Declarações de Aldo Mendes fazem dólar se aproximar dos R$ 2,15 na máxima do dia, mas alta perdeu força após esclarecimentos.
O dólar bateu na máxima de R$ 2,148 no mercado cambial doméstico na tarde desta terça-feira (4/6), quando chegou a subir quase 1%, logo após o diretor de política monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, dizer que o Brasil terá de conviver com uma taxa de câmbio mais fraca.
No entanto, Mendes se referia ao movimento mundial que ocorre no câmbio, onde a moeda americana tem subido frente a praticamente todas as outras divisas do globo, com a perspectiva de que o Federal Reserve, o banco central americano, pode iniciar uma redução de seu programa de compra de ativos. "Temos de conviver com isso", pontuou a autoridade.
Como a corrida por dólares se intensificou após as declarações, o diretor do BC, que participa de evento em Londres, esclareceu que, caso a alta do dólar frente ao Real esteja em desalinho ao avanço verificado frente aos pares, então o BC deverá atuar.
Com isso, a alta da moeda dos Estados Unidos amainou, e terminou com um incremento de apenas 0,09% ante a brasileira, cotada a R$ 2,129 para venda.
"Quando o Aldo falou, o mercado entendeu que o BC não iria intervir, e o dólar disparou. Depois ele esclareceu que a autoridade pode intervir se houver um descolamento do Real contra as outras moedas", afirma Ures Folchini, vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB.
"Acredito que é isso que tem de ser feito. Se ante as outras divisas o dólar estiver subindo 1%, e contra o Real a alta for de 2%, então tem de intervir", pondera o especialista.
A expectativa de uma redução no programa de estímulos do Fed começou a ganhar força após declarações de presidentes regionais do banco central americano, que avaliam que os dados do mercado de trabalho da região permitem essa manobra.
Nesta terça a presidente do Fed de Kansas, Esther George, falou que a redução no ritmo de compras não significa apertar a política monetária dos Estados Unidos, e que o movimento ajudaria os mercados financeiros a se livrarem da dependência do dinheiro ultra-frouxo do BC americano.
"Uma redução no ritmo de compras poderia ser considerado como tirar o pé do acelerador, em vez de pisar no freio. Ajustes hoje podem ter um ritmo comedido à medida que o progresso da economia se desdobra", disse ela.
Os agentes aguardam os dados do ‘payroll' que serão divulgados nesta sexta (7/6) nos Estados Unidos, que podem dar novas sinalizações sobre os próximos passos do Fed e sua política monetária.
Juros
No mercado de juros futuros da BM&F, a curva chegou a subir após o forte resultado da produção industrial brasileira, bem acima das expectativas dos analistas, mas terminou o dia perto da estabilidade.
A aversão ao risco que prevaleceu entre os índices acionários das Bolsas americana e brasileira favoreceu o movimento dos juros futuros, fala Folchini.
Mais negociado, com giro de R$ 42,608 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014, que fincou máxima em 8,48%, terminou nos mesmos 8,44% da véspera, enquanto o para janeiro de 2015, com máxima em 9,05%, caiu de 8,97% para 8,96%, com volume de R$ 40,842 bilhões.
O mercado dá como certa uma nova alta de 0,50 ponto percentual na Selic no próximo encontro do Copom, nos dias 9 e 10 de julho, e o debate entre os agentes agora, diz o executivo do WestLB, está no que será feito pelo colegiado na reunião dos dias 27 e 28 de agosto.
O WestLB hoje aposta em uma alta de 0,25 ponto, que levaria a taxa de juros para 8,75% ao ano, mas os dados de atividade e inflação que serão divulgados até lá podem alterar o prognóstico.