Brasil será afetado se G-20 frear por Japão

Autor(es): Luciana Antonello Xavier
O Estado de S. Paulo - 18/03/2011

O presidente do Morgan Stanley para Ásia, Stephen Roach, afirmou ontem à Agência Estado que a crise no Japão em si não é uma grande ameaça ao Brasil, mas sim o risco de os países do G-20 serem muito afetados por uma desaceleração da oferta mundial. O G-20 é um grupo de 19 países, emergentes e avançados, do qual o Brasil faz parte, mais a União Europeia.

Roach lembrou que um porcentual muito pequeno das exportações brasileiras vai para o Japão. "O Brasil é alavancado pelo crescimento industrial do G-20. Se as economias do G-20 tiveram uma desaceleração significativa, o que certamente e possível à luz do que já argumentei (sobre riscos atuais), o crescimento da economia brasileira será duramente atingido", disse, em entrevista por e-mail. "Uma queda na expansão da China, que é menos provável em minha opinião, seria, claro, também muito problemático para o Brasil", completou.

O Brasil exportou para o Japão em 20101 US$ 7,1 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o que representa 3,54% do total das exportações. Já o volume importado no ano passado somou perto de US$ 7 bilhões, ume participação de 3,84% no total de importações brasileiras no período.

Choques. Roach, mostrou estar muito preocupado com os riscos que se apresentam no momento à economia mundial. Ele não subestimou o impacto que a ameaça nuclear no Japão, os conflitos em países árabes e a crise da dívida soberana na Europa podem ter no mundo que ainda enfrenta "frágil e anêmica" recuperação. "O choque no Japão não deve ser analisado isoladamente do outros choques que estão atingindo a economia global neste momento ", disse.

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