Autor(es): agência o globo: Gilberto Scofield Jr
O Globo - 11/04/2011
Para Dilma, os dois países devem cooperar em áreas como inovação
PEQUIM. O ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante, afirmou ontem que, apesar de a China ser acusada de lançar mão de práticas de concorrência desleais, como pirataria industrial, câmbio artificialmente desvalorizado ou protecionismo explícito, boa parte dos problemas no relacionamento comercial entre os países é culpa do Brasil: o país investe pouco em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica e, por isso, exporta para os chineses basicamente matérias-primas de pouco valor agregado, enquanto importa produtos manufaturados de seu parceiro.
O ministro criticou também a atitude do Congresso em relação aos recursos que bancam a pesquisa em tecnologia no Brasil. Segundo ele, a Casa contingenciou R$610 milhões do MCT no orçamento deste ano, enquanto ampliou em R$2,7 bilhões os recursos para o Ministério do Turismo.
Para garantir recursos para pesquisa, o ministro sugeriu a criação de quatro fundos setoriais - automobilístico, financeiro, de mineração e de construção civil - que seriam abastecidos com recursos advindos de tributos cobrados sobre esses setores. Sem adiantar como isso seria feito, Mercadante disse que o assunto vem sendo discutido dentro do governo com técnicos do Ministério da Fazenda e com alguns setores, como o segmento de construção civil.
- Poderíamos tributar os veículos com motores que não fossem bicombustíveis ou que não usassem etanol e investir em pesquisas sobre resistência de motores para o uso de etanol, por exemplo - disse.
Brasil importa US$3 mil por tonelada e exporta US$163
O ministro afirmou que o Brasil precisa mudar sua cultura de compra e importação de tecnologia e criticou o setor privado por investir pouco em pesquisa.
- Ou nos contentamos em ser exportadores de commodities ou admitimos a necessidade de inovação e investimos no tema. Precisamos criar a Embrapa da indústria. Como não fazemos, o preço médio, por tonelada, de tudo o que a China vende para o Brasil é de US$3 mil, enquanto o preço médio da tonelada que vendemos os chineses é US$163. Para comprar uma tonelada de circuitos integrados vendidos pela China, temos que vender 21,5 mil toneladas de minério de ferro.
Em entrevista à agência chinesa Xinhua, a presidente Dilma Rousseff, que inicia uma série de compromissos em Pequim hoje, disse que a relação entre Brasil e China deve se basear na "reciprocidade". Para ela, "poderia haver mais cooperação em áreas estratégicas como inovação".
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