam sido rentáveis durante meses. Especialmente as posições "compradas" - apostas na alta do dólar - contra o iene e contratos futuros de ações japonesas foram revertidas.
O clima no mercado mudou, e analistas começaram a manifestar sua preocupação com que o relatório mensal baseado nas folhas de pagamento dos setores não agrícola americanos, a ser divulgado hoje, será menos animador do que o esperado, depois de vários dados econômicos decepcionantes publicados nesta semana. Economistas consultados pela Reuters acreditam que 170 mil trabalhadores conseguiram empregos na economia americana em maio.
O otimismo esfriou, nos últimos dias, e por isso foram abandonadas - às vésperas do relatório sobre o emprego - posições que produziram grandes ganhos nos últimos meses.