Ainda que os investidores esperassem por um número alto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu de 0,79% para 0,86% em janeiro, e foi o maior desde abril de 2005, tem forte repercussão nos mercados de câmbio e juros nesta quinta-feira (7/2).
O dólar tem queda acentuada ante o real - há pouco a moeda recuava 0,95%, e era negociada a R$ 1,969 na venda, mas a mínima já bateu em R$ 1,968, quando a queda chegou a 1%.
"Essa inflação repercutiu a favor da política do Banco Central (BC). O mercado está indo mais no discurso do Tombini do que no do Mantega", afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.
Na semana passada, quando o BC fez a rolagem de contratos de swap cambial (que corresponde a uma venda de dólares no mercado futuro), a leitura feita pelos investidores foi a de que a autoridade estaria optando por um real mais valorizado, para ajudar no controle da inflação.
No entanto, o ministro da Fazenda, pouco após a operação do BC, se apressou em dizer ao mercado para não esperar por um "derretimento" na taxa da divisa americana.
Após a cotação do dólar permanecer por alguns dias com baixas oscilações, sem conseguir fugir dos R$ 1,98 a R$ 1,99, o gerente da Treviso prevê que o IPCA de janeiro pode ajudar a levar a taxa mais próxima dos R$ 1,95.
"Romperam hoje os R$ 1,98 exatamente para testar o BC", pontua Galhardo.
Por conta do feriado de Carnaval, que vai fazer nosso mercado ficar com uma defasagem de dois dias e meio frente ao resto do mundo, o especialista lembra que, na volta, podemos ter algum repique de alta no dólar, caso tenhamos notícias negativas vindas de fora.
Ainda assim, a tendência que deve prevalecer no curto prazo é de valorização do real.
"Provavelmente estão derrubando o dólar para não mexer nos juros", comenta o gerente da Treviso.
Juros
Apesar da constatação do especialista, no mercado de juros futuros da BM&FBovespa, os operadores, após o IPCA, passaram a apostar na elevação da taxa Selic já no segundo semestre deste ano.
Mais negociado, com giro de R$ 54,279 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 subia de 7,35% para 7,47% (com a máxima em 7,55%), enquanto o para janeiro de 2015 avançava de 8,08% para 8,20%, com volume de R$ 44,743 bilhões.
Em 12 meses, o IPCA roda em 6,15%, ou seja, bem próximo do teto da meta inflacionária do BC, em 6,5%.
Ainda assim, em fevereiro o mercado espera forte desaceleração do índice.
A consultoria LCA estima queda de aproximadamente 13,5% no preço da energia elétrica residencial em fevereiro, o que deve levar o IPCA para de 0,86% para 0,45%.