Fluxo cambial fecha 2011 positivo em US$ 65, 2 bilhões

Autor(es): Por Murilo Rodrigues Alves | De Brasília
Valor Econômico - 05/01/2012

As entradas de moeda estrangeira no país superaram as saídas em US$ 65,279 bilhões em 2011, o segundo melhor desempenho anual para o fluxo cambial desde 1982, quando começa a série histórica calculada pelo Banco Central (BC). O resultado do ano passado é 168% maior do que os US$ 24,354 bilhões registrados em 2010. No entanto, não conseguiu alcançar o patamar de 2007, ano em que houve ingresso líquido de quase US$ 87,5 bilhões.

A conta comercial voltou a ser a que mais contribuiu favoravelmente para o saldo acumulado do ano. De janeiro a dezembro de 2011, a receita de exportações superou em US$ 43,950 bilhões os pagamentos de importações, diferente do que ocorreu em 2010, quando o saldo desse segmento foi deficitário em US$ 1,650 bilhão.

Por outro lado, o segmento financeiro registrou queda de 18% em relação ao ano anterior, caindo de US$ 26,004 bilhões contabilizados em 2010 para US$ 21,329 bilhões apurados no ano passado.

Na análise do Bradesco, o saldo significativo em 2011 refletiu, principalmente, os ingressos expressivos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) e de captações de recursos no exterior por empresas brasileiras. Segundo o economista do banco, Daniel Weeks, o fluxo ainda foi favorecido pela alta nos preços de commodities ao longo do ano, que assegurou uma balança comercial e, consequentemente, um déficit em conta corrente melhor que o esperado.

De acordo com o economista, esses fatores positivos saíram de cena no último trimestre, quando os efeitos da crise na Europa, como o encarecimento marginal das linhas de crédito comercial e a diminuição das captações externas levaram o fluxo cambial para o campo negativo. Só continuaram em patamares altos, a despeito da crise, o ingresso de IED, que somou mais de US$ 60 bilhões no acumulado do ano até novembro.

Em outubro, novembro e dezembro, saíram do país mais de US$ 3 bilhões líquidos, cenário bastante distinto dos três primeiros meses, período no qual ingressaram US$ 35,5 bilhões.

"É normal pela sazonalidade do período que exista aumento das remessas de lucros e dividendos. Este movimento pode ter sido intensificado pela crise, mas com os dados disponíveis não identificamos nada anormal", disse Weeks.

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