Há dois anos, quando assumiu a presidência dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira recebeu da presidente Dilma Rousseff a missão de resgatar a empresa, cuja imagem, associada à confiança, foi abalada pelo Mensalão, em 2005.
O escândalo, explica Oliveira, impactou no dia a dia do negócio, porque as decisões tornaram-se lentas.
"Os processos de decisão passaram a ser muito mais lentos, com o olhar de que tudo seria avaliado também como algo que não estava de acordo com a legislação", diz.
"Isso causou uma retração na administração da empresa e, por consequência, atraso em investimentos, modernização, ampliação da automação que temos retomado nos últimos dois anos", completa.
Do ponto de vista de imagem, segundo Oliveira, a marca Correios continua entre as mais confiáveis do país. E, para revitalizar a empresa, que é quase uma quatrocentona, o caminho escolhido é a diversificação de negócios.
Os Correios querem aproveitar a infraestrutura de 7.500 agências espalhadas pelo país e a frota de 20 mil veículos, além da experiência em logística, para avançar em mercados onde já estão presentes, como é o caso de entrega de mercadorias.
Oliveira quer crescer no mercado concorrencial, ou seja, de entrega de encomendas, em especial, no atendimento a empresas de comércio eletrônico. Foi isso que levou à criação de uma vice-presidência de logística.
"À medida que o comércio eletrônico se fortalece, as empresas com foco em comércio eletrônico se desinteressam em ter centros de distribuição e terceirizam esse pedaço do negócio. E nós pretendemos prestar esse tipo de serviço", diz.
O mercado concorrencial representa 46% do faturamento dos Correios (na casa de R$ 15 bilhões em 2012) e a expectativa é que supere os 50% nos próximos anos.
Hoje, mais da metade da receita ainda vem do mercado tradicional de cartas, telegramas e correspondências agrupadas, cuja exploração é exclusiva dos Correios, segundo, a Constituição.
"A gente cumpre esse papel de integração nacional de um país do tamanho que tem o Brasil. Nós garantimos a entrega em qualquer cantinho desse país. E isso nenhuma outra empresa fez até hoje, mesmo aquelas que questionam o modelo existente", defende Oliveira.
Outra forma de atacar o mercado concorrencial é internacionalizar os Correios. Entre março e abril, a empresa deve abrir seu primeiro escritório de prospecção no exterior. A cidade escolhida é Miami (EUA), de olho nos mercados de encomendas e corporativo.
Mas ainda este ano, Oliveira espera ver negócios dos Correios em outras áreas e voltados para o consumidor final. Uma delas é a de seguros. Os Correios entrarão neste mercado com um seguro de vida, no modelo de microseguro, no qual o cliente paga uma mensalidade de baixo valor.
Outro plano é lançar o celular dos Correios que, além de funcionar como telefone, terá serviços exclusivos criados pela empresa. Nos dois casos, os produtos serão voltados para a população de baixa renda.