'Problema cambial pode se agravar', diz diretor do FMI

Valor Econômico - 15/02/2013
Por Assis Moreira | De Moscou

O risco de guerra cambial se agravou, porque vários países tentam resolver suas crises domésticas exportando o problema por meio do câmbio. A avaliação é do diretor-executivo para Brasil e outros dez países na diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Júnior, que desde terça-feira participa de reuniões no G-20 - grupo que reúne ministros de finanças e chefes de bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia - em Moscou.

Ele observou que o problema para os desenvolvidos é a duração das dificuldades, com alto nível de desemprego, daí a tentação de exportar os problemas. "Eles mesmo reconheceram que suas políticas monetárias expansionistas para fins domésticos não deixam de ter implicações internacionais via taxa de câmbio, suas moedas se desvalorizam", afirmou, falando em nome pessoal.

O choque entre emergentes e desenvolvidos prosseguiu, em reunião de vice-ministros do G-20, apesar das tentativas do G-7, dos maiores industrializados, de abafar o debate sobre guerra cambial.

Os emergentes em geral insistiram que a atuação de vários desenvolvidos no câmbio tem impacto sobre suas economias. O México reclamou da pressão por valorização de sua moeda. Os industrializados insistiram que a política monetária expansionista não visa câmbio e sim gerar crescimento.

O Japão, alvo da vez, ao invés da China, argumentou que sua política monetária frouxa agora é para combater a deflação.

Enquanto o confronto prosseguia, sem surpresa, resultados decepcionantes do PIB na zona do euro e no Japão no quarto trimestre de 2012 eram anunciados. A expectativa de certos analistas é de que, mesmo se a atividade der um salto no começo deste ano, fez isso em base muito baixa. Assim, não só a zona do euro continua em recessão prolongada, como também o Canadá perde seu brilho.

O G-7, das maiores economias industrializadas, chega ao G-20 em Moscou com seis deles registrando queda na atividade no último trimestre de 2012. Com isso, o PIB no G-7 como um todo certamente sofreu contração pela primeira vez desde 2009.

A expectativa é de recuperação na maioria dos países avançados no primeiro trimestre deste ano, mas ainda fraca e desequilibrada.

Oficialmente, o FMI diz haver exageros nos debates sobre guerra cambial, segundo o porta-voz da instituição, Gerry Rice. "Nossa avaliação multilateral não indica desvios significativos", disse em coletiva de imprensa.

O porta-voz afirmou que o FMI está observando essas movimentações no câmbio, mas que não ia se pronunciar além do comentário do G-7, divulgado na terça-feira. (Com Dow Jones Newswires)