Autor(es): Vera Durão, César Felício e Virgínia Silveira | Do Rio, de Belo Horizonte e de São José dos Campos
Valor Econômico - 15/03/2011
Algumas das grandes empresas brasileiras têm relações profundas com o Japão, mas dizem não poder aferir como sentirão os efeitos dos estragos causados pelos desastres no país.
O Japão é um dos maiores importadores de minério de ferro da Vale. No ano passado, as siderúrgicas daquele país responderam por 11% da receita de vendas de minério e metais da mineradora brasileira, pagando R$ 9,3 bilhões pelas compras do insumo, se colocando como o segundo consumidor asiático de minério, logo depois da China. Procurada, a Vale não comentou se estava tendo dificuldades com as vendas para o mercado japonês.
Segundo a Ativa Corretora de Títulos e Valores, as recentes catástrofes teriam atingido cinco usinas siderúrgicas japonesas, inclusive duas plantas da Nippon Steel, sócia controladora da Usiminas. O mercado, segundo a Ativa, especula que a paralisação dessas usinas para reparo poderia aumentar a demanda para importações de aço pelo Japão, sendo a Usiminas uma das favorecidas com encomendas da Nippon Steel - empresa que controla 26% da Usiminas.
A Usiminas minimiza o efeito do terremoto em suas operações. De acordo com fontes da empresa, a siderúrgica já realizou no ano passado praticamente toda a compra de bens de capital produzidos pela Nippon que havia programado para seus investimentos em galvanização e em um laminador de tiras a quente, nas suas unidades de Ipatinga e Cubatão.
Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, afirma que o Japão vai precisar de aço para soerguer sua infraestrutura arrasada pelos tremores, mas acredita que as usinas do Sudoeste do país, que não foram afetadas, vão tentar suprir a demanda. Além do mais, lembra que há um excedente de aço no mercado global que poderá ser consumido pelos japoneses.
Nesse caso, quem pode se beneficiar é a Vale, pois passará a vender mais minério de ferro no mercado global, na medida em que houver maior equilíbrio entre a oferta e a procura de aço no mundo.
A Embraer informou ontem que não há, nesse momento, como avaliar os efeitos nos negócios da empresa. "Importamos partes dos nossos aviões do Japão, mas ainda é muito cedo para qualquer especulação sobre o fornecimento de encomendas à Embraer", comentou a assessoria de imprensa da companhia.
Uma das principais fornecedoras da Embraer no Japão é a Kawasaki, mas a empresa tem fábricas em áreas não afetadas.
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