Ana Amélia cobra restrição à entrada de produtos asiáticos no Brasil

Senado Federal
Em pronunciamento nesta quinta-feira (7), a senadora Ana Amélia (PP-RS) alertou para a "invasão" dos produtos asiáticos no mercado brasileiro. As mercadorias vêm da China, Coreia do Sul, Indonésia e Tailândia.

Ana Amélia afirmou que a concorrência desleal está causando o "sufocamento" de muitas indústrias brasileiras, com o fechamento de empresas e a perda de empregos. Seria o caso do setor de autopeças, um dos mais afetados, e da indústria calçadista do Rio Grande do Sul, a "primeira vítima" da invasão, segundo a senadora.

- Até quando nosso mercado será o paraíso para os produtos asiáticos? Não é a hora de exigirmos cláusulas sociais, cláusulas ambientais, assim como fazem os nossos concorrentes nos países ricos? - questionou.

A senadora esclareceu que não é contra a abertura econômica, mas cobrou mais rigor em relação ao ingresso de mercadorias importadas, inclusive na taxação dos produtos. Para ela, enquanto o governo brasileiro deixar as "portas escancaradas", o mercado interno ficará ameaçado.

Ana Amélia ressaltou ainda que a situação se agravou nos últimos oito anos. Ela citou dados recentes da balança comercial brasileira que mostram o primeiro mês deste ano com déficit superior a U$ 4 bilhões - o pior resultado mensal em 20 anos. Na comparação com janeiro de 2012, as exportações caíram 1,7%, contra 14,6% de crescimento nas importações.

- Para piorar, os produtos fabricados no Brasil por pequenas e médias empresas estão perdendo a briga com o concorrente - disse Ana Amélia, ao acrescentar que os empresários brasileiros enfrentam também uma pesada carga tributária, entraves para liberação de linhas de crédito e normas rigorosas para a certificação das mercadorias.

A falta de condições financeiras, de apoio logístico e de estímulo à inovação foram outros gargalos apontados pela senadora. A atual situação econômica da Argentina, com produção interna esfacelada, foi citada como exemplo a ser evitado.

- O Brasil não pode trilhar esse caminho sob pena de estarmos gerando desemprego e desestímulo aos setores produtivos - afirmou.