Saldo comercial deixa de cobrir déficit de serviços


Os saldos comerciais tornaram-se insuficientes para cobrir o enorme buraco na conta de serviços do Brasil com o exterior, que no ano passado chegou a US$ 41 bilhões. Esse déficit representou o dobro do superávit obtido pelo país no comércio de bens, e indica uma tendência, pois foi o terceiro ano consecutivo que a relação entre as duas balanças foi negativa. Nos últimos 30 anos, e considerando os períodos em que o país teve superávit comercial, essa conta só havia sido negativa em 1983, 2010 e 2011.
No ano passado, as despesas do Brasil com aluguel de equipamentos, viagens ao exterior, transportes e outros serviços somaram US$ 80,9 bilhões, enquanto as receitas obtidas com esse tipo de "exportação" foram de US$ 39,8 bilhões. Para analistas, a balança de serviços vem acompanhando o aumento da participação desse setor na economia nacional e reflete mudanças no padrão de consumo e na própria atividade doméstica. Assim, ganham peso as viagens das famílias brasileiras ao exterior e o aluguel de equipamentos para a exploração do pré-sal e obras de infraestrutura.
O déficit em serviços tem sido crescente - há dez anos era de US$ 5 bilhões - e tem representado uma parcela maior do Produto Interno Bruto (PIB). O déficit do ano passado foi equivalente a 1,8% do PIB, de acordo com cálculos da LCA Consultores, percentual que oscilou em torno de 1% entre 2005 e 2008.
Entre os poucos setores de serviços nos quais o país tem superávit está o grupo que envolve engenharia, arquitetura e profissionais liberais. Com ajuda das obras que empreiteiras brasileiras realizam na América Latina e África, o país exportou US$ 20 bilhões e importou US$ 8,5 bilhões.
Fonte: Valor Econômico