Autor(es): Agência o globo: Patrícia Duarte e Bruno Villas Bôas
O Globo - 11/02/2011
Compras do BC para segurar dólar aumentam "colchão do país", mas custo fiscal pode atingir US$50 bi no ano
BRASÍLIA. Com a atuação agressiva do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, comprando muitos dólares para tentar conter o derretimento da cotação da moeda, as reservas internacionais do país chegaram ao patamar inédito de US$300 bilhões. No dia 8 passado, elas estavam em US$299,793 bilhões. Ao crescerem US$478 milhões na quarta-feira, somaram US$300,271 bilhões, informou ontem o BC.
No ano, a alta já chega a US$11,696 bilhões e, segundo especialistas, a tendência não deve se inverter tão cedo diante da perspectiva de a moeda americana permanecer fraca, com cotação inferior a R$1,70.
- As reservas têm crescido pelas intervenções do BC no dólar para evitar mais apreciações (do real) - afirmou o analista da consultoria Tendências Bruno Lavieri.
As reservas internacionais são uma espécie de "colchão do país" para absorver impactos decorrentes de crises e, por isso, melhoram a percepção de risco da nação. O BC é o responsável por administrar esses recursos, que crescem toda vez que a autoridade monetária faz intervenções no mercado cambial, por meio de compras de dólares. O volume também cresce com a rentabilidade das aplicações dos recursos.
Só este ano, até o último dia 4, o BC já adquiriu US$10,828 bilhões no mercado. Em 2010 todo, foram outros US$41,417 bilhões, volume recorde.
Apesar disso, a formação de reservas impõe um custo fiscal, que alguns economistas consideram alto. Para comprar a moeda americana, o BC tem de arcar com o custo dos reais que desembolsa na troca. Este custo é a Taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano, os juros reais mais altos do planeta. A diferença é ainda mais expressiva porque grande parte dos dólares adquiridos é investida em títulos americanos, cujo rendimento não chega a 3%.
Segundo as contas de Lavieri, em 2010, o custo bancado pelo país ficou em cerca de R$30 bilhões e, este ano, pode chegar a R$50 bilhões. Ele ressalta, no entanto, que o nível atual de reservas é importante para reduzir os riscos do país.
- Não dá para falar em nível excessivo (de reservas) - afirmou ele, acrescentando que as reservas internacionais devem fechar o ano em aproximadamente US$325 bilhões.
Dólar sobe para R$1,671 e Bolsa avança 0,56%.
Ontem, a autoridade monetária voltou a fazer um leilão de swap cambial reverso - equivalente a uma compra de dólares no mercado futuro - e dois leilões de compra da moeda no mercado à vista. O dólar comercial fechou em alta de 0,60%, cotado a R$1,671. Segundo analistas, a alta foi ajudada ainda por indicadores positivos do mercado de trabalho americano.
Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) respirou após a forte queda de quarta-feira. O Ibovespa, índice de referência do mercado, teve alta de 0,56% a 64.577 pontos. Além dos indicadores americanos, a avaliação do BC de que as medidas "macroprudenciais" surtiram efeito no controle do crédito foi bem recebida por investidores.
O destaque do dia ficou para ações de petrolíferas e bancos. Os papéis ordinários (ON, com voto) da OGX, empresa de Eike Batista, subiram 4,81%, para R$17,86, liderando as altas do índice. As units do Santander ganharam 3,28%, para R$18,91.
- Foi um dia melhor, mas a Bolsa segue em tendência de baixa puxada pela saída dos estrangeiros - disse Pedro Galdi, da SLW Corretora.