Importador se prepara para novo IPI

Autor(es): Por Eduardo Laguna | De São Paulo
Valor Econômico - 10/01/2012

As importadoras de carros - que, impulsionadas pela valorização do real, apresentaram franco crescimento nos últimos cinco anos -, têm pela frente um cenário de dificuldades. Mas o setor se preparou para minimizar o impacto da majoração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos de baixo conteúdo regional.

Muitas das empresas correram para nacionalizar os veículos até a primeira quinzena do mês passado e, com isso, formaram estoques que vão permitir não repassar integralmente - pelo menos no primeiro trimestre - o aumento de 30 pontos percentuais do tributo, em vigor desde 16 de dezembro.

Paralelamente, para manter um padrão razoável de competitividade, algumas delas negociaram um aperto de margens de rentabilidade com as montadoras no exterior e as concessionárias no Brasil. Mesmo assim, o mercado fala em queda de 15% a 20% nas importações de carros que foram afetados pelo novo regime automotivo.

Os modelos de entrada asiáticos - os mais acessíveis - devem sentir o maior abalo porque competem com similares no Brasil que não tiveram aumento de imposto. A Fenabrave, entidade que abriga as concessionárias, prevê uma contração de 45% nas vendas desses produtos.

Por outro lado, analistas apontam que os carros de luxo e mais sofisticados - notadamente os modelos europeus, como as marcas Jaguar, BMW e Porsche - tendem a sentir menos porque, muitas vezes, não encontram competidores no Brasil.

Além desse fator, existe a percepção de que os modelos de alto valor agregado mostram menor elasticidade da demanda em relação a variações de preços. Ou seja, o consumo é menos influenciado pelas mudanças de preço, dizem os especialistas.

As projeções oficiais, assim como o resultado dos importadores independentes em 2011, só serão divulgadas amanhã pela Abeiva, a entidade que representa o setor. De janeiro a novembro, as vendas quase dobraram na comparação com o mesmo período de 2010, chegando a 180,2 mil carros - quase 6% do mercado. A previsão da Abeiva para 2011, anunciada em novembro, aponta para 200 mil unidades no período.

A expectativa de analistas é de que dificilmente esse volume será repetido em 2012, mas as empresas se movimentam para que o pouso seja o mais suave possível. Especialista em mercado automobilístico, Francisco Trivellato não acredita em um repasse integral do IPI na maioria dos casos.

Para ele, as montadoras estrangeiras - apertadas por um excesso de capacidade em suas operações na Europa e na Ásia - serão obrigadas a "bancar" parte do aumento do IPI se quiserem escoar sua produção ao mercado brasileiro, o quarto maior do mundo. "Quanto maior for o aumento (de preço), maior será a queda (nas vendas)", avalia.

Algumas marcas já prometeram segurar os preços enquanto durar os estoques adquiridos no regime antigo, caso da JAC Motors e da Chery - montadoras que, juntas, tiveram 1,3% do mercado de carros de passeio e utilitários leves no ano passado. A JAC pretende manter preços até março, enquanto a Chery diz que vai segurá-los pelo menos neste mês.

A Kia Motors, por sua vez, vai repassar gradualmente à sua tabela de preços o aumento tributário, começando por um reajuste médio de 3% no mês passado, logo após o início da vigência do IPI maior. Outros dois aumentos - de percentuais que ainda serão definidos - estão previstos para fevereiro e março.

"Nem todas as marcas subiram os preços. Muita gente nacionalizou antes do aumento do IPI os estoques que estavam parados em portos", diz José Luiz Gandini, empresário que representa a coreana Kia no Brasil e que preside a Abeiva. Ele diz que a rede da marca ainda tem em torno de 7 mil veículos adquiridos com a alíquota antiga do IPI.

Na luta contra a mudança de regime, os importadores independentes chegaram a pedir alívio do aumento tributário para uma cota de 180 mil carros, mas não foram atendidos pelo governo.

Apesar de preocupações sobre um possível encarecimento do carro nacional - ante as barreiras colocadas às importações -, Trivellato não acredita em grandes reajustes nas tabelas das montadoras instaladas no Brasil. Em sua opinião, mais do que ganhos de margem, elas estarão preocupadas em recuperar espaços perdidos. A participação de mercado das quatro maiores montadoras - Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford - que era de 73,6%, em 2010, cedeu para 70% em 2011, na esteira do avanço das montadoras chinesas e marcas como Renault e Nissan.

"O novo patamar de preços dos carros já pode ser considerado uma conquista do consumidor", diz Trivellato.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário, muito obrigado pela sua visita!