O dólar oscilou próximo da estabilidade frente ao real na primeira parte do pregão, com os operadores no aguardo do discurso do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini.
"O Tombini deixou a questão da política cambial em aberto, o que fez o mercado voltar a ter a expectativa de que o câmbio continua sendo ferramenta para controle da inflação", afirma João Paulo de Gracia Corrêa, gerente da mesa de câmbio da Correparti.
Foi depois do pronunciamento da autoridade, nota o especialista, que a cotação da divisa atingiu a mínima do dia, na faixa dos R$ 1,953.
No fechamento, a moeda americana ficou em R$ 1,955, queda de 0,41%.
"Aos poucos o mercado novamente testa a disposição do BC em voltar a defender o piso de R$ 1,95", comenta Corrêa.
A depreciação do dólar no âmbito global - o Dollar Index recuava 0,20% - contribuiu para o movimento verificado internamente, afere o gerente da Correparti.
Juros
A curva de juros futuros da BM&FBovespa, que abriu em baixa, por conta do IGP-M e das vendas no varejo, inverteu a tendência após o discurso do Tombini, e fechou em alta.
Mais negociado, com giro de R$ 81,411 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 subiu de 7,72% para 7,75%, enquanto o para janeiro de 2015 avançou de 8,42% para 8,44%, com volume de R$ 49,350 bilhões.
"O discurso do Tombini tirou a possibilidade de alta dos juros no curtíssimo prazo, mas evidenciou a preocupação com a inflação", diz Paulo Petrassi, sócio da Leme Investimentos.
"O BC tem comunicado sua estratégia, que permanece válida neste momento, por outro lado evidentemente isso não significa que os ciclos monetários foram abolidos, conforme tenho repetidamente mencionado em fóruns nacionais e estrangeiros", disse Tombini em discurso durante evento do BC em Brasília.
"Quando necessário, se ensejado pelo cenário prospectivo para a inflação, a postura do BC em relação à política monetária será adequadamente ajustada", acrescentou.
Embora não espere por alterações na Selic já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre nos dias 5 e 6 de março, Petrassi acredita que na ata desse encontro, o colegiado deve retirar do comunicado o termo "suficientemente prolongado".
"Se retirar o termo, o BC deixa aberto o canal para uma elevação da taxa a partir do próximo encontro", fala o sócio da Leme.