Em um dia marcado pela volatilidade, o dólar fechou cotado a R$ 2,13, com alta de 0,1%. A moeda norte-americana abriu a sessão com queda de 2%, atingindo R$ 2,08. Esse arrefecimento inicial foi resultado da ação do governo federal, que eliminou a taxação de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investidores estrangeiros na noite de terça-feira.
Ao longo do dia, porém, a divisa americana foi para outra direção. Chegou a bater nos R$ 2,15 na máxima e retornou ao patamar de R$ 2,13 no fim do pregão. O Banco Central (BC) vendeu US$ 1,37 bilhão em um leilão de swap cambial no mercado futuro — a segunda intervenção em menos de uma semana. A Bolsa de Valores também teve um dia tenso, com forte queda nas ações das empresas siderúrgicas, e fechou em baixa, de 2,26%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, fizeram declarações em outra linha. Ao chegar ao Ministério, pela manhã, Mantega afirmou a jornalistas que o objetivo da retirada do IOF é devolver rentabilidade a investimentos de estrangeiros em títulos no Brasil, algo que, segundo ele, terá efeito a longo prazo. Arno disse em discurso que "a medida que o governo toma tem o objetivo de reduzir a volatilidade e garantir a melhor equação para a economia brasileira."
As declarações foram mal digeridas no mercado, enquanto o BC oferecia US$ 2 bilhões em 40 mil contratos futuros de câmbio — 27,5 mil vendidos. "Cada um fala uma coisa e todos contrariam as medidas tomadas. O mercado está tentando entender isso tudo", queixou-se Mário Battistel, gerente de Câmbio da Fair Corretora.
O especialista afirmou que a justificativa do governo para zerar o IOF é atrair mais dólares e melhorar o perfil da dívida do governo. "A gente sabe que é para combater a inflação. O BC colocou dólares no mercado para conter o fortalecimento dólar. Mas o cenário internacional não está permitindo esse movimento porque a divisa está valorizada contra várias moedas", lembrou.
Volatilidade
"Embora a curto prazo a medida (de zerar o IOF) possa resultar num aumento dos fluxos de entrada, a ausência do imposto provavelmente levará a uma volatilidade maior", informou o HSBC em relatório. Para o banco, estrangeiros ficarão inclinados a sair em tempos de aversão ao risco.
"Embora a curto prazo a medida (de zerar o IOF) possa resultar num aumento dos fluxos de entrada, a ausência do imposto provavelmente levará a uma volatilidade maior", informou o HSBC em relatório. Para o banco, estrangeiros ficarão inclinados a sair em tempos de aversão ao risco.