Correio Braziliense - 12/03/2013
Depois de o dólar ter sido negociado abaixo de R$ 1,94, na última sexta-feira, o Banco Central decidiu intervir. Em uma operação conhecida como swap cambial reverso, equivalente a compra de dólares no mercado futuro, a autoridade monetária adquiriu ontem quase US$ 1 bilhão. Com a intervenção, a moeda norte-americana, que seguia em queda frente ao real voltou para o terreno positivo, e fechou o dia negociada a R$ 1,957, com alta de 0,51%. A entrada do BC no mercado serviu ainda para delimitar um novo piso para a cotação da divisa. Na avaliação de especialistas, o governo agora autoriza, extraoficialmente, um valor mínimo para a moeda entre R$ 1,94 e R$ 1,95.
Para Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora de Câmbio, o governo tem usado o dólar para controlar as pressões inflacionárias e, se o custo de vida pesar ainda mais nos próximos meses, a moeda pode continuar a derreter frente o real. “O quadro econômico brasileiro é bastante complexo, crescer num ambiente em que se procura conter a inflação aquecida é tarefa sujeita ao fracasso”, disse. “Ainda há otimismo em relação a 2013, mas é preciso que o governo torne mais transparente sua política monetária e cambial”, criticou.
Nehme lembra que o Brasil tem registrado mais saídas de dólares do que entradas nos três primeiros meses do ano e que, por isso, a cotação da divisa deveria estar em alta. Ele e outros especialistas avaliam, porém, que o poder de fogo do Banco Central – que detém US$ 376,1 bilhões a disposição para operar no mercado –, assusta os operadores e, mesmo em um cenário que deveria ser de alta do dólar, a divisa fica sempre no nível desejado pelo governo.
A equipe econômica, em diversas ocasiões, fez questão de afirmar que impedirá oscilações exageradas da moeda e que o dólar terá pouca volatilidade ao longo de 2013. Para uma ala do governo, entretanto, a divisa deveria estar em um nível maior como forma de ajudar os exportadores e a indústria, que tem sofrido com a competição internacional. Essa estratégia, porém, ficou limitada com a disparada da inflação e a resistência da presidente Dilma Rousseff em permitir juros maiores no país.
Com o movimento da cotação da divisa, o dólar turismo também registrou elevação. Ontem, ele era negociado a R$ 2,09 na venda, após ter apresentado alta de 0,48% frente o valor da última sexta-feira. Especialistas lembram, porém, que o preço do dólar nas casas de câmbio não é fixo, cada empresa define sua própria margem de lucro sobre a venda da moeda e, por isso, pode haver diferença entre a cotação de uma casa e outra. A principal dica dos especialistas é que o turista adquira o dinheiro que precisará para a viagem aos poucos. Por isso, na avaliação de operadores de câmbio, é preciso começar as compras meses antes da viagem. Dessa forma se pega uma taxa média do período, não se fica nem com a pior cotação e nem com a melhor. (VM)
US$ 376 bilhões
Quantia que a autoridade monetária tem para operar no mercado e derrubar a cotação da divisa
