Mercosul persiste como a principal fonte de superávit para o comércio exterior brasileiro

Editoria Comex do Brasil - 03.07.2013
Da Redação

Brasília – Apesar das duras críticas feitas ao Mercosul por representantes da indústria, do agronegócio e de outros segmentos da economia brasileira, o bloco integrado pela Argentina, Paraguai (temporariamente suspenso), Uruguai e Venezuela, além do Brasil, é o conjunto de países que proporciona ao Brasil o maior superávit em suas relações comerciais internacionais.

De janeiro a maio, o intercâmbio com o Mercosul gerou um saldo de US$ 2,572 bilhões. Nesse mesmo período, o Brasil acumulou deficits expressivos nas trocas comerciais com a União Europeia e com a África e obteve superávits menos relevantes com os BRICs e o Oriente Médio.

Nos cinco primeiros meses de 2013, o intercâmbio com os quatro outros países membros do Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) totalizou US$ 20,206 bilhões, resultado de exportações brasileiras no montante de US$ 11,369 bilhões e importações totalizando US$ 8.817 bilhões.

A balança comercial intrabloco foi favorável ao Brasil no total de US$ 2,572 bilhões. Em 2012, as trocas do Brasil com o Mercosul somaram US$ 48,105 bilhões e proporcionaram ao País um saldo de mais de US$ 7,610 bilhões.

Entre janeiro e maio deste ano, as exportações brasileiras para o Mercosul registraram um crescimento de apenas 0,45%, enquanto as importações junto aos sócios do bloco aumentaram a uma taxa de 11,65%. No período, os países do Mercosul foram o destino de 12,21% de todo o volume exportado pelo Brasil e forneceram ao País 8,93% de tudo o que foi importado.

Além de gerar superávits expressivos para o Brasil, o Mercosul é também o bloco que mais importa produtos semimanufaturados e manufaturados brasileiros. Nos cinco primeiros meses deste ano, de um total de US$ 11,389 bilhões exportados pelo Brasil ao Mercosul, apenas US$ 1,342 bilhões foram produtos básicos, de baixo valor agregado. Os produtos semimanufaturados e manufaturados corresponderam a exportações no montante de US$ 10,031 bilhões, cifra que não foi alcançada pelo Brasil em seu comércio internacional com nenhum dos blocos comerciais em todo o mundo.

A União Europeia por exemplo, que como bloco formado por 28 países (após o ingresso da Croácia, no último dia 1º ) aparece como maior parceiro comercial do Brasil, importou do País mercadorias no total de US$ 18,107 bilhões e exportou bens no montante de US$ 20,895 bilhões. Com isto, a União Europeia teve um superávit de US$ 2,788 bilhões no comércio com o Brasil em apenas cinco meses deste ano.

A África é outro continente com o qual o Brasil mantém um intercâmbio comercial deficitário. De janeiro a maio, as exportações brasileiras para os países africanos somaram US$ 4,336 bilhões, enquanto as importações atingiram um montante de US$ 6,721 bilhões, gerando um saldo negativo de US$ 2,385 bilhões.

Além do Mercosul, os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul) foram o outro bloco que proporcionou ao Brasil uma balança superavitária no comércio bilateral. Este ano, as exportações brasileiras para o bloco somaram US$ 21,332 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 18,935 bilhões, gerando um saldo de US$ 2,396 bilhões. Apesar do saldo, é de se registrar que as exportações brasileiras para os BRICs são fortemente concentradas em produtos primários e apenas três itens (soja, minério de ferro e petróleo) foram responsáveis por cerca de 70% de todo o volume exportado pelo Brasil para a China, principal parceiro comercial do Brasil em todo o mundo e também entre os membros dos BRICs.

Parceiro estratégico

“Os países do Mercosul são o maior destino das exportações de nossos produtos industriais. Temos superávits com os maiores parceiros, que são Argentina e Venezuela. Além disso, nada impede que exportemos para os Estados Unkidos ou para a Europa, mas não temos competitividade para tanto.”

A análise é do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores no governo Lula e Alto Representante Geral do Mercosul até junho de 2012.

Ao falar sobre a importância do Mercosul para o comércio exterior brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães classificou como “absurda” a declaração prestada recentemente por Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para quem o Mercosul seria “um empecilho” à expansão do comércio exterior do setor industrial brasileiro.

“Essa idéia representa uma retomada, com nova roupagem, das pressões em favor da Área de Livre Comércio das Américas (Alca, abria todos os mercados da região aos Estados Unidos). Não são acordos desse tipo que irão resolver. Ao contrário, poucas empresas nacionais resistiriam a eles.”
Para Guimarães, tais acordos, na prática, deverão fazer nossas importações aumentarem, pois o país será obrigado a reduzir tarifas: “Na Europa e nos EUA, as tarifas já são baixas para manufaturados (média de 4%)”, compara.