Após duas quedas seguidas, o dólar volta a operar em alta frente ao real no pregão desta quarta-feira (20/2), em linha com a tendência que prevalece no exterior.
A proximidade da cotação da divisa americana com o patamar de R$ 1,95 também contribui para a interrupção na trajetória declinante do dólar.
Há pouco, a moeda tinha valorização de 0,46%, e era negociada a R$ 1,964 para venda.
O Dollar Index, índice que mede a variação do dólar contra uma cesta de divisas, avançava 0,37%.
"Os agentes domésticos apresentam certa timidez em testar o Banco Central (BC), pois cada vez que a divisa toca os R$ 1,955, volta a subir para a casa de R$ 1,958", afirma João Paulo de Gracia Corrêa, gerente da mesa de câmbio da Correparti, em relatório.
Os ganhos do dólar se intensificaram após os dados da autoridade sobre o fluxo, que apontaram saída de US$ 817 milhões em fevereiro, até o dia 15.
Na segunda semana de fevereiro, considerando o período entre os dias 13 e 15, o fluxo negativo chegou a US$ 750,1 milhões.
No acumulado deste ano, o saldo é negativo em US$ 3,203 bilhões, ante fluxo positivo de US$ 14,169 bilhões em igual época de 2012.
Juros
A curva de juros futuros da BM&FBovespa opera em queda, influenciada pela divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que veio abaixo das expectativas.
Mais negociado, com giro de R$ 36,835 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 recuava de 7,77% para 7,71%, enquanto o para janeiro de 2015 caía de 8,47% para 8,41%, com volume de R$ 24,284 bilhões.
Embora admita que o dado da autoridade é o que motive o movimento do dia, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luiz Otávio de Souza Leal, ressalta que a incerteza sobre quando a Selic será elevada tem aumentado a volatilidade no mercado de juros futuros.
"Ninguém sabe muito bem os próximos passos da política monetária, e o mercado fica muito volátil", pondera o especialista.
Leal lembra a sessão passada para exemplificar seu raciocínio, quando a curva passou a maior parte da sessão em baixa, por conta das decepcionantes vendas no varejo, e acabou revertendo a tendência após discurso do presidente do BC, Alexandre Tombini, no qual foi ventilada a possibilidade de aperto monetário.
"As variações da curva têm mais a ver com a própria indefinição do mercado do que efetivamente uma mudança de visão", diz o economista, para quem a Selic não sobe antes do segundo semestre de 2013.