Autor(es): agência o globo: Roberto Maltchik e Eliane Oliveira
O Globo - 21/03/2011
Itamaraty não comenta bombardeios, mas mantém embaixador em Trípoli para acompanhar os desdobramentos
BRASÍLIA. O Ministério de Relações Exteriores teme que os civis da Líbia sejam os maiores prejudicados pela ofensiva militar do Ocidente contra forças leais a Muamar Kadafi. Um dia depois do início dos bombardeios, o Itamaraty continua observando até que ponto os ataques não abrem caminho para novas e ainda mais brutais violações aos direitos humanos. O Brasil se absteve na votação do Conselho de Segurança da ONU, que autorizou a operação militar, na última quinta-feira.
Ontem, a diplomacia brasileira silenciou sobre os primeiros resultados dos bombardeios, que visaram à artilharia anti-aérea de Kadafi. Entretanto, o embaixador George Ney de Souza Fernandes continua em Trípoli com o propósito de analisar em quais condições Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e Itália cumprem a resolução do Conselho de Segurança da ONU.
Dilma e Obama discutiram desdobramentos da crise
Por enquanto, a orientação é acompanhar as reações à guerra iniciada na Líbia. Um alto funcionário do governo brasileiro comentou a preocupação da Liga Árabe e da União Africana em evitar mortes. Não se descarta a emissão de uma nota do Itamaraty sobre o tema nesta segunda-feira.
O governo brasileiro não compreendeu até que ponto a proibição para que aeronaves militares líbias decolem permite que se use a força para desarticular a defesa de Kadafi.
Essa dúvida já havia sido manifestada sábado no plenário do Conselho de Segurança pela embaixadora brasileira, Maria Luiza Viotti: "Não estamos convencidos de que o uso da força como dispõe o parágrafo operativo 4 da presente resolução levará à realização do nosso objetivo comum - o fim imediato da violência e a proteção de civis", afirmou, ao justificar seu voto.
O presidente dos EUA, Barack Obama, estava no Palácio do Planalto quando autorizou a operação militar. No sábado, os desdobramentos da crise foram discutidos por ele e a presidente Dilma Rousseff. Enquanto Dilma ponderou que os custos da ofensiva poderiam ser maiores do que os benefícios, Obama afirmou que continuaria seus esforços para acabar com as ameaças de Kadafi.
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