Disparada do dólar impulsiona ações de exportadoras

Brasil Econômico - 21/08/2013
Disparada do dólar impulsiona ações de exportadorasFibria e Suzano Papel e Celulose chegam a acumular valorizações que superam os 15% nos últimos três meses.
A disparada de mais de 17% da divisa americana nos últimos três meses impulsionou inúmeras ações de empresas cujas receitas são parcialmente dolarizadas. Papéis de companhias como Embraer, Braskem, Fibria e Suzano avançaram fortemente no período, mesmo diante da queda de quase 10% do Ibovespa.
E, se o dólar mantiver o atual patamar, ou mesmo voltar a ganhar força ante o real, analistas acreditam que o desempenho positivo apresentado até aqui será mantido.
"Todas as ações de empresas que têm alguma correlação com a moeda americana tendem a engrenar caso do dólar mantenha tendência ascendente. E qualquer previsão quanto à próxima cotação a ser testada é chute", acredita Pablo Spyer, diretor estatutário da Mirae Asset Securities.
Enquanto o dólar não encontra um novo patamar de estabilização, analistas sugerem algumas ações que tendem a se beneficiar. E a campeã de recomendações é a Embraer.
"A fabricante de aviões é, de longe a mais beneficiada. Aproximadamente 90% da receita é dolarizada, enquanto 75% dos custos estão atrelados à divisa americana. Além disso, toda sua dívida está protegida por derivativos financeiros", explica Marcelo Torto, analista da Ativa Corretora. No ano, as ações da Embraer acumulam valorização de mais de 37%, enquanto nos últimos três meses, a alta foi de 4,66%.

Outro setor que historicamente se beneficia da alta do dólar ante o real é o de papel e celulose. As ações da Fibria e Suzano Papel e Celulose apresentam forte alta nos últimos três meses, de 34,57% e 15%, respectivamente. "Ambas as empresas têm receitas em dólar, assim como grande parte da dívida. Contudo, o perfil de longo prazo ameniza o efeito contábil reportado trimestre após trimestre pelas companhias no balanço", diz Marcelo.
As siderúrgicas e mineradoras, bem como as exportadoras de carne, também subiram forte nas últimas semanas, ajudadas pela valorização do dólar. "Temos três companhias importantes na carteira beneficiadas por esse cenário: Minerva, cuja 70% da produção é exportada, Gerdau, que produz no exterior, bem como compete em melhores condições com players internacionais no mercado doméstico, e Braskem, que tem incremento de margem uma vez que quase 100% da receita é dolarizada e 70% dos custos estão atrelados à moeda americana", destaca Fernando Araújo, gestor da FLC Capital.
Entretanto, Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW Corretora, acredita que os investidores exageraram na procura por alguns papéis de "empresas dolarizadas". "O que vimos foi um efeito manada. Os investidores saíram às compras, sem olhar os fundamentos."
Torto, da Ativa, concorda. "Os investidores tendem a extrapolar suas apostas em empresas expostas ao dólar. Mas, no momento, as variações têm sido coerentes com o que imaginamos. Talvez as ações da Usiminas e CSN que, embora também sejam ajudadas por esse cenário, são afetadas pelo mercado de aço plano, que não está fácil."