DE BRASÍLIA
DE CURITIBA
DO RIO
Os três principais portos do país --Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio de Janeiro-- enfrentam protestos nesta terça-feira (14) devido a ameaças de greve dos portuários, que protestam contra a MP dos Portos.
Uma paralisação por tempo indeterminado foi convocada pelas três federações nacionais de trabalhadores portuários.
Os trabalhadores afirmam que a medida provisória que regulamenta o setor, em votação na Câmara dos Deputados, torna os portos privados mais vantajosos que os públicos, o que ameaçaria seus postos de trabalho.
"A maioria dos terminais foi pega de surpresa, até porque a MP ainda está no processo de votação no Congresso", disse o presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo, Querginaldo Camargo.
| Nelson Almeida - 1º.abr.2013/AFP | ||
| Trabalhadores no porto de Santos, principal do país; central sindical anunciou greve |
Os trabalhadores foram escalados, mas se recusam a embarcar e desembarcar as cargas.
Por dia, 200 mil toneladas são movimentadas em média no porto de Santos.
Em Paranaguá, os 17 navios que estavam atracados estão parados. A maioria deles carregava soja, milho e açúcar. Há outros 101 na fila para atracar.
Os caminhões que se dirigiam ao porto, porém, continuam descarregando normalmente nos terminais. Apenas a operação dos navios foi afetada.
Já no Rio, os trabalhadores anunciaram um estado de alerta e aguardam o desenrolar da votação no Congresso.
As empresas operadoras portuárias de Paranaguá informaram que irão recorrer à Justiça para interromper a greve, que consideram "abusiva".
FORÇA SINDICAL
À frente dos protestos está a Força Sindical, liderada pelo deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP). A organização defende que os trabalhadores dos portos privados sigam o mesmo regime de trabalho dos portos públicos.
Paulinho afirmou que outros três portos devem anunciar a entrada na greve ainda hoje --Recife (PE), Belém (PA) e Manaus (AM).
A Câmara realiza sessão hoje para tentar votar o texto. Segundo o governo, o texto original da MP tem potencial para reduzir custos e atrair investimentos. O objetivo é estimular a competição entre portos privados e públicos, na esperança de solucionar assim um dos principais gargalos da infraestrutura do país.
A MP remove restrições que inibem empresas que controlam terminais privados, e por isso enfrenta a oposição de concorrentes que exploram áreas dentro de portos públicos e sindicatos de trabalhadores.
Com Valor e Reuters
Fonte: Folha de S.Paulo