Autor(es): agência o globo: Lino Rodrigues e Karina Ligneli
O Globo - 17/03/2011
SÃO PAULO. A iminente escassez de peças e componentes eletrônicos importados do Japão acendeu a luz amarela no radar do Polo Industrial de Manaus, a chamada Zona Franca, responsável por grande parte da produção de eletroeletrônicos e motocicletas do país. Empresas desses dois segmentos, que dependem de insumos de suas matrizes, estão parando para avaliar a situação e, se for o caso, redimensionarão a produção de acordo com o volume em estoque. Ao mesmo tempo, estudam opções para suprir uma possível falta de componentes essenciais por meio de outros canais de importação. Essa troca de fornecedores, alertam empresários do setor, poderá representar uma alta nos preços para o consumidor final.
- Se essa situação de escassez persistir, os preços vão subir para os fabricantes, e eles terão de repassar o aumento para o consumidor - disse Wilson Périco, presidente do Sinaees, sindicato que reúne as indústria de eletroeletrônicos de Manaus, lembrando que ainda há muitas importações do Japão em trânsito, o que deve amenizar o problema até as empresas concluírem uma avaliação mais precisa da situação.
Para a coordenadora de estudos econômicos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Ana Maria Souza, com a economia brasileira aquecida, os fabricantes precisam buscar alternativas para suprir a demanda. Segundo ela, é uma questão de sobrevivência as empresas buscarem outros mercados para se abastecerem de peças e componentes. A Suframa quer aproveitar a situação para fortalecer a cadeia de suprimentos local.
- Vamos trabalhar para aumentar a participação dos componentes nacionais - disse Ana Maria.
Com o boom nas vendas de motocicletas e eletroeletrônicos nos últimos anos, que respondem por 64% da produção do Polo Industrial de Manaus, os dois segmentos vêm passando por uma nacionalização crescente. Hoje, o índice de nacionalização dos eletrônicos está entre 49% e 52%, e o de motos, 75%. Mas a dependência ainda é grande em relação a peças e motores, no caso dos veículos, e a circuitos eletrônicos, placas e telas de cristal líquido (LCD).
Estoques de empresas japonesas duram até 60 dias
Com mais de 30 empresas, os japoneses ocupam a terceira posição no ranking dos maiores importadores da Zona Franca, atrás dos chineses e coreanos. Segundo a Suframa, grande parte desses fabricantes depende de insumos de suas matrizes, mas "costuma manter estoques por um período de 30 a 60 dias, tempo suficiente para que a situação se normalize". Entre janeiro e fevereiro, foram importados do Japão US$233,5 milhões em peças para aparelhos eletrônicos e motocicletas.
Na indústria automobilística, a situação também é de apreensão. Apesar de garantir que não haverá desabastecimento, a Toyota, a maior montadora japonesa, estendeu o prazo de suspensão de sua produção, que terminaria ontem, para a próxima terça-feira. Mesmo assim, a montadora informou que 80% das peças e componentes do Corolla, o modelo mais vendido no Brasil, têm fabricação local, e garantiu que os 20% restantes "estão sob controle".
Já a Honda destacou que, no Brasil, o índice de nacionalização de veículos é muito alto, de 80% a 95%, e que, por conta disso, a produção não será afetada. A importadora Suzuki também informou que sua comercialização não será prejudicada graças a estoques.
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