A Ásia é o principal objetivo da Aliança para o Pacífico, que deve ganhar existência concreta a partir de abril, quando Chile, México, Colômbia e Peru eliminarem a cobrança de tarifas aduaneiras de 90% dos produtos que comercializam. O Japão deve assistir como observador a próxima reunião de cúpula dos chefes de Estado do grupo, em maio, na cidade colombiana de Cali.
Atualmente, chilenos e peruanos, fornecedores de matéria-prima, são superavitários no comércio com os países asiáticos. Os dois países mais industrializados do grupo, México e Colômbia, são deficitários. O Chile tem um superávit anual da ordem de US$ 12 bilhões com China, Japão e Coreia do Sul, e o Peru desfruta de uma conta favorável de US$ 1,4 bilhão com esses mesmos países. A Colômbia tem déficit de US$ 7 bilhões com essas economias, e o México mostra um enorme desequilíbrio: importou em 2011 US$ 81,2 bilhões das principais economias da Ásia e vendeu somente US$ 9,7 bilhões.
"O acordo abre uma grande possibilidade de desenvolvimento a uma eventual e futura maior integração em direção ao Pacífico", afirmou o presidente mexicano Enrique Peña Nieto no anúncio do acordo, no dia 27, em Santiago. Em entrevista coletiva à imprensa peruana, no dia seguinte, o presidente peruano, Ollanta Humala, foi mais enfático. "A aliança fortalece o bloco latino-americano junto à Ásia. Precisamos ganhar peso econômico. Eles já diversificaram a matriz produtiva e nós ainda estamos nos industrializando", afirmou.
A Aliança para o Pacífico, descrita pelo presidente colombiano Juan Manuel Santos como "a mais profunda e importante que já se fez na América Latina", em uma comparação indireta com o Mercosul, é essencialmente um bloco formado por países que fomentam o livre comércio.
A ação estratégica em terceiros países, na qual está prevista até a abertura de embaixadas conjuntas na África, de acordo com Santos, não passa pela formação de um mercado comum, com a criação de uma única tarifa externa, como acontece no Mercosul.
"É uma reação muito clara destes países em relação ao avanço do protecionismo, um movimento oposto ao que se observa no restante do continente", comentou o economista chileno Alejandro Alarcón, professor da Universidade do Chile.
O comércio intrarregional é relativamente modesto. Os países da Aliança representaram em 2011 exportações de US$ 8,8 bilhões ao México, quase o equivalente ao que o país vendeu para as três maiores economias asiáticas e superior aos US$ 8,3 bilhões vendidos para Brasil, Argentina e Venezuela. Do ponto de vista interno, a aliança é importante para fomentar investimentos mútuos. "As empresas do Chile são maiores fora do que dentro do país", disse Alarcón.
Em 2012, o setor privado chileno realizou investimentos no exterior no total de US$ 9,7 bilhões, sendo cerca de US$ 6 bilhões na Colômbia. Entre os negócios realizados, está a compra da operação local do banco Santander pelo chileno CorpBanca e a aquisição da filial colombiana do Carrefour pela Cencosud.
Em 2011, o grupo colombiano Sura comprou a operação mexicana da seguradora holandesa ING por US$ 3,6 bilhões, a maior aquisição empresarial do ano no país. Grupos empresariais peruanos, como o Brescia, demonstraram interesse em fazer aquisições de empresas chilenas da indústria de salmão.