Dólar volta a fechar sessão próximo da estabilidade

Brasil Econômico
Dólar volta a fechar sessão próximo da estabilidadeCurva de juros futuros da BM&F Bovespa terminou o dia em baixa, por conta da produção industrial, mas as perdas foram reduzidas após declarações de Tombini.

Após o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reafirmar que a autoridade vai combater o excesso de volatilidade no mercado cambial doméstico, o dólar encerrou a sessão praticamente estável, com uma queda de 0,04%, a R$ 2,022 na venda.

Na sessão passada a variação também foi de 0,04%, mas no campo positivo.

"Em termos de volatilidade, o mercado ficou de lado, que é o que o BC queria", diz João Paulo de Gracia Corrêa, gerente da mesa de câmbio da Correparti.

Esse marasmo do câmbio, no entanto, não deve prosseguir por muito tempo, segundo o especialista, por conta do ingresso de divisas, que segue aquém das expectativas.

"Todo mundo esperava que a balança comercial engatasse, mas não aconteceu até agora", pondera Corrêa.
Ainda assim, a natural pressão de alta do dólar, por conta da falta de divisas no câmbio doméstico, tende a ser esvaziada pela atuação da autoridade.

"Apesar de o governo insistir que o câmbio é flutuante, o BC fez leilão tanto na compra quanto na venda, entre R$ 1,95 e R$ 2,03. A flutuação está bem pequena, e não dá para trabalhar com algo muito diferente disso", fala o gerente da Correparti.

Dentro dessa estreita banda, o governo não vai conseguir derrubar a inflação, e tampouco estimular o crescimento da indústria, mas é um patamar de equilíbrio, que não gera grandes distorções em nenhuma das pontas, comenta Corrêa.

Juros

No mercado de juros da BM&FBovespa, a curva fechou em queda, influenciada pela produção industrial, ainda que o movimento de baixa tenha amainado no decorrer da sessão, em linha com as declarações do presidente do BC, interpretadas pelos agentes como uma sinalização de que o início do ciclo de aperto monetário está próximo.

Mais negociado, com giro de R$ 58,728 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 caiu de 7,78% para 7,75%, enquanto o para janeiro de 2015 desceu de 8,49% para 8,44%, com volume de R$ 30,541 bilhões.

Tombini voltou a afirmar que a inflação "mostra-se persistente nos últimos meses". Garantindo que o governo não é tolerante com a alta dos preços, ele avaliou que a inflação está sob controle, mas reconheceu que há riscos à frente.

"Por isso, vamos fazer a avaliação no curto e médio prazo para preparar que a convergência (da inflação para o centro da meta) se processe de forma expressiva nesse período relevante", disse o presidente do BC.