Fluxo de capital cai e dólar sobe 0,76%

Autor(es): Victor Martins
Correio Braziliense - 13/04/2011

Causado pelo mau humor internacional, o movimento é transitório, asseguram especialistas.

O dólar recuperou ontem parte da perda que registrou nas últimas semanas e fechou com valorização de 0,76%, cotado a R$ 1,593. O mau humor internacional por causa da intensificação da crise nuclear japonesa e a divulgação de balanços ruins de empresas nos Estados Unidos fizeram o fluxo de capital em direção ao Brasil diminuir. A redução da moeda norte-americana em circulação por aqui deixou mais cara a proteção contra a oscilação cambial. Todo esse movimento no mercado deu um fôlego para a cotação da moeda e um alívio temporário para o Banco Central, que luta para diminuir a valorização do real.

Parte dos estrangeiros que estão apostando contra o dólar, achando-se expostos demais, passaram, momentaneamente, a comprar a moeda. “Há aversão no mercado, mas isso não muda a tendência do dólar a longo prazo, que é de queda”, ponderou Ricardo Lorenzetti, especialista em câmbio da XP Corretora. Ainda assim, o investidor de fora continua a apostar que o dólar vai continuar a derreter. No mercado futuro, há um excesso da moeda no valor de US$ 11,4 bilhões, o que pressiona a cotação para baixo. Ou seja, passado o mau humor internacional, ela vai voltar a cair.

Proteção
Os estrangeiros, pelo menos até o início do mês, estavam tão à vontade com a queda do dólar que usavam, inclusive, instrumentos de proteção contra perdas no mercado de câmbio para especular. Ao invés de comprar contratos futuros — operações que pagam o rendimento em dólar para quem aplica em outra moeda, como o real —, eles estavam vendendo. Os investidores passaram a pagar um prêmio para o caso de o dólar subir. Como eles têm mais de US$ 7 bilhões nessa estratégia, a elevação de 0,76% da divisa, ontem, os obrigou a bancar uma pequena fortuna.

Para o economista Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, essa aposta elevada contra o dólar é de alto risco para os investidores. Ele pondera que, por mais que o governo já aceite um dólar mais baixo, alguma medida deve ser tomada na linha das decisões já tomadas anteriormente. Uma exposição desse tamanho — US$ 20 bilhões, no total — pode gerar desequilíbrios e distorções.

“O governo deveria intervir no mercado à vista, limitando a posição dos bancos para tentar influenciar o segmento futuro. Só que, agora, em vez de 90 dias para adequação, deveria dar só 30. Aí, sim, seria um impacto grande na cotação da divisa”, argumentou Nehme. “Só espero que o governo não intervenha para aliviar um lado. Os estrangeiros entraram nessa estratégia e precisam assumir os riscos, ter medo de perder dinheiro.” A expectativa, a despeito do cenário nesses últimos dois dias, é de que o ingresso de recursos no Brasil se normalize e o dólar retome suas trajetória de queda.

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