Enviado por Míriam Leitão - 10.01.2012 | 11h05m
NA CBN
O governo está pensando em tentar conter a importação de celulares da China, como mostra matéria de hoje do jornal "O Estado de S.Paulo". Segundo a reportagem, em 2009, os celulares importados representavam 9% do total de aparelhos vendidos; em 2011, podem ter chegado a 35%. A participação da China cresceu: no começo do ano passado, 54% dos celulares eram de lá, no fim de 2001, 84%.
Quando o governo nota que aumentou a importação de determinado produto da China, pensa logo em criar uma barreira, mas essa não é a solução para os problemas do comércio internacional. Tenho dito aqui que não é dessa forma que as adversidades são enfrentadas.
Ou seja, cada vez que chega um lobby em Brasília de algum setor, o governo pensa numa barreira, mas isso cria distorções que são pagas pelo consumidor que, no fim das contas, quer um produto bom e barato.
Vamos nos lembrar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, que tem superávit comercial com o país. Quando a gente olha os dados fica claro que a China importa, principalmente, matérias-primas e exporta produtos industrializados para o Brasil.
Nós temos de aumentar a venda de itens com maior valor agregado, mas sem tratar a exportação de commodities, vocação do Brasil, como de segunda classe.
Do que a gente importa é preciso ver se há algum tipo de competição desleal. Se há, a questão deve ser tratada na OMC, que tem mecanismo para reprimir ou criar barreiras a esse tipo de importação.
Agora, se a China é mais eficiente na produção de celulares, o Brasil tem que ver o que fazer para ficar mais ainda. Vale lembrar que o mercado de celulares ainda é dominado por empresas instaladas no Brasil, que também exporta esses produtos.
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