Agência Senado - 01.07.2013
Em pronunciamento nesta segunda-feira (1º), o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) criticou duramente a proposta de plebiscito para a reforma política, afirmando que a consulta popular não pode dar conta de assuntos com a complexidade que a situação exige. Ele contou mais de 15 opções que deveriam constar da consulta ao povo, sob pena de transformar a cédula do plebiscito em um "golpe contra a opinião popular".
- O Plebiscito pode se tornar um golpe, sim. Um golpe contra as instituições, depenendedo da maneira que for feita a cédula, o assunto do plebiscito, a complexidade. Ou nós teríamos aqui uma cédula com 50 soluções, ou simplesmente vamos fazer uma cédula reduzida, desconsiderando situações que parte da sociedade deseja - alertou.
Dornelles leu vários artigos de opinião publicados nos últimos dias que contestam o plebiscito e comentou questões indispensáveis em uma reforma política. Ele também considerou "extremamente perigosa" a convocação de uma Constituinte exclusiva para a reforma política, temendo que o precedente pudesse servir para outras constituintes assembleias para a reforma de outros aspectos da Carta Magna.
- Era um caminho que se propunha para reformar a Constituição atual, agredindo a própria Constituição, ignorando os mecanismos que ela possui para ser reformada - afirmou, declarando-se feliz ao ver que o governo se deu conta da "inconveniência" da proposta.
Francisco Dornelles, ao pedir atenção à proposta de plebiscito, reiterou a possibilidade de "golpe" sugerindo que o único objetivo da proposta é introduzir no Brasil o voto em lista.
Em apartes, Cristovam Buarque (PDT-DF) acompanhou a opinião de Dornelles e chamou o Congresso a apresentar outro caminho para a reforma política, sugerindo a assessoria de personalidades para a elaboração de um documento a ser submetido a referendo; Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) se disse "impressionado" com a leitura dos jornais sobre a proposta de plebiscito; Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) discordou da definição do plebiscito como "golpe"; Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou "muita clareza" na definição do plebiscito e na campanha de esclarecimento ao eleitor, manifestando-se confiante em um entendimento que assegure a consulta popular; Cícero Lucena (PSDB-PB) saudou a contribuição de Dornelles para que fosse "enterrado" o tema da Constituinte exclusiva para a reforma política e pediu ao Congresso atenção à voz das ruas; e José Sarney (PMDB-AP) pediu esforço contra o retrocesso das instituições políticas brasileiras, considerando o voto proporcional uninominal responsável pela "degradação da vida pública".