Após sinalização do BC, dólar volta para R$ 1,97

Brasil Econômico
Após sinalização do BC, dólar volta para R$ 1,97Declarações do governo a respeito de aumento da Selic na semana passada contribuem para elevação da curva de juros futuros da BM&F Bovespa.

O dólar opera em alta frente ao real neste primeiro pregão da semana, em uma sessão marcada pela liquidez reduzida, por conta do feriado nos Estados Unidos.

Há pouco, a divisa americana tinha ganhos de 0,20% ante a brasileira, e era negociada a R$ 1,969 para venda.

No último pregão da semana passada, o Banco Central (BC) realizou um leilão de compra de dólares, quando a cotação da moeda estava ao redor de R$ 1,95, e sinalizou ao mercado que não vai permitir um real mais valorizado do que isso.

No entanto, como um dólar muito apreciado também não será permitido para não ter influência nos índices de preços, a tendência é que a taxa do câmbio siga entre R$ 1,95 e R$ 2,00, ao menos no curto prazo.

"A tendência é ficar de lado esses dias", afirma Ures Folchini, vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB.
"O BC deu as caras no patamar de R$ 1,95, mas também não quer muito pra cima", emenda o especialista, justificando sua expectativa pelo marasmo do câmbio doméstico nos próximos dias.

No boletim Focus desta semana, os economistas consultados pela autoridade monetária reduziram sua projeção para a cotação do dólar em dezembro de 2013, pela quarta semana seguida, ainda que em intensidade irrisória - foi de R$ 2,03 para R$ 2,02.

Juros

No mercado de juros futuros, a curva opera em alta, a despeito do IPC-S em forte desaceleração, e do próprio boletim Focus, no qual os economistas voltaram a reduzir sua previsão para o IPCA, após seis elevações consecutivas.

Mais negociado, com giro de R$ 12,279 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 subia de 7,62% para 7,65%, enquanto o para janeiro de 2015 avançava de 8,30% para 8,35%, com volume de R$ 6,810 bilhões.

Na avaliação de Folchini, as declarações na semana passada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a taxa de juros é a ferramenta para conter a inflação, e não o câmbio, fez com que a percepção sobre uma elevação da Selic ainda em 2013 ganhasse força entre os operadores.

Esse cenário de elevação da Selic neste ano está precificado atualmente na curva de juros, mas não foi refletido no Focus, onde a projeção segue em 7,25% até o final deste ano.

A estimativa dos consultados pelo BC para o Focus referente ao IPCA, que caiu de 5,71% para 5,70%, após seis altas seguidas, está em sintonia justamente com as declarações do ministro, segundo o executivo do WestLB.

"Se vai ter subida nos juros, o pessoal fica mais tranquilo em relação à inflação", comenta o especialista. "O mercado vai se movimentar ao sabor das declarações".