Provável alta da Selic descola dólar do exterior

Brasil Econômico
Provável alta da Selic descola dólar do exteriorCurva de juros futuros da BM&F Bovespa tem uma sessão de forte abertura após o IPCA de fevereiro supera as estimativas do mercado.

O dólar no mercado cambial doméstico opera em mão contrária ao que prevalece no âmbito internacional na sessão desta sexta-feira (8/3), com a perspectiva de elevação da taxa de juros, que só ganhou força após o IPCA de fevereiro, que favorece a posição vendida das instituições financeiras.

Há pouco, a moeda americana tinha desvalorização de 0,56% ante a brasileira, e era negociada a R$ 1,950 para venda.

Já o Dollar Index, índice que mede a variação do dólar contra uma cesta de divisas, avançava 0,80%.

O euro, principal divisa da cesta, perdia 0,87%, a US$ 1,2993.

A forte apreciação do dólar no exterior tem relação com o dado do mercado de trabalho dos Estados Unidos bem acima das expectativas, que fortalece a hipótese do Federal Reserve interromper seu programa de compra de ativos, e reduzir a liquidez global de divisas.

Aqui no Brasil, entretanto, com a quase iminente elevação da taxa Selic, os ganhos que os bancos têm com a posição vendida (apostando na queda do dólar) impede que nosso mercado acompanhe o exterior.

Quando a instituição está vendida, explica Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a quantia em reais que tem no caixa rende a taxa de juros que é paga pelo Banco Central (BC) - caso essa quantia esteja dolarizada, quem paga a taxa é a instituição.

Os bancos encerraram fevereiro com as posições vendidas em US$ 8,521 bilhões, frente a US$ 8,577 bilhões em janeiro.

"A impressão é que está melhorando a disponibilidade de dólares no mercado, pela expectativa de aumento dos juros, e consequentemente o investidor estrangeiro também vem em busca disso, o que aumenta o fluxo de ingresso de divisas", afirma o especialista.

Embora em fevereiro o fluxo tenha ficado negativo em US$ 105 milhões, apenas na última semana, entre os dias 25 e 28, ele já se mostrou positivo em US$ 2,7 bilhões.

"Além disso, temos visto nos últimos dias um fluxo maior do exportador, por conta do início da comercialização da safra do agronegócio, de soja principalmente", comenta Galhardo.

Juros

A curva de juros futuros da BM&FBovespa tem um pregão de expressiva abertura, após o IPCA superar as projeções do mercado, e evidenciar a necessidade de elevação da taxa Selic já no próximo encontro do Copom que acontece em abril.

Mais negociado, com giro de R$ 50,006 bilhões, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 subia de 7,79% para 7,93% (o que embute uma alta na Selic de quase 0,75 ponto percentual até dezembro próximo), enquanto o para janeiro de 2015 avançava de 8,49% para 8,64%, com volume de R$ 30,835 bilhões.

O IPCA de fevereiro avançou 0,60%, desacelerando frente aos 0,86% de janeiro, mas ainda assim, acima dos 0,50% previstos pelo Bradesco.

"Apesar da redução da tarifa de energia elétrica, que teve impacto relevante no IPCA de fevereiro, a inflação não cede como o desejado", pontua a equipe de análise do Itaú Unibanco, em relatório.

No mês passado, as contas de energia elétrica ficaram 15,17% mais baixas, o que impactou o grupo Habitação (de -0,20% para -2,38%), e o IPCA em 0,48 ponto percentual.

"Há também uma maior disseminação no aumento de preços. Mercado de trabalho aquecido, efeitos defasados da depreciação cambial e expectativas mais altas elevam o nível da inflação e sua resistência", pondera a equipe do Itaú.