A trajetória de apreciação do dólar, já iniciada na sessão passada, após o leilão de compra de divisas realizado pelo BC, prosseguiu no pregão desta terça-feira (12/3).
A moeda americana encerrou o dia com valorização de 0,35%, cotada a R$ 1,964 para venda.
"O câmbio deverá continuar com o seu preço dado, pelo menos até a próxima reunião do Copom, repetindo-se no seu mais do mesmo", diz Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO, em relatório.
Os dados de fluxo que serão divulgados amanhã pela autoridade monetária, se confirmarem as indicações mais recentes, nas quais as entradas começavam a prevalecer, beneficiadas pelo início da safra agrícola, devem manter o dólar com baixa variação.
"É preciso estar atento ao médio prazo neste ano, pois há tendência de que o fluxo cambial venha a tornar difícil a administração do preço do dólar pelo BC", pondera Nehme.
No curto prazo, a batalha do BC será para evitar que a cotação da divisa americana rompa o piso de R$ 1,95, mas no médio, nota o especialista, a tarefa deverá se dar na outra ponta.
"Este primeiro trimestre de 2013, ao fechar seus números do fluxo cambial, deixará evidente que foi substancialmente pior do que 2012, aliás, muito pior!", destaca o executivo.
Pelos dados mais recentes do BC, no acumulado de 2013, até o dia 1° de março, o fluxo está positivo em US$ 1,648 bilhão, contra os US$ 14,635 bilhões na mesma época de 2012.
"O Brasil poderá estar convivendo, após anos, com um saldo do fluxo cambial muito apertado ou até negativo, tendo ao mesmo tempo também, um desempenho da balança comercial desapontador".
Juros
A curva de juros futuros da BM&FBovespa encerrou a sessão em alta, após declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini.
Em apresentação realizada na Polônia, a autoridade citou uma maior resiliência da inflação no setor de serviços, e suprimiu o trecho que dizia que a inflação começaria a ceder a partir de julho.
Mais negociado, com giro de R$ 38,478 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 subiu de 7,83% para 7,90%, enquanto o para janeiro de 2015 avançou de 8,54% para 8,62%, com volume de R$ 30,684 bilhões.
"O tom mais conservador do Tombini foi interpretado pelo mercado como uma indicação de que a ata deve ser forte. Provavelmente os juros sobem já em abril", afirma Paulo Petrassi, sócio e gestor da Leme Investimentos.
Na avaliação do especialista, o Comitê de Política Monetária (Copom) inicia o ciclo de aperto monetário no próximo dia 17 de abril, com uma alta de 0,50 ponto percentual, e outra na sequência, na mesma magnitude, no encontro que termina em 29 de maio.