Após duas quedas seguidas, que aproximaram a cotação do dólar do nível de R$ 1,95, o mercado cambial doméstico abriu nesta sexta-feira (15/2) novamente jogando para baixo a moeda americana, o que trouxe o Banco Central (BC) de volta com um leilão de compra.
Depois de o dólar bater na mínima de R$ 1,950, quando chegou a cair 0,40%, a autoridade monetária interveio com um leilão de swap cambial reverso, que corresponde a uma compra de divisas no mercado futuro.
A operação teve os 27 mil contratos ofertados liquidados, com giro de R$ 1,349 bilhão.
Com o leilão, o dólar foi catapultado para a máxima de R$ 1,963 do dia, por enquanto, ao alcançar uma alta de 0,25%, mas agora há pouco a valorização tinha amainado para 0,15%, e a divisa era negociada a R$ 1,961 na venda.
"Tem a expectativa que venha um segundo leilão. É bem provável", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.
Depois do efeito do swap reverso, o mercado de câmbio voltou a operar próximo da estabilidade, até com leve viés de queda, e essa trajetória de apreciação do dólar que começa a se desenhar deve ser reflexo de uma consulta do BC ao mercado para avaliar as condições de um segundo leilão, diz o especialista.
"O mercado agora vai ficar com a aposta de que quando bater nesse nível de R$ 1,95 o Bacen vai entrar comprando", pondera Galhardo.
Apesar das declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a taxa de juros é o instrumento para controlar a inflação, e não o câmbio, como os investidores passaram a apostar, justamente por conta das atuações do BC no mercado, o gerente da Treviso não acredita em um repique de alta para o dólar neste momento.
Mesmo com o fluxo negativo de US$ 2,453 bilhões no ano, contra o saldo positivo de US$ 14,499 bilhões em igual período de 2012, o especialista nota que há uma perspectiva de que a entrada volte a prevalecer no curto/médio prazo, o que tende a manter a cotação da divisa entre R$ 1,95 e R$ 2,00.
Juros
As declarações do ministro Mantega geram forte abertura na curva de juros futuros da BM&F Bovespa. As apostas dos operadores voltam a precificar uma elevação da taxa básica de juros no segundo semestre de 2013, quadro que já foi observado semana passada após a divulgação do IPCA de janeiro.
Mais negociado, com giro de R$ 55,2 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 subia de 7,41% para 7,52%, enquanto o para janeiro de 2015 avançava de 8,19% para 8,24%, com volume de R$ 32,964 bilhões.
O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), que desacelerou para 0,29% em fevereiro, contra os 0,42% da aferição anterior, e os 0,37% esperados pelo mercado, não teve força para impedir uma elevação dos prêmios embutidos na curva.