Valor Econômico - 04/03/2011
Apesar de já ter sido a maior fonte de diamantes do mundo, nos séculos 17 e 18, hoje o Brasil tem uma representatividade menor que 1% na produção mundial. No ano passado, foram extraídos 30 mil quilates do solo nacional. O acréscimo em relação a 2009 - quando a produção foi uma das mais fracas dos últimos anos, apenas 22 mil quilates - está longe de trazer o país de volta ao patamar de 2005, quando foram extraídos 207 mil quilates.
De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a queda se explica pela redução da demanda com a crise financeira internacional. O comércio também baixou devido à proibição da exportação dessas pedras de fevereiro a setembro de 2006, depois que a Operação Carbono, da Polícia Federal, revelou um grande esquema de contrabando de diamantes e apertou o cerco aos contraventores.
Hoje, o Brasil exporta diamantes brutos, mas importa as gemas lapidadas. Até o princípio dos anos 90, a indústria da lapidação ainda florescia no país. Para se ter uma ideia, só o antigo polo lapidário de Mar de Espanha, em Minas Gerais, na divisa com o Rio, chegou a ter dez mil lapidários. "Agora não devem chegar a 20", estima Hecliton Santini, presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), que reúne a cadeia produtiva de joias no país.
A lapidação nacional foi desaparecendo com a competição de baixo custo, principalmente da Índia, que lapida atualmente cerca de 80% dos diamantes do mundo - principalmente gemas pequenas, com menos de um quilate. As pedras maiores e mais caras ainda são lapidadas em centros sofisticados como Bélgica, Israel, Suíça e Estados Unidos. "Além do crescimento desses mercados, a baixa produção nacional não justifica uma indústria de lapidação", avalia Santini.
Os maiores produtores das pedras brutas no mundo são Rússia, República Democrática do Congo, Botswana, Austrália e Canadá, que respondem juntos por 80% da produção mundial.
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