Ela tem apenas um ano, mas já conseguiu reavivar discussões sobre a eficiência das políticas da América Latina de comércio exterior na realidade do século XXI. A Aliança do Pacífico, acordo comercial entre México, Chile, Peru e Colômbia, evidenciou a estratégia escolhida por esses países da região para garantir mercados para seus produtos à margem do Mercosul, tradicional bloco liderado pelo Brasil. Os integrantes da Aliança, pelo menos na aparência, estão mais interessados em questões puramente econômicas do que em uma influência política mais ampla, o que assegura ao grupo maior dinamismo na tomada de decisões, sejam relativas a novos acordos ou a reduções de tarifas. Em contraposição, o Mercosul, grupo que o Brasil integra ao lado de Argentina, Uruguai e Venezuela (o Paraguai está suspenso desde o golpe que afastou o presidente Fernando Lugo), envolve também muitas questões políticas, o que o deixa (assim como seus membros) naturalmente mais lento na inserção no comércio internacional.
A comparação entre esses dois caminhos é mais que natural, mas deve ser feita com muito cuidado, observam especialistas em Relações Internacionais ouvidos pelo Diário do Comércio. Não se pode dizer, por exemplo, que a Aliança do Pacífico hoje ameaça o espaço do Brasil no exterior pelo simples fato de os países terem, juntos, um tamanho relevante (até porque eles continuam menores que o Brasil e que o Mercosul). O Produto Interno Bruto (PIB) dos quatro países da Aliança se aproxima de US$ 2 trilhões (para uma população de 210 milhões de pessoas), enquanto a economia brasileira, sozinha, atinge cerca de US$ 2,4 trilhões (para 198 milhões). Somados todos os parceiros, o Mercosul tem PIB de US$ 3,3 trilhões e 280 milhões de habitantes.
Fonte: Diário do Comércio
Fonte: Diário do Comércio