O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) afirmou ser hora de o governo olhar com maior atenção as contas externas. Para ele, é necessária a redução do custo Brasil, medida que considerou essencial para o incremento da exportação de manufaturados. Em discurso em Plenário, nesta terça-feira (7), o senador defendeu também o aperfeiçoamento da administração tributária, no intuito de diminuir a burocracia e permitir que as empresas utilizem, em prazo mais curto, os créditos tributários acumulados com a exportação.
Dornelles observou ser preciso, acima de tudo, que o governo adote uma política de câmbio flutuante “de verdade”. Essa política, para ele, “é sempre a mais forte vacina contra qualquer problema de natureza cambial”.
Ele lembrou que a balança comercial, que alcançou superávit de US$ 20 bilhões em 2012, apresentou, no primeiro trimestre deste ano, um déficit em torno US$ 5 bilhões. As razões, segundo ele, foram a queda da exportação de produtos industrializados, de semi-elaborados e de primários, bem como a diminuição do número de países que receberam nossos produtos. Outros motivos da queda na exportação, enumerou, foram a economia desaquecida dos países desenvolvidos; a queda no preço da maioria dos produtos primários; o protecionismo argentino em relação aos produtos industrializados; e o câmbio ainda valorizado.
Afirmou também que o crescimento da economia do país, embora aquém do desejado, impôs um volume de consumo superior ao coberto pela oferta interna, o que continuou pressionando as importações.
O primeiro trimestre trouxe ainda déficits na conta de rendas, que aumentou de US$ 6 bilhões para 10 bilhões, e na conta de serviços, que passou de US$ 9,3 bilhões para US$ 10,5 bilhões, se comparado com o mesmo período de 2012. Na conta de rendas, chamou a atenção para a remessa de lucros e dividendos, que passou de US$ 3,5 bi para US$ 7 bi.
Somados, os déficits das contas de serviços, de rendas e da balança comercial atingiram US$ 25 bilhões. No primeiro trimestre de 2012, esse déficit, que tinha sido de US$ 12 bilhões, foi coberto pelos investimentos diretos vindos do exterior, que somaram US$ 15 bilhões. Em 2013, porém, esses investimentos chegaram somente a US$ 13 bilhões.
Para o parlamentar, o Brasil se encontra ainda em uma situação cambial de conforto, já que as reservas cambiais alcançam US$ 370 bilhões, sendo superiores à dívida externa, hoje em US$ 317 bilhões. Além disto, os investimentos financeiros do exterior continuam a entrar no país. Mas Francisco Dornelles disse que os números do primeiro trimestre sejam vistos com muito realismo, e que as medidas sugeridas venham a ser tomadas o quanto antes.
Fonte: Agência Senado