Queda do dólar ante o Real fica abaixo da média

Brasil Econômico - 06/06/2013

Queda do dólar ante o Real fica abaixo da médiaDeclarações do ministro da Fazenda após a medida que zerou o IOF favorecem postura cautelosa dos agentes domésticos.
A recente trajetória de apreciação global do dólar, com a perspectiva de redução do programa de compra de ativos do Fed, foi revertida no pregão desta quinta-feira (6/6), após dados aquém do esperado sobre o mercado de trabalho americano.
Com isso, o dólar caiu ante a maior parte de seus pares, e recuou 0,37% frente ao Real, cotado a R$ 2,123 para venda.
Essa queda, contudo, ficou abaixo da média geral verificada no mercado cambial internacional, onde a moeda americana teve perdas ao redor de 1,2%, de acordo com Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.
"Com a declaração do Mantega depois do corte do IOF, não tem como a gente acompanhar o exterior", fala o especialista.
Em coletiva para explicar sobre a zeragem do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para estrangeiros que aplicam em renda fixa no Brasil, o ministro da Fazenda pontuou que a medida é de longo prazo, e não tem como objetivo derrubar a cotação do dólar, que subiu 7% só em maio.

"Se o governo diz que a medida não é para derrubar o dólar, para que o mercado vai se arriscar nesse momento de incerteza?", questiona Galhardo.
O próprio ingresso escasso de divisas ao país favorece a ausência de movimentos mais bruscos por parte dos operadores do câmbio brasileiro.
Embora os dados do fluxo divulgados nesta quarta (5/6) pelo Banco Central (BC) tenham apontado entradas de US$ 10,7 bilhões em maio, o melhor resultado de 2013, a maior parte dessa quantia, explica o gerente da Treviso, foi para os bancos ajustarem suas posições, vendidas (aposta na queda do dólar) em cerca de US$ 5 bilhões em abril, e que passaram para US$ 5 bilhões comprados no mês passado.
"O que entrou de fluxo o mercado zerou as posições vendidas e comprou a diferença", explica o especialista.
A preocupação do mercado agora, diz Galhardo, está na busca por encontrar qual a banda informal a ser aceita pelo governo.
"Os agentes não sabem se vão deixar o dólar equilibrar entre R$ 2,00 e R$ 2,15, ou se querem acima de R$ 2,15. Ninguém sabe, e por isso o mercado não sai desse patamar", fala o gerente da Treviso.
O operador da Intercam Corretora de Câmbio, Glauber Romano, lembra que, após a zeragem do IOF na renda fixa, os rumores das mesas dão conta de uma possível redução do IOF nas operações de empréstimo de derivativos curto prazo.
"Com essas especulações, o mercado pode até se acomodar sem a atuação do BC, e encontrar um equilíbrio acima de R$ 2,00, de R$ 2,10 inclusive", pondera Romano.