Eduardo Campos
Valor Econômico - 10/03/2011
A volta do feriado de carnaval foi morna nos mercados brasileiros. Os volumes foram poucos expressivos no câmbio, nos juros e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
No câmbio à vista, no entanto, o ajuste de preço foi expressivo. O dólar comercial subiu 0,72%, para fechar a R$ 1,657.
Não parece muito, mas essa alta marca o maior ganho percentual diário desde 14 de janeiro. Tal constatação também ajuda a reforçar a baixa volatilidade que pauta o mercado nos últimos meses. O volume estimado para o interbancário, no entanto, ficou em apenas US$ 650 milhões, um dos menores do ano.
Tal ajuste de alta era esperado desde a sexta-feira, pois o câmbio à vista já tinha encerrado operações quando começaram a circular as notícias dando conta de que o governo anunciaria novo pacote de medidas cambiais após o carnaval.
No mercado futuro, o dólar para abril cedeu 0,15%, para R$ 1,6615, antes do ajuste final de posições.
Por ora (até o fechamento deste edição, às 20 horas), nada oficial havia sido divulgado sobre o assunto. Mas o clima nas mesas de câmbio foi de apreensão ao longo da quarta-feira.
Como bem disse um operador, não dá para saber o que a criatividade do governo pode inventar, mas entre as possibilidades discutidas entre os participantes do mercado estão quarentena, novo aumento/ampliação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e limitação de posições vendidas.
BC já fez mais de 100 intervenções no câmbio em 2011
Para o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, é bastante crível que tenhamos o anúncio de alguma medida nos próximos dias. "O governo deve atuar para que a moeda não continue se apreciando", avalia.
Rostagno estava estranhando o silêncio do governo mesmo com o dólar se aproximando do R$ 1,64. O especialista lembrou que as últimas medidas foram anunciadas quando o dólar ameaçou romper o R$ 1,65, que parece um patamar defendido pelas autoridades.
Cabe lembrar que em outubro do ano passado o IOF sobre ingressos para renda fixa foi ajustado duas vezes. Primeiro de 2% para 4%. E nove dias depois de 4% para 6%. Também foi elevado de 0,38% para 6% o IOF incidente sobre os depósitos de margem necessários a operações na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e o BC fechou as brechas que permitiram aos estrangeiros dar as garantias à bolsa de outras formas.
Agora em 2011, logo no segundo dia útil de janeiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu um susto no mercado ao chamar coletiva para falar sobre câmbio, mas nada de novo falou. Mas dois dias depois o BC tomou medidas para limitar a posição vendida dos bancos no mercado à vista.
Vale ressaltar, também, que o BC está muito mais ativo, com compras à vista, retomada dos swaps reversos e a inauguração das compras a termo. Agora em 2011, a autoridade monetária já promoveu mais de 100 intervenções no mercado em 45 dias úteis.
Passando para o mercado de juros, nada se pôde extrair do desenho da curva futura.
Os Focus trouxe dados díspares sobre inflação e não fez preço. Os investidores aguardam, mesmo, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que sai na manhã de hoje e pode dar algum rumo novo às taxas.
Conforme já discutido neste espaço. O tom do discurso do BC não pode ser muito forte, pois iria contra a decisão de subir o juro básico em meio ponto percentual, para 11,75%.
Atenção aos comentários sobre política fiscal, deterioração do quadro externo e horizonte relevante de política monetária.
De volta ao Focus, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cedeu de 5,80% para 5,78% em 2011. Primeira queda após 12 semanas de alta. Mas para o fim de 2012 a projeção subiu de 4,78% para 4,80%.
Já o IPCA para 12 meses voltou a ceder, recuando para 5,34% vindo de 5,35%. Dentro do Top Five (grupo que mais acerta), a mediana do IPCA para o fim do ano teve forte retração, caindo de 6,53% para 6,04%. Com isso a previsão volta a respeitar o teto da meta de inflação de 6,5%.
Os prognósticos para taxa Selic e câmbio permaneceram em 12,50% e R$ 1,70, respectivamente. E a expectativa para o crescimento do PIB mostrou recuo marginal de 4,30% para 4,29%.
Para 2012, a taxa de câmbio estimada cedeu de R$ 1,79 para 1,77. O PIB permaneceu em 4,5% e a Selic seguiu em 11,25%.
Além da ata do Copom, o dia também traz a parcial do fluxo cambial e o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de fevereiro.
No campo externo, destaque para a reunião do Banco da Inglaterra (BoE). E à noite, a China apresenta inflação, produção industrial e vendas no varejo em fevereiro.
Eduardo Campos é repórter
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